MODA & BELEZA

 
27 de November 2020 - às 18:08

CONFLITOS ENTRE AGÊNCIAS E MODELOS: Dinheiro no cerne da questão

O problema para os modelos é que embora as agências normalmente paguem antecipadamente por seus voos, hospedagem e despesas, é prática padrão do sector querer receber o dinheiro de volta. 

 

Enquanto as semanas de moda acontecem em Nova York, Londres, Milão e Paris, centenas de modelos viajam para as quatro capitais na esperança de conseguir trabalho. Mas muitos voltam para casa com menos dinheiro do que quando chegaram. 

Anna (nome fictício) trabalha como modelo desde os 17 anos, já desfilou para grifes como Prada, Mulberry, Commedes Garçons e muitas outras. Mas depois de três anos, ela ainda não conseguiu pagar as 10 mil libras que deve as agências de modelo. ”As minhas dívidas começaram logo que comecei a trabalhar”-diz ela a BBC. 

A primeira agência com a qual Anna assinou contrato, no seu país natal, na Europa Ocidental, adiantou 350 libras para um ensaio fotográfico, custo que foi adicionado a uma prestação de contas em seu nome. 

Mais tarde, ela foi levada de avião para Londres para participar de um processo de selecao, e essa despesa também foi incluída na conta, assim como gastos com acomodação e alimentação. A quantia que ela devia aumentou. ”Eles me perguntavam se eu queria um motorista, sem deixar claro que isso custa muito caro e que eu teria que pagar”. revela. 

O problema para os modelos é que embora as agências normalmente paguem antecipadamente por seus voos, hospedagem e despesas, é prática padrão do sector querer receber o dinheiro de volta. 

Portanto, se um modelo viajar para a Semana de Moda de Londres e não conseguir trabalho, ficará com uma dívida com a agência no valor da viagem. 

Anna se viu diante deste problema aos 18 anos, quando embarcou para os Estados Unidos para participar de seleções para desfiles da Semana de Moda de Nova York, mas acabou por não participar de nenhuma porque ficou doente. 

Por dois anos, ela disse que praticamente não recebeu pagamento, já que as as suas agências em Paris, Londres e Nova York direcionavam os seus honorários para pagar todo o dinheiro que devia. 

 

Assunto ainda é um tabu 

A modelo russa Ekaterina Ozhiganova, que trabalha em Paris, diz acreditar que é hora de encarar o problema oculto das dívidas que modelos acumulam ao tentar fazer carreira em uma das profissões mais precárias do mundo. 

Ela é co-fundadora da Model Law, a primeira associação francesa que trabalha para proteger os direitos modelos. ”Antes, a violência sexual era tabu”. afirmou

“Agora todo mundo está a gritar aos quatro cantos sobre a exploração sexual, mas ninguém quer falar sobre dinheiro. Todo mundo se cala sobre isso”. 

Como o sucesso no mundo da moda é medido em parte pelo montante que você ganha, modelos profissionais raramente querem falar abertamente sobre o problema. 

Mas, nos bastidores, Ozhiganova conta que a Model Law está a ajudar diversos modelos a entender melhor as suas financas. ”A falta de informação é o principal problema. Os modelos não sabem quanto deveriam receber”. 

Embora modelos dos quatro cantos do mundo estejam sujeitos a enfrentar dificuldades financeiras, aqueles provenientes de países mais pobres podem ser mais vulneráveis. ”E como qualquer trabalhador estrangeiro que vai para uma economia mais próspera” - compara Ozhiganova. ”Há uma grande dificuldade em relação a língua, eles não conseguem ler a papelada, o contrato. E um salto no escuro. ”

 

Trabalho escasso
e salários baixos

Para agravar a situação, a quantidade de aspirantes a modelos é tão grande que o trabalho é escasso e os salários podem ser muito baixos. 

Alguns trabalhos para revistas, por exemplo, não são remunerados. E os honorários podem variar de 100 dólares a 1000 dólares ou mais para participar de um desfile durante uma semana de moda ou centenas de dólares para estrelar a campanha de uma marca. 

No entanto, a dívida dos modelos não é uma dívida no sentido comum do termo, diz John Horner, director da British Fashion Models Association, que representa as agências britânicas. 

