REPORTAGEM

 
24 de abril 2015 - às 12:57

CHUVAS NO PAÍS O PAÍS SENTIU E O POVO SOFREU

Hoje já se sabe que os efeitos das chuvas foram piores comparativamente ao que sucedeu nos anos anteriores, quer em Benguela, como no Uíje, Malanje, Lundas,Luanda ou noutras parcelas do território.

 

De tudo quanto se disse sobre as cargas pluviométricas registadas em todo o país, várias lições  foram tiradas e , ao que parece, poucos terão sido os gestores da coisa pública que foram varridos dos seus cargos, quer seja por incompetência, quer seja por total irresponsabilidade ou mesmo por falta de sensibilidade humana para com aqueles, que, em princípio deviam servir.
Neste ano, os efeitos das chuvas deram sinais evidentes de que andou-se o tempo todo a fazer gastos do Orçamento Geral do Estado com obras que nada tinham a ver com a necessidade de se proteger quem na periferia das capitais provinciais mais sofre, exactamente ali onde as autoridades do Estado deviam prestar maior atenção; deu-se primazia à continuidade apertada de alguns projectos milionários nas zonas de elite, mostrou-se, uma vez mais, que para os iluminados do costume, vale sempre a pena mostrar um postal decente das cidades asfaltadas ao mundo restrito dos investidores estrangeiros, convidados de primeira estação para serem cada vez mais milionários do que gastar nas valas de drenagem sem escape das águas, nos esgotos, nos canais, nas vias secundárias e terciárias, na transformação dos casebres em casas normais para se viver, nas escolas a cair aos bocados, postos de saúde sem tectos seguros, enfim, investir exactamente onde a maioria de uma população entregue nas mãos de Deus.
O que falar da tragédia do Lobito, uma cidade que por longos anos continuará a ser o retrato vivo, pintado com as cores mais lúgubres que se possa imaginar?Quase nada.Mas fica marcado na memória colectiva dos angolanos o testemunho de mulheres,crianças, jovens e velhos sobreviventes que viram com os seus próprios olhos o quanto foi péssima a gestão administrativa de uma das cidades mais ricas do país. Em vez de se continuar a falar insistentemente nas receitas milionárias que o seu porto produz anualmente para o Orçamento Geral do Estado, falou-se da morte de mais de setenta pessoas, na construção atabalhoada de mais um centro de  acolhimento de centenas de famílias, nos pedidos de socorro para todo um país que se uniu à volta de uma parcela do território que, de repente, transformou-se num postal sinistro para a história escriturar com dor e luto.
Não será fácil levantar de novo, caminhar e erguer a cabeça para se olhar o Lobito sem essa mágoa  deixada não apenas pela força da natureza, mas também de alguns “responsáveis” agora certamente entregues à sorte de um julgamento da plebe que, na hora do balanço, certamente ditará a sua sentença noutras urnas, que não as das dezenas que levaram para outro mundo muitos filhos de Benguela.
Ainda reza-se, pede-se a Deus que intervenha, mande parar os ventos, as chuvas, as catástrofes, mas não se exige para que se pare a dança à volta dos cofres do Estado mergulhado numa crise de valores éticos, patrióticos e morais para capitalizar todos os homens de bem que o país tem, no sentido de continuarem a trabalhar com dignidade ao serviço de quem mais sofre.
Hoje já se sabe que os efeitos das chuvas foram piores comparativamente ao que sucedeu nos anos anteriores, quer em Benguela, como no Uíje, Malanje, Lundas,Luanda ou noutras parcelas do território. Na maior parte das vezes, o Instituto Nacional de Meteorologia (INAMET) falhou clamorosamente nas suas previsões.Mas disto S.Pedro conhece e dribla quando bem lhe apetece.
O Santo “fiscalizou” as obras, visitou cidades, vilas e aldeias e encontrou ,pela milionésima vez, Luanda, a capital deste país santo, completamente nua e descalça;atarantada e vulnerável para um teste, cujo resultado é sempre o mesmo:estremece ao primeiro sinal de chuvas e ventos,e, a sua governação caminha entre os  chuviscos do conformismo e da incompetência para prevenir os piores males que as intempéries podem causar: a morte, o desamparo e a vontade de milhares de concidadãos fugir , o mais longe possível para lugares mais seguros. 

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