REPORTAGEM

 
24 de abril 2015 - às 12:59

CHUVAS CASTIGAM E FISCALIZAM OS TERRÁQUEOS

O tribunal supremo do Senhor Lá de Cima sentenciou e S.Pedro, como sempre, cumpriu  rigorosamente a ordem: chuva quanto baste! Sorte  para alguns e azar para outros, a verdade é que o país apanhou  uma das mais fortes pancadas pluviométricas registadas e o resultado é tragédia. Quem esteve no Lobito sentiu e viveu os momentos trágicos de uma cidade que estará eternamente envolta em luto. Foi uma grande tragédia que deixou um incalculável número de desalojados e matou mais de setenta pessoas, a maior parte das quais crianças.

 

“O Instituto Nacional de Meteorologia e Geofísica (INAMET) prevê, para as próximas 24 horas para a região Norte do país, aguaceiro ou chuva fraca e moderada acompanhada, por vezes, de trovoadas nas províncias do Uíge, Malanje, Lunda Norte e Lunda Sul, bem como chuvas fracas ou chuviscos em Cabinda, Zaire, Bengo, Luanda, Cuanza Norte e Cuanza Sul. Ainda para mesma área, céu nublado com períodos de pouco nublado pela madrugada e manhã, com  neblina ou nevoeiro matinal nas províncias do Zaire e Uíge”, lia-se num relatório  da instituição, um  dia antes da tragédia.De Benguela e Lobito nada se falou e se previu…
Na manhã de 12 de Março, a  Província de Benguela acordou chocada. Na  sua zona litoral, a cidade do  Lobito apresentaria um postal de morte.Os Serviços Operacionais da Protecção Civil e voluntários das Forças Armadas Angolanas (FAA), fizeram-se presentes, mas ... pouco ou quase nada poderiam fazer. Inércia, falta de meios e de uma gestão administrativa competente e responsável se sentiu e as pessoas morreram.
No rescaldo, foi um grande filme, salvando-se, como sempre, a figura do  Chefe do Executivo, José Eduardo dos Santos que nomeou, de emergência, uma comissão multi-sectorial coordenada pelo ministro da Administração do Território, Bornito de Sousa, integrando os titulares do Interior, Saúde e Assistência e Reinserção Social, respectivamente Ângelo da Veiga, José Van-Dúnem e João Baptista Kussumua, que consolaram as autoridades da província e familiares das vítimas com as quais mantiveram um encontro específico.
Dados da imprensa privada, salientaram que tal  comissão “foi dotada de uma verba de 100 milhões de Kwanzas para ajudar as autoridades locais no atendimento às situações de emergência surgidas com as chuvas torrenciais, trabalhou com o governo da província e as autoridades administrativas do Lobito, (…) bem como os familiares dos perecidos, aos quais transmitiu as condolências e sentimento de pesar do Presidente da República.  
Um jornal local –o Chela Press- normalmente entendido como uma espécie de  fiscal da região , afirma num dos seus artigos de “martelo” que “como consequências materiais, registou-se o desabamento de 119 casas (69 no Lobito e 50 na Catumbela), 46 outras ficaram sem tecto na Catumbela e 25 no Lobito, além de 10 escolas inundadas, duas igrejas (uma Metodista e outra Pentecostal) destruídas, empreendimentos económicos momentâneamente desactivados.
O jornal de Angola, tido como “porta-voz do governo”, não teve dúvidas: o governo central responsabilizou a administração do Lobito .
As makas continuam até hoje. O governador provincial de Benguela, Isaac dos Anjos confirmou  “a falência administrativa e operacional”, falta de limpeza e de manutenção dos canais das águas pluviais como os factores que estiveram na base das enxurradas, principalmente nos bairros do Liro e da Luz, na cidade do Lobito. “Temos que assumir a responsabilidade por estes males e intervir no sentido de corrigir e monitorar de modo diferente”, afirmou o governador, para quem “os bairros periféricos são tão importantes quanto a zona asfaltada, daí que não podem ser esquecidas”, refere.
No meio de uma tragédia, houve  manifestações de pesar num cenário trágico.O país normal parou, sentiu e esperou que houvesse Luto Nacional. Debalde! Choveram, sim, manifestações que naquela  altura do campeonato nada valeram porque nada se prevê em termos de tragédias nesse país.
Na Lunda Sul, a governadora provincial Cândida Narciso aconselhou a população a evitar construir em zonas identificadas como de riscos, por forma a se prevenir contra calamidades naturais.
 Cândida Narciso disse ser necessário que a população preste maior atenção na escolha dos locais para construção de residências por forma a se evitar eventuais mortes e desabamento de casas motivadas por vários fenómenos naturais. Acrescentou que o triste episodio que aconteceu na província da Benguela deve servir de alerta para todos aqueles que insistem em construir em áreas não autorizadas pelo Governo.
“ A construção de residências em zonas de risco  bem como ao longo das ravinas e valas de drenagem, representa uma ameaça para a vida da população, pois que os terrenos nessas áreas não estão preparados para receber grandes edificações, uma vez que podem ceder facilmente em caso de erosões e precipitações principalmente em época chuvosa”, alertou.
Na Lunda Norte, mais de 50 famílias ficaram desabrigadas e registaram-se mortes.
Em função do registo de verdadeiros dramas familiares, até o Papa Francisco, líder da Igreja Católica, solidarizou-se com as vítimas da tragédia causada pelas chuvas no município do Lobito (província de Benguela).
 “A solidariedade do Santo Padre foi manifestada numa mensagem dirigida ao bispado da diocese de Benguela através da Nunciatura Apostólica de Angola”, salienta a imprensa .
De acordo com a mensagem, o Bispo de Roma deseja e assegura às vítimas a misericórdia de Deus, suplica o conforto e apoio para as suas famílias. A nota deseja bênçãos às pessoas que participaram na obra de socorro e assistência.O Papa reiterou à diocese de Benguela e às famílias enlutadas votos de paz e bem-estar.

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