PONTO DE ORDEM

 
1 de fevereiro 2017 - às 17:56

CRISE DAS CRISES

Tudo isso fomos assistindo tendo Luanda como o maior palco de actuação, até porque a excessiva centralização fez as pessoas acreditar que o futuro na vida só seria possível com a concentração de todos na capital do país. Uma crise também que não preocupou muita gente, principalmente os poderes constituídos, porque viu-se Luanda a engordar com o número de habitantes, a criminalidade a crescer exponencialmente e o interior,  envergonhadamente a tentar sobreviver.

 

A palavra crise e os seus efeitos práticos tornaram-se questões correntes da sociedade angolana agora muito por causa da difícil situação que se vive devido ao aperto económico e financeiro internacional com reflexos evidentes em Angola porque durante muito tempo se adormeceu comodamente na multiplicação de dólares que o comércio de petróleo proporcionava. Mas, vendo bem as coisas, o que se vive agora é uma Crise das crises porque, afinal de contas, o País desde há muito vem vivendo momentos apertados porque não se conseguiu desprender da excessiva economia centralizada não obstante varias intenções neste sentido; pouco se fez para uma verdadeira gestão participativa, com o executivo a acreditar que tem a varinha mágica para todas as soluções pelo que dispensa contribuições de outros seres pensantes.

Com o cobertor que as receitas do petróleo proporcionava, torrou-se dinheiro em obras faraónicas, fez-se crescer, sem balizas de proteção, a corrupção galopante, faltou comando no momento certo e a administração pública cresceu em quantidade mas minguou em qualidade. É um cenário de crise que foi corroendo a organização do País mas as pessoas, de forma geral, pouco se importavam porque o povo continuava a viver a olhar para os navios que transportavam tudo que servia para a alimentação; foi-se esquecendo que o Pais tem terra fértil para uma agricultura altamente competitiva e lucrativa, herdou um parque industrial que deveria ser modernizado e tornar-se eficiente para não se ficar confinado à importação de tudo e nunca se materializou uma politica coerente de apoio a agricultura familiar para se produzir com fartura o que precisamos para a nossa alimentação; não se delineou políticas para um efectivo arranque do parque produtivo nacional priorizando-se o ramo alimentar, antes pelo contrario apadrinhou-se primeiro a recepção da importação alimentar como de toneladas de roupa usada, deixou-se de produzir um pequeno varão de aço sem se pensar que Angola é um País em reconstrução e foi-se assistindo a fechos de fabricas e aumento de desemprego. Uma crise que apadrinhou o surgimento dos mercados informais, aguçou a mente dos incautos que acreditavam na felicidade do negócio do imediato. Quer dizer, o angolano ganhou o gosto pelo comércio que permite a recepção imediata de dinheiro, desvirtuou-se o valor do salário justo pelo trabalho realizado nos trinta dias úteis de cada mês do ano porque, até nisso, encontrou-se cobertor dos poderes constituídos quando, do alto do seu pedestal, um dirigente governamental teve o desplante de afirmar de que em "Angola ninguém vivia do salário normal".

Tudo isso fomos assistindo tendo Luanda como o maior palco de actuação, até porque a excessiva centralização fez as pessoas acreditar que o futuro na vida só seria possível com a concentração de todos na capital do país. Uma crise também que não preocupou muita gente, principalmente os poderes constituídos, porque viu-se Luanda a engordar com o número de habitantes, a criminalidade a crescer exponencialmente e o interior,  envergonhadamente a tentar sobreviver.

Todas essas crises o País viveu e poucos se preocuparam. Acendeu a lâmpada vermelha porque o petróleo baixou muito,  as alternativas para suportar os luxos ficaram limitadíssimas,  o Dólar escasseou e todos ficamos preocupados com a crise. Mas essa é a Crise das Crises outras que temos e que se resumem num facto: patriotismo. Precisamos na verdade de gostar muito e mais do nosso País, de sermos patriotas, de deixarmos de pensar só e apenas de forma egoista nos nossos bolsos e bocas, contribuirmos todos para o combate à fome e a pobreza. Assim vence-se definitivamente a crise e não viveremos apenas com vaidade do nosso ego de gente pobre de espírito e ridícula na ostentação.

Se calhar,  hora determinante para se mudar!  

Copyright © Figuras & Negócios - Todos os direitos reservados strong>

Contato
Home
Acervo Digital