ÁFRICA

 
8 de junho 2017 - às 06:08

CULTURA AFRICANA HORA DO RENASCIMENTO

Passaram mais de 60 anos das independências dos territórios africanos sob jugo colonial. A ideia política dos Estados Unidos da Africa demora a ser parida… Até parece “ebo”grande. A independência económica também demora a chegar, apesar das inúmeras riquezas do continente…A União Africana está aí a caminho da primeira infância, com muitas makas e conflitos por resolver, a fome e endemias, bem como o drama de refugiados

 

São factos tão rebatidos que em algumas paragens se tornam vulgares. Driblemos então a política e afins para abordar neste espaço apenas o Renascimento Cultural do continente-berço.

Nos sec. XV/XVI, na Revolução Industrial, os mecenas permitiram o Renascimento europeu e o fim da barbárie da idade média. Era a vez de uma Europa, mais renascentista e mais humanista.

Por cá precisamos de fazer o nosso Renascimento. As ideias existem desde os anos 50. Cheikh Anta Diop e pares foram pioneiros da ideia de “Redescobrir a Africa”. 

Instituições como a revista “Présence Africaine”, onde o angolano Mário Pinto de Andrade foi chefe de redacção, e os congressos de escritores e artistas negros de Paris, 1956,59 e 64, foram esteios importantes para divulgar as ideias de Renascimento Africano.

Diop, o maior historiador de África do séc XX. Egiptólogo, sociólogo e antropólogo, foi o maior incentivador da diáspora africana na Europa e no mundo. Temos que recuperar os ideais destes intelectuais brilhantes e corajosos que pretendiam devolver o continente aos africanos.

Ainda é  possível este Renascimento? Como faze-lo? Sem  afropessimismos, dizemos “arrogantemente” que sim é possível, pois é hora de afropragmatismo. Só este nos levará a bom porto. 

O eurocentrismo foi derrubado com o Renascimento europeu. O pragmatismo será o caminho para o Renascimento africano. Apesar das economias ainda frágeis é possível recuperar. A literatura terá um papel importante. A recuperação e valorização das línguas africanas são outro passo.

Lembramos que a Africa já teve mais de 1000 línguas; hoje talvez reste apenas o swahili como língua internacional do continente… As instituições de Renascimento devem ser criadas, se calhar ressuscitar os congressos e festivais de artistas e escritores negros. 

Incentivar o mecenato. A arqueologia deve ajudar na redescoberta do continente. As máscaras e o teatro africano devem viajar pelo mundo.  Deve haver mais festivais de cinema por Africa; não basta o de Burkina Faso.

Os estilistas africanos puros devem ser incentivados, com os nossos tecidos e ideias, sem imitações baratas. A música africana já ganhou a batalha do Renascimento, e existe a valorização no mundo através de Manu Dibango, Salif keita, Tito Paris, Cesária Evora, Papa Wemba, Richard Boma,  Massakela, Miriam Makeba, entre pares. 

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