ÁFRICA

 
2 de outubro 2016 - às 05:42

CONGO DEMOCRÁTICO: CONFRONTOS SANGRENTOS CONTRA ADIAMENTO DE ELEIÇÕES

Em Kinshasa, capital da República Democrática do Congo, eclodiram, na última quinzena de Setembro, confrontos violentos em função da perspectiva que se abre para o adiamento das eleições presidenciais inicialmente previstas para Novembro do corrente mas só podem vir a acontecer em Dezembro de 2017. Em causa, uma contestação ruidosa à intenção de Joseph Kabila, actual Presidente da República pretender continuar a liderar o País à revelia da Constituição que o impede de concorrer para mais um mandato presidencial.

É uma situação complicada, que já originou centenas de mortos, objectivos públicos e privados destruidos e indícios de uma ameaça à Paz, não só no País mas com tendencias a se alargar para os países vizinhos, mormente Angola que partilha  com a República do Congo uma extensa fronteira comum

 

Meios da oposição e de sectores influentes da sociedade em especial grupos de jovens politicamente activos, têm efectuado em Kinshasa manifestações de protesto reclamando o abandono do poder por parte de Joseph Kabila no termo do seu actual mandato. Em 19 de Setembro, as manifestações, eventualmente devido à sua superior dimensão, degeneraram em tumultos violentos, cifrando-se em 17 mortos, envolvendo forças policiais. As autoridades atribuíram às manifestações carácter insurreccional.

A instabilidade política que irrompeu na República Democratica do Congo em razão da pretensão de Joseph Kabila de adiar para Dezembro de 2017 eleições presidenciais que ordinariamente deveriam ter lugar em Novembro de 2016, acendeu o fogo para confrontos violentos. Por via de um adiamento das eleições, Kabila manter-se-ia no poder mais um ano, o que, conforme se conjectura, lhe permitiria alterar a constituição de modo a candidatar-se a um novo mandato, o quarto.

Joseph Kabila não goza de muita aceitação e/ou popularidade interna, especialmente em sectores da sociedade congolesa considerados politicamente mais activos. Sassou Nguesso seu homólogo da República do Congo, também estendeu a sua função presidencial a um novo mandato vedado pela constituição, mas eventualmente devido à sua superior autoridade e prestígio, as reacções contrárias não atingiram proporções equivalentes.

A impopularidade de Kabila, patente em meios do próprio regime, embora neste caso de forma discreta, é avolumada por factores como a existência de dúvidas em relação à sua identidade; circunstâncias em que se tornou Presidente – no seguimento do assassinato de seu pai, Laurent Desiré Kabila.  

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