ÁFRICA

 
27 de November 2020 - às 18:03

CABO VERDE: eleições autárquicas com restrições

 

Pelo menos quatro partidos políticos e onze grupos de independentes concorrem às eleições autárquicas de 25 de Outubro em Cabo Verde. Apresentadas que estão as candidaturas juntos dos tribunais da Comarca em todo o país, as formações concorrentes ultimam agora os preparativos da campanha eleitoral, que arranca, no dia 8, sem o tradicional comício de massas e contatos porta-a-porta com abraços e apertos de mãos, isto devido às restrições impostas pelas autoridades sanitárias por causa da pandemia de covid-19 que já causou cerca de 50 vítimas mortais no arquipélago.

Em disputas vão estão os órgãos autárquicos dos 22 municípios cabo-verdianos, em que se prevê a luta renhida  sobretudo entre os dois partidos do arco do poder (MpD, no governo; PAICV, Oposição). Estes concorrem em todos os concelhos com candidatos próprios.

A fazer fé na afirmação do líder do MpD, este partido no poder pretende manter as atuais 18 câmaras ou conquistar todas as 22 autarquias. Uma possibilidade que parece ser, segundo alguns analistas, pouco provável. Isto diante dos desgastes que o Movimento para Democracia vem sofrendo face ao não cumprimento das várias promessas feitas aos eleitores nas eleições legislativas e municipais de 2016. O partido liderado pelo actual Primeiro-ministro está, conforme observadores atentos, na iminência de perder ou ficar em maioria relativa em alguns municípios importantes, como os das cidades de São Filipe e do Mindelo. Já o PAICV, cuja líder Janira Hopffer Almada mantém um optimismo reservado, almeja conservar as duas câmaras que gere neste momento (Santa Cruz em Santiago e Mosteiros na ilha do Fogo) e recuperar entre quatro e seis câmaras. Segundo previsões de alguns dirigentes, as de São Filipe, Brava, São Lourenço dos Órgãos, Paul e Ribeira Grande de Santiago (Cidade Velha) são as que estão mais ao alcance do maior partido da oposição – há várias outras que pode disputar.

A nível da sociedade civil, o destaque vai para pelo menos onze grupos de cidadãos independentes que anunciam concorrer a essas eleições autárquicas: 4 em Santiago (Praia, Assomada, Tarrafal, São Domingos), dois em São Filipe do Fogo, um em São Vicente, um no Sal, um na Tarrafal de São Nicolau e  um outro na Ribeira Grande de Santo Antão. 

Face às restrições impostas pelas autoridades sanitárias devido à pandemia de covid-19, a campanha eleitoral deve arrancar no dia 8 e vai decorrer sem os tradicionais comícios de massas e contatos porta-a-porta com apertos de mãos e abraços a pessoas.

AComissão Nacional de Eleições (CNE), citada pela Lusa,  garante aos eleitores “que tudo está ser feito e preparado para que possam exercer o seu direito de voto de forma segura e com respeito por todas as normas sanitárias em vigor”, mas admitindo que estas eleições “são especiais”.

“Vão acontecer no contexto da covid-19, o que desafia a Administração Eleitoral a adequar alguns procedimentos que integram o processo eleitoral, tendo em vista garantir o cumprimento das regras sanitárias vigentes, a qualquer momento, designadamente o respeito do distanciamento físico, da higiene das mãos, da etiqueta respiratória, do uso de máscaras”, lê-se no comunicado.

A pensar nisso, a CNE de Cabo Verde anunciou que vai iniciar este mês a formação dos membros das mesas eleitorais para estas autárquicas de 25 de outubro, processo que vai abranger cerca de 7.000 pessoas.

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