Se um jovem modelo não é bem sucedido e deixa a indústria da moda, ele não é perseguido para pagar o dinheiro que “deve”, explica. Em vez disso, a agência arca com o investimento que fez. ”Nós assumimos a dívida”. diz. 

Ainda de acordo com Horner, a maioria dos modelos de sucesso logo paga o investimento inicial e começa a ter lucro. 

 

Jovens e vulneráveis 

Esther Kinnear-Derungs é cofundadora da Linden Straub, uma pequena agência criada há três anos em Londres, para encontrar formas pioneiras de tratar melhor os modelos. 

Ela diz que avançar na carreira e recuperar gastos faz parte da “natureza do negócio”. O problema é que os jovens são vistos como “descartáveis” por muitas agências, acrescenta ela. E não é segredo que, nas semanas de moda, algumas grandes agências adoptam a postura de que centenas de novatos podem ser “jogados contra a parede para ver se grudam”. 

Segundo ela, os jovens da Europa Oriental costumam ser os mais vulneráveis. Os país ficam felizes em manda-los para o exterior, acreditando que é a “grande chance” da vida deles, e não fazem perguntas suficientes. 

Os próprios jovens não tem experiência para gerenciar as suas próprias financas ou carreira. ”Acreditamos que temos a responsabilidade de educar os modelos desde o primeiro dia, independentemente de terem sido descobertos na Sibéria, na África ou em Londres”. afirma Kinnear-Derungs. 

Candice (nome fictício) é umamodelo francesa de ascendência africana. Ela conta que, quando começou, não tinha ideia que seria cobrada por viagens e outras despesas. 

“Quando você consegue o seu primeiro trabalho, você percebe que não era de graça. ”

‘“Você pergunta sobre o pagamento, e eles dizem “você não vai receber dinheiro porque está endividada. Ai, você entende. - diz

Segundo ela, mesmo que agências estejam, em última análise, arcando com o risco financeiro, há uma pressão psicológica sobre os modelos.

 

Jovens e vulneráveis 

Esther Kinnear-Derungs é cofundadora da Linden Straub, uma pequena agência criada há três anos em Londres, para encontrar formas pioneiras de tratar melhor os modelos. 

LIVE COM SHOW E GLAMOUR

20ª edição do Huila Fashion Week teve como tema “Fashion For Live” (Moda Pela Vida), um tema bem pertinente por causa da actual circunstância que o mundo está a atravessar, do Covid 19 que assombra todos nós. Mas, apesar dessa pandemia, o Huíla Fashion teve o glamour, o requinte e sofisticação que lhe são habituais. Contou com uma passarela de 18 metros de comprimento e 3 de largura, com uma super produção como se fosse receber os mil convidados que lhe são habituais. Só que não teve nem um convidado, apenas as equipas de produção da Victoria Models, que produz o evento, da TPA e da Platina Line, e, obviamente, os manequins e estilistas cumprindo sempre as medidas de biossegurança e o distanciamento social impostas pelas autoridades da saúde.

‘“Esses vinte anos do Huila Fashion foram épicos porque o primeiro evento de moda em formato de Live em Angola, totalmente virtual e pela primeira vez fora de sua terra natal e sem um único convidado mas, com uma produção brutal como se fosse receber as centenas de convidados que é característico”. - comentou a empresária e consultora de imagem, Victoria Garcia.

O Huíla Fashion teve a participação de marcas e estilistas do melhor que existe no nosso metiê: Ana Loyde, Soraya da Piedade, Jofre Cardoso, Sakola Mwambas, Sol da Savana e as boutiques Dores Well e Arrazus.

Contou ainda com apresentações brilhantes dos cantores e músicos Alaim Iglesias, que abriu o show ao som do seu Violoncelo, Ary, Sanguito, Euclides Dalomba e Nabuco Fernandes que nitidamente estava inspirado tocando enquanto as manequins  desfilavam ao som do seu sax num mix de afro-house executado pelo Dj Ricardo Alves. Os manequins deram um show à parte. De realçar a performance da modelo Imanni da Silva que teve a primazia de abrir e fechar está vigésima edição do Huíla Fashion.

Feliz estava Victoria Garcia  por ter a sensação do dever cumprido. De realçar que o evento foi com o carís filantrópico, com o objectivo de se angariarem fundos para o Lar Providência Divina, no Hóquei, município da Huila, da Irmã Donata. 

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