POLÍTICA

 
23 de maio 2018 - às 08:41

CIMEIRA DA SADC, EM LUANDA, DECIDE: MANDATO DA MISSÃO MILITAR NO LESHOTO CONTINUA

O mandato da missão de prevenção da  Comunidade de Desenvolvimento da África Austral  no  Leshoto foi alargado, segundo decisão  tomada no final da Cimeira dos Chefes de Estado e de Governo da Dupla Troika da SADC, que, entre outros, passou em revista a situação política prevalecente naquele reino, na RDC e na República do Madagáscar

 

A cimeira da dupla Troika analisou a actual situação político-militar da RDC, com particular realce à preparação das eleições de 23 de Dezembro próximo, e a do Lesotho, onde decorrem reformas no sistema constitucional, bem como a consolidação do processo democrático na região austral.

Integram o órgão de Defesa e Segurança da organização regional, Angola, a Zâmbia, a Tanzânia, a África do Sul, o Reino dos Suazis - eswatine (Ex-Suazilândia) e a Namíbia. A dupla Troika da SADC é composta por Angola (presidente), Zâmbia e a Tanzânia, que têm as suas tropas na missão  composta por 217 militares,  dos quais 162 são angolanos.

De acordo com o Comunicado Final referenciado pela Angop, a Cimeira de Luanda saudou os Estados-membros que contribuíram com pessoal e equipamento para a SAPMIL e enalteceu todo o seu efectivo pelo profissionalismo e empenho demonstrados no desempenho das suas funções. "Os partidos políticos e partes interessantes no Reino do Lesotho foram exortados a conferir a seriedade necessária ao diálogo nacional e aos processos de reforma, de modo a encontrarem soluções duradoiras para os desafios políticos e no domínio da segurança enfrentados naquele país encravado na África do Sul", afirma a fonte.

O encontro também aprovou  a nomeação de uma personalidade de renome para apoiar o presidente em exercício da SADC, Cyril Ramaphosa, na sua função de facilitador da organização regional no Reino do Lesoto. Já em  relação à situação na República Democrática do Congo (RDC), a Cimeira dos Chefes de Estado e de Governo da Dupla Troika da SADC registou o progresso feito na execução do Acordo Político de Dezembro de 2016 e na implementação do calendário eleitoral rumo à realização das eleições agendadas para 23 de Dezembro de 2018, saudando os intervenientes políticos e a Comissão Eleitoral Independente (CENI), pelo progresso feito.

No  decorrer da cimeira, apelou-se aos intervenientes no processo de paz naquele país para que continuem empenhados na implementação do calendário eleitoral e garantirem a manutenção de um ambiente propício para a realização de eleições credíveis e pacíficas.

Motivo de destaque nesta reunião de Luanda foi o facto de se ter aprovado como Enviado Especial da SADC ao Madagáscar, o antigo Presidente de Moçambique, Joaquim Chissano, com vista a facilitar a realização do diálogo nacional, desanuviar as tensões políticas e viabilizar o alcance de consenso sobre o processo eleitoral.    

Os Chefes de Estado e de Governo da Dupla Troika da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) condenaram a perda de vidas humanas e a destruição de bens em Madagáscar, exortando o Governo, os partidos políticos e cidadãos em geral a pautarem pela calma, agirem com contenção e tomarem medidas para evitarem a escalada de tensões políticas e ameaças à segurança.

A Cimeira aprovou ainda o mandato ao Presidente do Órgão de Cooperação nas áreas de Política, Defesa e Segurança, João Lourenço, para manter contactos com a União Africana e Nações Unidas com a finalidade de desenvolver uma abordagem comum de apoio naquele país. A Cimeira de Luanda foi co-presidida pelo Presidente em exercício da Organização Regional, Cyril Ramaphosa, e pelo Presidente do Órgão de Defesa e Segurança da SADC, João Lourenço. 

 

MILITARES ANGOLANOS EM MISSÃO NO LESHOTO

ANGOLA PRONTA A CUMPRIR A SUA PARTE

 

"Angola está pronta para cumprir com a sua parte relativamente à possível extensão da Missão da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) para o Reino do Lesotho (SAPMIL), caso tal determinação seja aprovada superiormente". Esta afirmação foi feita  em Maseru, capital do Lesotho, pelo chefe da Direcção Principal de Preparação de Tropas e Ensino do Estado-Maior General das Forças Armadas Angolanas (FAA), general Adriano Makevela Mackenzie,  dias antes da realização da Cimeira dos Chefes de Estado e de Governo da Dupla Troika da SADC, na capital angolana

 

De acordo com o general Mackenzie, a possibilidade da extensão da permanência das tropas no Reino do Lesotho, no quadro da SAPMIL, depende de um pedido das autoridades do próprio país e da aprovação por parte dos órgãos da SADC, responsáveis pela entrega do mandato da missão. Citado pela Angop, disse que o estado de prontidão das tropas angolanas que cumprem a missão, no quadro da SAPMIL, é bastante positivo, na medida em que estão a contribuir para a estabilização no Reino do Lesotho, para orgulho da SADC, dos angolanos, dos zambianos, dos namibianos, entre outros membros da organização regional envolvidos.

Recorde-se que uma delegação das Forças Armadas Angolanas (FAA), chefiada pelo ex-chefe do Estado-Maior General, Geraldo Sachipengo Nunda, esteve em Maseru, em Abril, numa missão de constatação do estado das tropas estacionadas no Lesotho, no quadro da Missão de seis meses da SADC para este país, liderada por Angola no âmbito da presidência rotativa do Órgão de Defesa e Segurança da organização regional.

O Reino do Lesotho é um país membro da SADC que se encontra em crise política, agravada pelo assassinato, por subordinados, de dois chefes das suas forças armadas em 2015 e 2017, o que levou as autoridades a solicitarem uma intervenção da organização regional que desdobrou, em Dezembro último, um contingente de 269 membros, entre militares, polícias e peritos de inteligência e civis, com vista a ajudar a estabilizar o país.

A Angop dá conta que, decorridos cerca de seis meses para o termo da missão, as autoridades do Lesotho manifestam o interesse de ver o mandato da SAPMIL prorrogado, alegando atrasos na criação de condições para a implementação do pacote de reformas globais recomendadas pela SADC, com vista a restaurar a paz e a estabilidade no país.

 

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