MUNDO REAL

 
31 de maio 2016 - às 07:04

CONSTRUÇÃO DE PONTES

Actualmente, em que muitos são os temas sobre a mesa e cada vez mais visíveis as divergências (ou é melhor chamar tendências?) também sobressaem mais as pessoas com visão extrema. Lamentavelmente, aquelas pessoas que criticam algumas opções e situações que consideram erradas são rotuladas como sendo da oposição mesmo quando não estão filiadas a um partido político, pior ainda, acabam sendo acusadas de coisas piores. Ao mesmo tempo também noto que os grupos da oposição ou os que discordam da situação também não aceitam bem quando alguém da sociedade civil refere pontos positivos do país ou do nosso contexto actual ou mesmo quando critica as suas lideranças.

 

Vivemos dias difíceis, marcados pela crise económica que hoje é uma realidade e tem impacto na vida das populações, ao mesmo tempo, a dinâmica política do país acirra cada vez mais as disputas. Nos debates começamos a notar o extremismo de posições, independentemente da tese que se defende.

O debate de ideias, abordar as questões de frente, buscar caminhos e soluções é o ideal para se ultrapassar os momentos mais difíceis, aliás, é o melhor caminho para a convivência pacífica em sociedade. Não podemos pensar todos da mesma forma, não somos uma “massa única”, é saudável que hajam pessoas com visões diferentes sobre os diferentes fenómenos. O que preocupa é a intolerância política, o facto de determinadas pessoas não aceitarem a diferença.

Actualmente, em que muitos são os temas sobre a mesa e cada vez mais visíveis as divergências (ou é melhor chamar tendências?) também sobressaem mais as pessoas com visão extrema. Lamentavelmente, aquelas pessoas que criticam algumas opções e situações que consideram erradas são rotuladas como sendo da oposição mesmo quando não estão filiadas a um partido político, pior ainda, acabam sendo acusadas de coisas piores. Ao mesmo tempo também noto que os grupos da oposição ou os que discordam da situação também não aceitam bem quando alguém da sociedade civil refere pontos positivos do país ou do nosso contexto actual ou mesmo quando critica as suas lideranças.

Chegados a este ponto importa reflectir sobre o risco do extremar de posições, de não se aceitar a diferença, de se vedar o espaço para emitir opinião livre. Uma sociedade assim é sufocante e imprevisível. Temos todos que fazer um exercício para aprender a escutar quem está do nosso lado.

Quanto mais os cidadãos se expressam livremente menor é o risco de tensões.

O momento que o país vive e os desafios políticos e económicos que se avizinham devem levar a que cada um de nós seja cada vez mais responsável, cada vez mais cidadão e um promotor de consensos, verdadeiros construtores de pontes. Não deve ser mera retórica mas uma forma de estar na sociedade. Relatos como o que vamos recebendo de intolerância política ou de constrangimento aos defensores dos Direitos Humanos ou a jornalistas devem terminar definitivamente, até mesmo como um sinal da nossa maturidade enquanto povo.

Já o disse diversas vezes que a paz é o bem maior que alcançamos. Hoje podemos viver livremente no nosso país, podemos pensar em outras questões, apesar dos problemas, das dificuldades que temos, daí que a responsabilidade de manter o ambiente que vivemos é grande e deve ser um esforço permanente de cada um de nós. 

É um caminho que temos que percorrer mas a realidade é esta: temos um país imenso com uma grande diversidade étnica e cultural e daí a grande responsabilidade que cada um tem de ajudar na reflexão dos temas que marcam o país e de construir pontes mesmo quando a distância que nos separa é grande.

A crítica não tem nada de contra, antes pelo contrário deve nos levar muitas vezes a repensar o caminho que estamos a percorrer, a corrigir eventuais erros, a melhorar a nossa performance, enfim, até mesmo a mudar de caminho. Por que não?

Muito mais poderia dizer mas lembro apenas um velho ditado: “quem avisa amigo é”.  

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