RECADO SOCIAL

 
28 de fevereiro 2016 - às 14:37

CUSTA CONTAR A VERDADE, CLARO!

Vai-se lá saber o que por aquelas paragens percebam o que é isto  de “inflação”, “crédito”, “Produto Interno Bruto”, “juros”, liquidez”,”Dívida Pública” e “Fundo Soberano”?.

 

No momento em que rabiscava estas linhas, lembrei-me  dos tempos das cavernas, em que as pessoas se comunicavam através dos sons dos tambores ou por sinais de fumo. Claro que a comunicação mudou radicalmente. Quem sabe tirar proveito da condição de humanos evoluídos,que manda e pode q.b., deve repensar nas estratégias comunicacionais ao serviço das comunidades e ainda por cima quando as detém em permanente sentido de subjugação. 

O executivo escusa-se a informar o que realmente se passa no país,escondendo-se em retóricas e lenga-lengas. Lembrei- me que o país já viveu uma fase da sua vida truculenta e ditatorial, envolta num mutismo forçado pelas circunstâncias da guerra, cujo  termo só foi possível com a chegada desta democracia ainda carregada de muitas interrogações, desvios de alguns dos seus mais nobres valores como a liberdade de se dizer o que nos vai na telha, sem que nos armemos em donos absolutos da verdade, dos jornais, das estações de rádio e outros canais de mobilização de massas que,afinal ,funcionam apenas ao sabor dos que detêm o poder. É assim em todo o lado, nos Estados Unidos, nas Coreias, ou no Daesh.É assim, mas não devia…pois até  a internet começa a dar voltas aos cérebros mais brilhantes do país.

Hoje, é ponto fulcral que o governo comunique, assegure que os seus feitos e defeitos sejam conhecidos. Que os detentores dos cargos públicos tenham a liberdade de chamar atenção ao povo, que não é de todo parvo, para a crise que estraçalha o país, coloca os pobres cada vez mais pobres, desenha traços de absoluta desconfiança no poder das instituições do Estado. 

É bom  reconhecer os erros e, quando assim acontece, reforça-se a ideia de que temos, sim, governantes com “aquilo” no sítio.Que não sustentam os seus discursos na velha e chata ideia de que são apenas e só “papagaios”.Que pensam pelas suas próprias cabeças e que,sobretudo, tenham a coragem de colocar os seus cargos à disposição caso não tenham capacidade para comunicar ao povo que não estão a ser suficientemente inteligentes e competentes para  segurarem o “tacho” que os eleitores lhes deu sem que estes tenham sentido algum cheirinho dos seus mal-confeccionados cozinhados.

Sabe-se que se torram milhões de dólares em consultores expatriados,que existem campanhas de publicidade tão mal concebidas quanto inacessíveis às populações da periferia,onde a língua portuguesa se  transforma em qualquer coisa semelhante ao fumo azul que jamais sairá das chaminés do Vaticano.Saiba-se de uma vez por todas que as línguas nacionais exercem um papel fundamental no seio destas comunidades analfabetas, sem rádios e pilhas, televisores,luz eléctrica ou painéis gigantescos que mais parecem cartazes de filmes da mais burra criatividade. 

Vai-se lá saber o que por aquelas paragens percebam o que é isto  de “inflação”, “crédito”, “Produto Interno Bruto”, “juros”, liquidez”,”Dívida Pública” e “Fundo Soberano”?.

 A verdade é que não está  fácil engolir a moldura da brutalidade das medidas colocadas na praça pública para contornar a crise. Ninguém há-de digerir isto, sem que se lhe explique a verdade nua e crua sobre o que se terá passado ao longo do período dos “abutres protegidos”, em que desapareceram milhões de dólares dos cofres do Estado com um simples estalar de dedos recheados de anéis abençoados pelo poder supremo. 

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