PONTO DE ORDEM

 
26 de novembro 2019 - às 08:44

CATÁSTROFE PREVISÍVEL

 

A catástrofe que se regista  na região sul do país, devido à seca, destapou uma enorme mancha no sistema de prevenção,gestão e  minimização das suas terríveis consequências.Ao longo de mais de quarenta anos sempre se tentou esconder o rasto de tristeza, frustrações e de resignação das populações das terras mais afastadas dos centros de decisão do país. Ano após ano, sempre se reportou que o combate à seca era uma realidade; desenharam-se programas mil do governo, apoiados por instituições de caridade internacionais, mas, desde sempre, a fome e a sede chegava para matar centenas de pessoas e milhares de cabeças de gado.

O problema da seca e as suas consequências foi sempre  previsível;o que ficava por se saber era o número de pessoas directa ou indirectamente afectadas.Hoje, dada a velocidade e agressividade positiva das informações, os dados catastróficos são continuamente publicados e, paralelamente,  todo o governo é  melhor escrutinado. Acompanha-se a par e passo todas as medidas tomadas pelo executivo, no sentido de se minimizar os estragos da seca na região sul do país. Avalia-se com maior abertura e transparência o que se vai fazendo para que, já  este ano, se altere o quadro de morte, miséria e migrações de populações e animais à procura de locais ideiais para sobreviverem à essa saga terrível.

Nota-se que o esforço do Governo é notável, mas, nada impede que a chuva de críticas sacuda da letargia alguns dos seus  membros. Parte deles, já incorporou as admnistrações de triste memória. Esta não fez o necessário para que quem herdasse o bastão do poder estivesse mais confortável para minimizar os estragos do fenómeno que, infelizmente, ainda atinge severamente as populações do Cunene, do Namibe, da Huíla e do Kuando Kubango, apesar da chegada de milhares de toneladas de alimentos e outros produtos não perecíveis àquelas regiões.

Deve-se notar que o Governo está a ser  pressionado por grande parte da oposição, no sentido de declarar o estado de Emergência.Não o fez, provavelmente porque acha que é possível implementar todos os planos arquitectados ao mais alto nível, a fim de, no terreno, e com os seus próprios recursos materiais, humanos e financeiros, inverter o quadro.

De facto, desde o início da estiagem severa, este executivo armou-se com tudo o que era possível para encarar o problema de frente. O seu líder desembarcou nos locais mais necessitados de ajudas de emergência e fez mover uma máquina de execução urgente de um programa de combate à seca jamais vista. Na verdade, este governo tem de corrigir o que foi mal feito durante o tempo da outra liderança, pois o país tem uma das maiores bacias hidrográficas de África; mas faltam sistemas de irrigação adequados, milhares de furos, chimpacas,e, sobretudo, a criação de melhores condições para, finalmente, o país ter uma reserva alimentar, sem recurso às importações.

A Natureza é madrasta, mas há que se fazer tudo o que for possível para que não voltemos a nos confrontar com esta catástrofe. Neste contexto, seria também urgente que se pensasse na criação de um fundo específico para acudir este tipo de fenómenos naturais cíclicos, pois, se não se der continuidade e preservar o que de bom o governo fez ou está a fazer,no próximo ano por esta altura estaremos a falar exactamente da mesma vergonha. 

A boa notícia é que o Executivo angolano, dirigido pelo Presidente João Lourenço,  já disponibilizou 200 milhões de dólares (cerca de 174 milhões de euros), para a construção de três barragens no rio Cunene, e outras duas no rio Cuvelai, nas zonas do Caluncuve e do Ndue, para  regular a distribuição de água em várias zonas da província do Cunene, a região do país mais afectada pela seca. Todavia, a conclusão destes empreendimentos, de acordo com o Instituto Nacional dos Recursos Hídricos, vai durar 40 meses.Por isso, há que tomar medidas parcelares mais urgentes, no sentido de minimizar os efeitos desta verdadeira catástrofe. Mãos à obra! 

 

Victor Aleixo
victoraleixo12@gmail.com

Copyright © Figuras & Negócios - Todos os direitos reservados strong>

Contato
Home
Acervo Digital