EDITORIAL

 
29 de setembro 2015 - às 10:38

CRISE ENSOMBRADA

Por muito que custe, esta é a situação que o País está a viver reforçada por erros de gestão económica, alguns escândalos de corrupção a permanecerem impunes e a ser evidente, cada vez mais, o distanciamento entre a classe politica e a sociedade.

 

O Kuanza, moeda nacional, depreciou-se em mais de 37 por cento no último ano face ao dólar fruto da queda da cotação internacional do barril de petróleo que fez diminuir a entrada de divisas em Angola. A informação foi dada pelo BNA, quase no final de Setembro, no âmbito dos seus relatórios regulares sobre a evolução dos mercados monetário e cambial e venda de divisas aos bancos comerciais.

O Presidente do Conselho de Administração do Entreposto Aduaneiro não descarta a possibilidade de ruptura dos produtos da cesta básica no País caso se mantenham as dificuldades de cambiais que actualmente se regista. Uma posição corroborada por um número considerável de comerciantes que quase atiram a toalha ao tapete por não importarem produtos que alimentam o seu negócio de comercialização nas pequenas e grandes superficies.

Teoricamente, o kwanza está hoje equiparado ao dólar numa proporção de 1 USD=150Kz mas não se consegue oficialmente fazer essa operação pelo que o recurso ao câmbio paralelo, que de um momento para o outro passou novamente a reinar, é a solução. No final de Setembro, o câmbio estava a ser praticado à razão de 1 USD=Kz 300Kz, ou, para sermos mais explicitos, se ontem com uma nota de USD 100 no mercado paralelo tinhamos 10.000 Kz hoje passamos a ter 30.000 kwanzas.

São alguns dos muitos exemplos que o País hoje vive e que podem conformar, ante a não tomada de medidas energicas para que a Sociedade possa sentir determinação governativa, uma crise que não sendo institucional tem desdobramentos pouco aconselháveis nos campos político, económico, criminal e moral.

As crises políticas, regra geral, podem causar paralisia decisória no País, criar incertezas e reduzir os apetites dos agentes económicos para assumir os riscos e investir. Por outro lado, inibe a expansão do crédito bancário, o mercado de capitais não se afirma e, portanto, se prejudica o desenvolvimento, o emprego fica sem espaço e  tudo isso tem reflexos no bem-estar da sociedade.

Por muito que custe, esta é a situação que o País está a viver reforçada por erros de gestão económica, alguns escândalos de corrupção a permanecerem impunes e a ser evidente, cada vez mais, o distanciamento entre a classe politica e a sociedade.

Em substância, o País precisa, agora mais do que nunca, diante de uma crise forte ensombrada por um poder cada vez mais impotente para dar a volta por cima porque teimosamente nao acredita na vantagem da gestão participativa, de uma agenda comum para se estabelecer o compromisso que evite o desaguar para situações nada recomendáveis. Primeiro que tudo, os integrantes dos poderes constituidos têm de assumir a ombridade de explicar a sociedade, de forma clara e crivel, a origem dos problemas e a maneira de atacá-los, formular estratégias, convencer e aprovar medidas e conquistar apoios da Sociedade, desde que na contenção de gastos e proibição de esbanjamentos, eles sejam os primeiros a apertar os furos do cinto.

Perdeu-se tempo em gizar medidas que visavam a exploração de outras potencialidades que o País possui porque se adormeceu eternamente na dependência do petróleo, mas não interessa agora chorar sobre o leite derramado. Interessa, isto sim, gizar medidas efectivas para se diversificar a produção, que devem ser concertadas e assentar primeiro e fundamentalmente na aposta segura na agricultura para produção do indispensável alimentar que agora, infelizmente, por essa preguiça de pensamento e outros fins inconfessos, se importa. O país continua a viver a olhar para o mar onde os navios trazem de tudo o que precisamos para viver.

Angola tem solução, tem futuro desde que deixe de ser competidora dos lugares cimeiros no campeonato mundial das discussões sem pés nem cabeça onde a pratica mais evidente é o palavrorio enfezado para destruir quem quer trabalhar, anular quem quer defender o patriotismo, o orgulho do angolano mas não quer alinhar na prática da bajulação doentia que, regra geral, se esconde na capa de pseudo-militâncias partidarias entrincheiradas hoje no partido político que governa o País.

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