REPORTAGEM

 
28 de julho 2016 - às 08:05

CEM MIL TONELADAS NO INÍCIO DA CORRIDA PRODUÇÃO DE SAL PRESSIONA CFB

Chamume, comuna situada a dezassete quilómetros da vila piscatória da Baía Farta, recebeu um empreendimento que deverá contribuir para uma produção anual a roçar as necessidades do mercado angolano. As salinas Calombo, agora com laboratórios, central de cargas, transportadores e sala de formação, numa extensão de 300 hectares, têm no caminho-de-ferro o veículo para o escoamento do sal produzido 

 

Um investimento de dez milhões de dólares norte-americanos, sem recurso à banca, proporcionou ao Município da Baía Farta, Província de Benguela, uma central de processamento industrial de sal marinho, projectado para 180 mil toneladas/ano a partir de 2018, antes do início das exportações. 

Por ora, o empreendimento, uma espécie de antecâmara para a almejada ‘Cidade do Sal’, tem instalada uma capacidade de 100 mil toneladas, o dobro do que se produz actualmente em Angola. 

Trata-se, como se sabe, de uma iniciativa do Grupo Adérito Areias (GAA), que espera um Caminho-de-ferro de Benguela à altura dos desafios do amanhã, resumidos na oferta à República Democrática do Congo. 

O empresário Adérito Areias, presidente do Conselho de Administração do GAA, admite contar com uma linha de crédito na hora do passo seguinte, uma vez que os recursos próprios ficaram nesta central de processamento industrial, que criou cinco mil postos de trabalho. ‘’Com a via-férrea concluída, podemos exportar para países vizinhos’’, reafirma, convicto numa flexibilidade da banca a favor da diversificação da economia. 

Dias antes, também com o CFB no horizonte, já o empresário Manuel Rodrigues, membro da Associação dos Produtores de Sal de Angola (APROSAL), dizia que Benguela tem potencial para chegar a setecentas mil toneladas. ‘’Existe água, terrenos e um bom clima. Portanto, só a nossa província pode produzir as 250 mil toneladas/ano que o país necessita, havendo excedente para exportar’’, refere. 

Já a ministra das Pescas, Vitória de Barros Neto, satisfeita depois de ter inaugurado uma ‘’infra-estrutura moderna’’, lembrou que o Governo angolano aprovou várias medidas anti-crise, para as quais são chamados sectores da economia real. 

A governante fala de uma unidade capaz de processar e empacotar sal de alta qualidade, com requisitos para a competitividade que se exige além fronteiras. 

Acrescenta que Benguela, província que vem contribuindo com quase 30 mil toneladas por ano, apresenta uma indústria salineira em desenvolvimento, reforçada com uma unidade que vai garantir receitas por via da tributação. ‘’Queremos que os nossos industriais passem a declarar toda a produção, queremos informações mais realistas, já que, apesar de tudo, continuamos a gastar muito com a importação’’, adverte. 

 

O melhor está para vir - À futura ‘Cidade do Sal’, erguida mediante um programa de ampliação de várias salinas, o Governo de Benguela quer juntar uma zona habitacional dotada de serviços nos domínios da agricultura, turismo, pecuária e outros ramos de actividade. 

O projecto, denominado "Benguela Costa Nova", abarca uma área de 22 mil 600 hectares, com sessenta e nove lotes, onde serão colocadas infra-estruturas para água, energia e estradas. 

Na apresentação, o governador provincial, Isaac dos Anjos, apontou como destaque o desenvolvimento da agricultura por via da água do mar, paralelamente à aquicultura. Ao Estado, tal como anunciou, caberá trabalhar na infra-estruturação, ficando o investimento na parte produtiva a cargo de operadores privados. ‘’Devemos pensar que é possível, não é propriamente uma inovação, falamos de uma experiência de outros países’’, sublinhou, antes de ter valorizado a criação de 600 empregos directos e mil e quinhentos indirectos. 

Isaac dos Anjos acredita que os casebres localizados ao longo desta cadeia de serviços venham a ser transformados em núcleos habitacionais ordenados, a base para o surgimento de comunidades sustentáveis. 

Até ao dia em que o governador provincial procedia à apresentação do projecto, tinham sido concedidos já catorze espaços.  

 

Das salinas aos carris, um percurso adiado - Já a exportar, por estrada, sardinha congelada para a Zâmbia, numa fase experimental que se quer consolidada nos próximos tempos, o Grupo Adérito Areias volta, pois, a olhar para o CFB, empresa à espera dos ramais para a conexão a países vizinhos. 

Apesar das várias inaugurações, sendo a mais notória a que levou ao Moxico o Presidente da República, José Eduardo dos Santos, ainda decorrem obras, conforme, aliás, admitiu o presidente do Conselho de Administração. 

De olhos na transportação do minério da Zâmbia e da RDC, José Carlos Gomes esperava ter concluído o trabalho em falta até Junho passado. Há pouca informação disponível em relação aos ramais, qualquer coisa como 300 quilómetros de linha, mas não restam dúvidas de que a empreitada tem sido marcada por vários adiamentos. 

Carlos Gomes, um responsável optimista quanto aos meios rolantes que chegarão, ainda este ano, da General Electric, vem reiterando que a recuperação dos largos milhões investidos na reabilitação e modernização não será com a transportação de passageiros. ‘’Cobramos 1.300 Kwanzas por pessoa para uma viagem de Benguela ao Huambo. Desta forma, como se observa, não criamos riqueza, daí que pretendamos começar já a transportar o cobre’’, defende. 

Enquanto isso, os comboios, mais rápidos e menos onerosos, vêem fugir o negócio das 30 toneladas de sardinha que saem todas as semanas de Benguela para a localidade zambiana de Kitwé, num percurso acima de dois mil quilómetros, contra os 1.600 de linha férrea. 

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