POLÍTICA

 
29 de outubro 2015 - às 18:31

CRÓNICAS DA ILHA

 

Quando não consigo ter a crónica mensal pelo menos alinhavada como ideia, baixa aquela angústia peculiar do limite, ou seja, a culpa do dever não cumprido em relação ao compromisso assumido.

E como já devem ter-se apercebido pelo lengalenga, ou pelo papo furado, se quisermos ser brasileirófilos na expressão, é chegada a fatídica hora, não tenho a mínima ideia sobre o que vou escrever e sinto-me culpado, até me insultando a mim mesmo e a Figuras &  Negócios, que até nem me aborrece sobre isso. Mas como, pelo menos para mim, palavra dada é sagrada, tenho que tentar e, aliás, a culpada deste black out é a amantíssima cara metade, ou não fosse a Eva culpada de tudo, porque, quando eu já me prestava a arrancar para o trabalho, me anuncia, e feliz fiquei, a contribuição que ia prestar às letras nacionais:

“Olha, Manuel, tive uma ideia maravilhosa e bem engraçada sobre um assunto para a tua próxima crónica.”

“Obrigado filha, mas agora não, já estou atrasado. Mais logo, está?”

Claro que, ainda não sentindo a pressão, deixei escoar os dias, até que, sentindo-me ligeiramente preocupado, solicito a contribuição prometida e tão almejada.

“Não é que me esqueci? Mas não te preocupes, daqui a um pouco recordo-me. Até como estou a subir para ir tomar banho, enquanto estiver no chuveiro certamente que me lembrarei.”

Bom, encurtando o drama e o trama, se de facto o tema da crónica dependesse da evocação da minha mulher, ainda hoje estaria sob a água do chuveiro a tentar lembra-se porque, para ela, felizmente também palavra dada é sagrada.

“Nlele nsompa kawutsinunu ko”, lá se diz na minha banza. Ou seja, não se dança em roupa emprestada, por outras palavras, confia em ti mesmo. 

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