PAÍS

 
8 de maio 2018 - às 11:27

CARLOS SATURNINO ATACA EX-PCA DA SONANGOL ACUSAÇÕES SÉRIAS PROVOCAM "GUERRA"

A denúncia pública de desvios de fundos na Sonangol  feita pelo actual presidente do Conselho de Administração, Carlos Saturnino, contra a empresária Isabel dos Santos, na altura em que durante dezoito meses esta também exercia tal cargo, continua a fazer furor nos mais variados cenários económico-financeiros e sociais do país; na ordem do dia, começa-se já a conjecturar sobre os prováveis resultados do inquérito instaurado pela Procuradoria Geral da República (PGR) e  qual dos dois sairá  mais chamuscado desta embrulhada gravíssima para a imagem da maior empresa pública do país

 

Durante uma conferência de imprensa convocada no quadro das comemorações de mais um aniversário da empresa, Carlos Saturnino não se coibiu em fazer um "relato" dramático sobre a situação financeira actual da petrolífera angolana e, praticamente "desenterrou o machado" de uma guerra que, na certa, vai durar longos e infelizes anos entre os dois últimos "patrões" da Sonangol.

As acusações , ao que tudo indica, mais cedo do que tarde, poderá mesmo passar pelos tribunais competentes, uma vez que a PGR, de imediato entrou em cena para tomar conta do caso, através da renovada Direcção Nacional de Prevenção e Combate à Corrupção, cujos quadros, hoje por hoje, têm demonstrado um elevado grau de profissionalismo e sentido patriótico, não olhando caras e apelidos quando se trata de puxar a carroça da justiça para frente e antes de tudo e o resto.

Note-se que  Carlos Saturnino revelou  que a antiga administração, mesmo depois de já ter sido exonerada, havia transferido 38 milhões de dólares para a empresa Matter Business Solution, com sede no Dubai.Tal revelação/denúncia pública constituiu uma "bomba" que terá seguramente fortes efeitos retardatários em alguns pilares erguidos pelo anterior governo, no sentido de impedir, custasse o que custasse, que um escândalo surgisse e queimasse ainda mais a imagem da até então empresa-mãe e dona do destino económico e financeiro do país.

O  gestor  fez outras revelações não menos graves contra Isabel dos Santos, que segundo ele, sob sua administração,gastou, entre Maio de 2016 e Novembro de 2017, cerca de 135 milhões de dólares com os serviços de consultoria. Uma soma que Carlos Saturnino considerou ser excessiva para os cofres da empresa e que o mesmo montante inviabilizou a realização de projectos de investimento da concessionária.

Para a história da Sonangol, resta um diagnóstico feito pela actual gestão, onde  detalha a “má gestão do antigo conselho de administração da Sonangol”,os “conflitos de interesses com as empresas de consultoria, cujos accionistas faziam parte do conselho de administração da empresa”.

Carlos Saturnino foi nomeado em Novembro de 2017, pelo Presidente da República, João Gonçalves Lourenço.Antes, tinha sido nomeado Secretário de Estado dos Petróleos, mas com a exoneração de Isabel dos Santos, este quadro antigo da empresa, asumiu o cargo de Presidente do Conselho de Administração da Sonangol, por onde já passaram imensos gestores, qualquer um deles com dívidas a saldar e problemas imensos de consciência.

Como era de esperar, o nome da concessionária nacional de hidrocarbonetos, ficou muito mal na galeria das empresas de tão grande importância no mundo dos negócios fabulosos dos petróleos, numa altura em que o país tenta a todo o custo livrar-se da grave crise financeira que o apoquenta há cerca de cinco anos, depois de viver o período mais fértil de crescimento económico jamais conseguido ao longo dos seus quarenta e dois anos de existência como Estado independente.

Isabel dos  Santos foi chamada a exercer o cargo de Presidente do Conselho de Administração da Sonangol, numa fase em que esta estava literalmente "de rastos", em consequência sobretudo da crise dos preços do petróleo no mercado internacional e, como se foi confirmando ao longo dos últimos anos, devido à má gestão das suas sucessivas administrações.

Durante a conferência de imprensa, o actual PCA "destapou" parte da panela onde  ao longo dos anos de fartura se  foi cozinhando um caldo pouco digestivo.Afirmou, por exemplo, que a nível dos recursos humanos, encontrou na empresa uma “situação caricata”, salientando que além da directora dos recursos humanos existiam duas outras directoras executivas também para a mesma área, com enquadramentos arbitrários na parte profissional e salarial. Neste contexto, exemplificou  que "o enquadramento salarial destas pessoas era superior a qualquer membro da comissão executiva de especialidade da Sonangol e superior a dos conselhos de administradores da empresa".

