DESPORTO

 
27 de November 2020 - às 17:55

COMEÇOU A "CAÇA" AO VOTO NA FAF QUATRO 'GALOS' PARA APENAS UM 'POLEIRO'

Dos anteriores seis candidatos, seguem para a discussão nas urnas pelo 'cadeirão' máximo da Federação Angolana de Futebol (FAF) apenas quatro. Albina Guilhermina Luísa e Norberto de Castro foram afastados da corrida, por irregularidades

 

A disputa pelo 'cadeirão' máximo da Federação Angolana de Futebol (FAF) promete ser intensa. As eleições estão agendadas para dia 14 de Novembro próximo e os candidatos esmeram-se em campanhas eleitorais, para convencer o eleitorado, cada vez mais exigente.

Desde a marcação do acto eleitoral, feito em Assembleia Geral, até ao actual momento, vésperas da ida às urnas, o processo que visa a eleição do futuro presidente da FAF, tendo em vista o ciclo olímpico 2020-2024 tem sido marcado por alguns factos dignos de registo.

Naquela que é a mais concorrida eleições de que temos memória no órgão reitor do futebol do país, salta a vista o facto de a Comissão Eleitoral (CE) ter 'chumbado' dois candidatos, por irregularidades.

A lista da candidata Albina Guilhermina Luísa, antiga administradora do Distrito Urbano do Kilamba Kiaxi e vice-presidente cessante, cabeça de lista do ex-candidato Dino Paulo, viu gorado o sonho de alcançar a direcção da FAF, por falta de registos criminais em mais de quatro processos.

A CE aludiu como instrumento jurídico o regulamento eleitoral, no seu artigo 30º, com o título Fundamentos para Rejeição das Listas. Na alínea g), esclarece que a ausência de qualquer documento referido no artigo 24º do Regulamento Eleitoral serve de fundamento legal para a rejeição da lista.

As listas foram abertas sob o olhar atento do presidente da Comissão Eleitoral, Gilberto Magalhães, do secretário Domingos Torres “Didi” e da escrutinadora Olinda França, bem como na presença dos mandatários dos candidatos à presidência da FAF.  

Depois, foi a vez do candidato Norberto de Castro ver cair por terra todas as aspirações de se tornar, pela primeira vez, presidente da FAF. A CE considerou de  inelegível a lista do 'boss' da escola de formação com o seu nome, tendo sido também ele  afastado da corrida à liderança da federação.

A decisão teve como fundamento um documento proveniente da FAF, no qual o citado manifesta indisponibilidade de continuar a fazer parte do quadro federativo, eleito em finais de 2016. Ou seja, o facto de Norberto de Castro ter renunciado ao cargo de vice-presidente no elenco de Artur Almeida.

Em carta endereçada ao órgão reitor, datada de 16 de Janeiro de 2017, o dono do complexo desportivo e escolar “Norberto de Castro” declarou não se rever naquele elenco, liderado por Artur de Almeida e Silva, por sentir-se marginalizado.

“Demito-me da sua equipa de direcção da FAF, com efeito a partir de hoje, e não me arrependo do contributo que dei para que o triunfo da lista fosse possível”, lê-se.

De acordo com o estipulado na lei das associações desportivas, o membro que tenha formalizado o pedido de demissão de uma equipa de trabalho fica impedido de concorrer nas eleições seguintes. Apesar de ter recorrido, Norberto de Castro não teve sucesso.

De igual modo, Norberto de Castro entrou com um pedido de impugnação junto a Comissão Eleitoral contra Artur de Almeida e Silva, pelo facto de constar no seu elenco, o ex-director Provincial dos Desportos do Huambo, Bernardo Suca, que havia sido condenado a quatro anos de cadeia efectiva por crime de peculato, no exercício das suas funções. A CE julgou o pedido de improcedente.

Posto isto, a CE declarou elegível apenas as lista -A, de Nando Jordão, (B) de Artur Almeida e Silva, (C) de António Gomes “Tony Estraga” e (D) de José Alberto Macaia. Deste quarteto sairá o futuro presidente da FAF.

A campanha eleitoral em curso decorre até princípios de Novembro, vésperas das eleições. Durante este período, os quatro candidatos esmeram-se em campanha eleitoral de 'caça' ao voto por todo o país.

Artur Almeida e Silva, José Macaia e Tony Estraga deram início as suas campanhas em Luanda, enquanto Nando Jordão fê-lo em Benguela.

A FAF teve como primeiro presidente de direcção Eduardo Santos, que presidiu de 1979 a 1984. Seguiram-se Luís Gomes dos Santos (1984/1990) e José António Fernandes (1990/1991).

O primeiro presidente eleito por via do exercício democrático foi Armando Machado (1992/1999), tendo sido rendido por Justino Fernandes. O antigo defesa do ASA ficou no órgão de 1999 a 2004 e 2004/2011, substituído por Pedro Neto em eleições extraordinárias. Neto liderou a FAF de 2011 a 2016. 

 

APOIO FINANCEIRO  

CLUBES JÁ SONHAM COM OS MILHÕES DA FIFA

Dois meses depois desde o anúncio em Agosto feito pela Federação de Futebol (FAF), sobre a recepção da quantia de um milhão de dólares norte-americanos proveniente da Federação Internacional de Futebol (FIFA), os clubes, associações ainda aguardam pela transferência do dinheiro para as suas contas bancárias.

A quantia cedida pela FIFA com objectivo de para o desenvolvimento da modalidade, do sector feminino e mitigar os efeitos da Covid-19, será repartida entre os filiados,  através de uma instituição bancária, em dólares.

Além da verba do órgão reitor do futebol mundial, a FAF aguarda ainda pelos USD 300 mil a serem atribuídos pela Confederação Africana (CAF), ainda este ano, igualmente para mitigar os efeitos da pandemia, além dos USD 500 mil da FIFA, a partir de Janeiro de 2021.

Recentemente, a federação divulgou o cronograma de distribuição destes valores, num total de USD 1,8 milhão, que deverá abranger o futebol feminino (500 mil dólares americanos), associações provinciais (216 mil dólares), clubes da primeira divisão que vão disputar a época 2020/21 (256 mil dólares) e clubes da segunda divisão (90 mil dólares).

Seguem-se as selecções nacionais masculinas (235 mil dólares), outros clubes e escolas de formação (248 mil dólares), fundo de arbitragem para o Girabola2020/21 (140 mil dólares) e futebol de salão (cinco mil dólares).

O plano de distribuição abrange ainda os campeonatos nacionais de juniores e de juvenis (40 mil dólares), futebol de praia (dois mil dólares), equipamentos de biossegurança e meios técnicos (37 mil dólares).

A FAF terá de justificar junto da FIFA, mediante documentação dos beneficiários, a forma como foram gastos os valores desta primeira dotação, sob risco de não receber a última tranche.

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