RECADO SOCIAL

 
5 de June 2021 - às 07:47

CALÇAR OS PATINS DA HUMILDADE, JÁ!!!

Imagino quantos governantes deste país terão tido oportunidades de dizer “não, não posso, não vou conseguir desempenhar este cargo, chefe!”.

 

Ora, vamos lá ver se as coisas talvez funcionassem como deve ser em certas nomeações. Antes de subirem ao poleiro, que tal um “papo recto”, sem muitas curvas? Uma pergunta simples antes do incompetente assumir do cargo:-“Epa, sabes que vais ser nomeado, né? Então? Estás disposto a vestir a batina da honestidade e calçar os patins da humildade quando as coisas te correrem mal? Vais imediata e incondicionalmente pedires demissão se te sentires pressionado pela população ou vais esperar que o faça?”.

Talvez num dia qualquer de que certamente ninguém se lembre, já se tenha feito esta perguntinha à alguns dos futuros incompetentes. Talvez. Mas , está-se a ver que as respostas perderam-se no espaço e no tempo ou,no mínimo terá sido a que o chefe esperasse... Arrisco: ninguém diria que estava preparado para dizer “não”.É o costume, o hábito, é a cultura dos incompetentes. Agarravam nas “bicuatas” da desonestidade intelectual e lá iam ocupar o cargo, sem dizer “ai, nem ui”. O que interessa é chegar lá em cima e ,depois, logo se vê. Ao primeiro sinal resultante da sua incompetência que devia ser descoberta logo com uma pergunta de cinco tostões, o incompetente resiste, não pede demissão. É fezada!. Esmaga uma carreira a troco de uns milhões que logo se evaporam por ser mesmo incompetente.Foi noeado…sorte grande! Continua a mover mundos e fundos nos bastidores,conhece a estratégia do não dizer “não”; envolve-se na legião enorme de bajuladores e julga que aquela pergunta nem sequer devia ser colocada. Aceita só o cargo e pronto: “o chefe já é que sabe; daqui ninguém me tira; pedir de demissão? O caraças!!”.

Imagino quantos governantes deste país terão tido oportunidades de dizer “não, não posso, não vou conseguir desempenhar este cargo, chefe!”. São muitos os que integram o batalhão de “autênticos “suicidas” e paraquedistas a quem lhes foi dada a oportunidade de não entrar no vácuo da incompetência. Talvez uns 10 dos mil e tal nomeados tenham tido a coragem de pedir demissão ou pura e simplesmente dizer que “não chegou a minha hora e vez”. Geralmente, têm na esta a seguinte retórica: “ordens são ordens e são para ser cumpridas” e segue!!!.

Quando fazem borradas, têm ainda o desplante de dizerem : saio com o sentimento do dever cumprido!”. Quantas vezes já se ouviu isto, quando são empurradas pela borda fora?Peguemos no exemplo dos que ocuparam o Palácio da Mutamba? Contei 35.São mais? Pior ainda. Ninguém saiu dali pelos próprios patins e não se tem notícia de que algum tenha deixado saudades. Minto, diz o povo, sem grandes certezas, de que talvez Aníbal Rocha se safe deste conjunto de péssimos gestores da cidade mais problemática do país. Pediu demissão? Não sei…

Os incompetentes deviam responder simplesmente que “não vale a pena me nomear , chefe. Não vou aguentar tamanha responsabilidade. Por amor de Deus, nomeie outro. Peço desculpas, não posso… É muito lixo para a minha carroça!”. Pois é. Deviam!

Fartámo-nos de dizer que Luanda não é para qualquer um. Engoliram-se ao longo de toos estes anos muitos sapos. Uns mais gordos que outros, a verdade é que sentiram-se folgados na lama e nas águas putrefactas da cidade que, ainda assim, sempre deu lucro. Muitos répteis só foram ao palácio da Mutamba para aprender como é que, num ápice, se esgota os gorduchos orçamentos e meios técnicos colocados à sua disposição.Alguém já fez as continhas? São centenas de biliões sugados dos bolsos dos contribuintes desolados e silenciados com a mesma pergunta de sempre: depois deste governante, quem se seguirá?.Depois, lá vem mais um, outro e outro…

…E a marcha triunfal dos incompetentes que se negam a calçar os patins da humildade prossegue, ano após ano…

 

Carlos Miranda
carlosimparcial@gmail.com.

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