Entretanto, revelou igualmente que uma auditoria interna continua a decorrer para debelar as irregularidades encontradas e a fim de resgatar a imagem da Sonangol junto dos parceiros internacionais e mesmo à nível interno.Enfim, mais uma auditoria entre os vários diagnósticos que se foram fazendo na sequência da entrada de novas administrações, que provavelmente irá "torrar" mais umas boas centenas de milhares de dólares, pois, tal como no passado, não se abrem poços de petróleo de borla, muito menos as bolsas do Estado.Hoje mais do que nunca, convenhamos. 

 

EMPRESÁRIA DEFENDE-SE DAS ACUSAÇÕES 

ISABEL DOS SANTOS   NO CENTRO DO FURACÃO

“AS ACUSAÇÕES GRAVES E CALUNIOSAS SOBRE A MINHA ADMINISTRAÇÃO NA  SONANGOL NÃO VÃO FICAR IMPUNES”- AFIRMA

Para o bem e para o mal da nossa sociedade descrente, temos um gordo pacote de milionários, com  Isabel dos Santos a liderar com uma fortuna avaliada em 2,6 mil milhões de dólares. “Lamentavelmente” emagreceu uns vulgares  500 milhões de euros, um valor  inferior ao apurado no ano passado, segundo a lista da Forbes publicada em Março.

Com esta redução, a patriota mais rica do país desceu uns trezentos degraus na lista mais cobiçada do mundo, onde em 2017, ocupava a “mísera”  posição 630. Mas este ano, a fortuna de Isabel dos Santos é a 924.ª mais elevada do nosso Planeta, de acordo com a Forbes.

Todavia, hoje não é a riqueza “primitiva do capital” dos nossos mais de 500 milionários que o país pariu depois da independência, sob a bandeira, primeiro do socialismo científico, depois do capitalismo que vamos abordar.

Falemos de Isabel dos Santos, a “cara” mais  representativa  das mulheres ricas da região sub-sahariana africana na revista “Forbes”. Afinal, ultimamente ela é  mais notícia e alvo de comentários e análises de todos os gostos e feitios nas redes sociais. No meio das sucessivas exposições públicas  de notícias, surge pois aquela que até ao momento despoletou maior interesse e que mereceu a entrada em cena da Procuradoria Geral da República, que começou de imediato a investigar as acusações graves do PCA da Sonangol, Carlos Saturnino, contra a gestão de Isabel dos Santos, divulgadas durante uma conferência de imprensa , inicialmente convocada no âmbito das comemorações do aniversário da constituição da maior empresa pública do país, em fevereiro.

De lá para cá, Isabel dos Santos tem estado a surgir na imprensa nacional e internacional a “apagar” vários focos de incêndios, resultantes das referidas acusações. E não foram de pouca monta. Para lembrar; o substituto de Isabel dos Santos acusou a empresária de ter feito transferências monetárias alegadamente irregulares durante a sua liderança na petrolífera. 

Isabel dos Santos reagiu fortemente e prometeu processar Carlos Saturnino. O extenso comunicado de Isabel dos Santos foi depois reforçado com uma “defesa de honra” da empresária durante uma entrevista sua concedida à rádio privada MFM, que deve ter alcançado a maior audiência de sempre desde a sua criação recente. Mas o que diz o comunicado da bilionária angolana?

De acordo com Isabel dos Santos, as acusações graves e caluniosas sobre a sua administração na Sonangol “não vão ficar impunes”. 

Isabel dos Santos demonstrou no vasto documento “a sua total indignação com a forma como, sob o título de “Constatações/Factos”, “foram feitas acusações e insinuações graves, algumas das quais caluniosas, contra a minha honra e contra o trabalho sério, profissional e competente que a equipa do anterior Conselho de Administração desenvolveu ao longo de 18 meses”.

Para si, a conferência de imprensa concedida por Carlos Saturnino deixou de se concentrar naquilo que deveria ser o seu propósito, nomeadamente a análise da empresa, detalhar o plano de reestruturação da Sonangol e do sector, dando continuidade ao processo de transformação e reestruturação iniciado pelo anterior CA,  conforme instruído pelo Executivo.

Neste contexto, argumenta, afirmando no seu comunicado que, em vez disso, Carlos Saturnino lançou-se num ataque directo ao anterior Conselho, e à sua pessoa em particular, “com insinuações e acusações directas de desonestidade”, sublinhou.

 Dirigindo-se ao seu antagonista, prometeu que iria tomar todas as medidas, e encetar todas as providências legais, adequadas e necessárias à protecção do seu bom nome e defesa dos seus direitos.

 Quanto ao Programa de Reestruturação da Sonangol, a ex- patroa da  empresa  considera que as acusações e insinuações proferidas, “além de falsas, servem para atiçar um clima de instabilidade e desconfiança, que prejudica a Sonangol, e desvia as atenções daquilo que certamente é a preocupação fundamental”. 

E questionou: “qual é o futuro da empresa? E como reforçar a competitividade do sector petrolífero?”Porquê Carlos Saturnino fabrica estas mentiras e põem em causa as decisões tomadas pelo anterior Conselho de Administração e pelo Executivo?”.

Em sua opinião, “trata-se nada mais que um circo, uma encenação!” e de se estar a “procurar buscar um bode expiatório, para esconder o passado negro da Sonangol”, e “ fazer acusações ao anterior Conselho de Administração!”. 

Para Isabel dos Santos, tais acusações não passam de “uma manobra de diversão, para enganar o povo sobre quem realmente afundou a Sonangol”, afirma, assegurando que “não foi este Conselho de Administração que presidi, e que durou 18 meses que levou a Sonangol a falência!”

Depois de enumerar uma série de episódios do passado, benéficos ou prejudiciais à Sonangol, sob a liderança das anteriores administrações ( antes da sua), a empresária considera que a  manipulação dos factos ( protagonizada por Carlos Saturnino) “assemelha-se a um autêntico revisionismo, e só pode ter como objetivo, o regresso em força do que convém chamar como “a antiga escola” da Sonangol”.

No que refere a Custos com Consultores, um dos tópicos abordados na conferência de imprensa pelo actual PCA da Sonangol, e perante a “insinuação de gastos excedentários e esbanjamento em consultores”, conforme refere no comunicado, Isabel dos Santos sustenta que “o Conselho de Administração que presidiu foi o que menos gastou em consultoria na Sonangol nos últimos 5 anos”.

No mesmo documento, a empresária refere  em sua defesa, que  em 2014 a Sonangol gastou 254 Milhões com consultoria;em 2015 a Sonangol gastou 115Milhões com consultoria, 2016 foi  de 79,7Milhões, mas que no decorrer da sua gestão, em 2017 o custo de consultoria em 2017 foi de  90,5Milhões.

Em resumo, salienta que o Conselho de Administração  a que presidiu “reduziu para cerca de metade os custos com consultoria comparativamente à média anual no período 2013-2015”, acrescentando que esta redução de custos de consultoria foi conseguida, sem prejuízo da qualidade e capacidade de aportar valor da equipa de consultores selecionados, envolvendo 10 empresas, entre as quais líderes internacionais de consultoria estratégica e gestão, escritório de advocacia de primeira linha e a maior empresa de auditoria e assessoria financeira do mundo, entre outras. 

“As tentativas de Carlos Saturnino de reescrever a história são consequência, no meu entender, de um retorno em força da cultura de irresponsabilidade e desonestidade que afundaram a Sonagol em primeiro lugar”,afirma.

Para si, o grau de agressividade e as campanhas difamatórias reproduzidas, e em perfeita coordenação com os órgãos de imprensa da oposição, e com as oficinas de manipulação das redes socias, demostram que há um  verdadeiro nervosismo em alguns meios. 

A empresária  garante  que tais meios , com interesses financeiros, durante anos  foram aproveitados e construíram fortunas ilegítimas à custa da Sonangol, e  que agora “tudo fazem para que o escândalo da minha acusação difamatória, distraia a opinião pública de ver os verdadeiros responsáveis”.

Assegura no comunicado que  existe uma “campanha generalizada e politizada” contra si, e acredita que “estão de retorno os interesses das pessoas que enriqueceram de bilhões à custa da Sonangol”. 

“São estes, que hoje fomentam e agitam a opinião pública de forma a poder retomar os seus velhos hábitos. O problema da Sonangol não é, e nunca foi Isabel dos Santos, mas sim a irresponsabilidade da gestão, e das entidades que beneficiarão de contratos leoninos e ganharam milhões, e hoje esperam poder continuar a gozar e viver desta prevaricação”, afirma-se no documento. 

Copyright © Figuras & Negócios - Todos os direitos reservados strong>

Contato
Home
Acervo Digital