ECONOMIA & NEGÓCIOS

 
1 de dezembro 2016 - às 19:17

BREXIT DOMINA A ECONOMIA EUROPEIA

O Eurostat revelou dados animadores da economia, quer no crescimento do PIB, quer no emprego. No entanto, o  organismo estatístico europeu reviu em baixa as perspectivas para 2017. A instabilidade criada com o processo de saída do Reino Unido deverá trazer constrangimentos e travar o investimento

 

O efeito do brexit está a ter menos impacto na economia ou, como se diz popularmente, é esperar pela pancada. Há sinais favoráveis, mas mantém-se ameaças. Um pequeno facto traduz consequências do país sair da União Europeia: a suíça Chocolat Tobler decidiu cortar em 10% o tamanho do seu chocolate Toblerone, no Reino Unido, devido ao comportamento da libra, que afecta o valor de aquisição das matérias-primas, nomeadamente do cacau.

A Moody’s admite cortar a notação da dívida soberana se o Reino Unido deixar o Mercado Único. Esta agência de notação financeira prevê um processo longo, que poderá ultrapassar os dois anos previstos no Tratado de Lisboa.

A manutenção da construtora automóvel Nissan não está ameaçada uma decisão sustentada nas garantias da primeira-ministra britânica. Theresa May afirma que serão tomadas medidas que visem a fixação de firmas de alguns sectores.

Porém, algumas podem estar de saída. A Deutsche Telekom pondera alienar 12% que detém no capital da British Telecom, avaliada em 4.400 milhões de Libras (mais de 5,1 mil milhões de Euros).

A Bloomberg revelou um estudo, do Hitachi Capital, que indica que as empresas britânicas cancelaram investimentos de cerca de 76.000 milhões de Euros desde o referendo. As decisões deveram-se à perspectiva de desvalorização da libra e à incerteza no futuro relacionamento com a União Europeia. As desistências foram mais significativas nas grandes firmas, uma vez que as de menor dimensão estão menos expostas aos mercados cambiais.

O BBA, o lóbi bancário, admite a deslocalização da City, sendo que os bancos de menor dimensão o podem fazer ainda antes do final de 2016. As instituições maiores deverão decidir-se no decurso do primeiro trimestre de 2017.

Em 2014/2015, o Estado arrecadou cerca de 74.000 milhões de Euros em impostos do sector financeiro. A imprensa britânica dá conta que o Governo deverá baixar a taxa do imposto, de 20% para 10%.

Em Setembro, três meses depois do referendo, a taxa de inflação subiu para 1%, o patamar mais elevado desde Novembro de 2014 – a previsão era de 0,9%. Em Agosto fixou-se em 0,6%. Analistas atribuem esta performance à cotação da libra, que desde Junho se desvalorizou 15% face ao euro e 17,5% em relação ao dólar norte-americano.

O Banco de Inglaterra prevê que a queda da Libra deverá fazer a inflação atingir os 2%. Porém, a instituição afirma estar confortável para continuar a apoiar a economia. O banco central decidiu manter a sua taxa directora em 0,25%.

Travar o prejuízo - O Governo britânico está a estudar a hipótese de continuar a contribuir para o orçamento da União Europeia. A decisão visará manter aberta a porta de acesso ao mercado único.

Recorde-se que as instituições comunitárias, como vários países, incluindo a Alemanha e a França, realçaram que o Reino Unido só poderá beneficiar da livre circulação de bens, capitais e serviços se assumir também o de pessoas.

Mas no país aumentam as movimentações para travar o brexit. Uma batalha que se trava nos tribunais, Parlamento (poderá ter a última palavra), Escócia e Irlanda do Norte. O Supremo Tribunal vai reunir-se entre 5 e 8 de Dezembro, para debater se Westminster se deve pronunciar-se, podendo a sentença ser proferida até ao início de 2017.

A Escócia representa uma ameaça concreta à desagregação do Reino Unido, visto a votação no referendo ter sido claramente favorável à manutenção do país na União Europeia (62%). A primeira-ministra escocesa manifestou intenção de voltar a referendar a presença do território, não escondendo o sonho da independência. Nicola Sturgeon, quer representantes legais no processo e reclama para o Parlamento de Edimburgo o direito de se pronunciar.

O Ulster britânico tem também poder para vetar a saída do Reino Unido. Embora sem poder político, a Rainha pode intervir no processo, através da manifestação da sua opinião. É suposto o monarca ser neutral, mas Isabel II interveio aquando do referendo escocês, em 2014.

A Primeira-Ministra britânica mantém a previsão de accionar o artigo 50 do Tratado de Lisboa em Março de 2017. Theresa May argumenta que a decisão pertence apenas ao executivo de Londres.

Para o presidente do Tribunal Superior, John Thomas o Parlamento é soberano e não aceita o argumento do Governo ser competente para accionar o artigo 50 do Tratado de Lisboa.

O antigo líder, em funções interinas, do partido nacionalista Ukip fala em «traição em curso». Nigel Farage diz que o não respeito pelo resultado do referendo pode traduzir-se em ira popular.

O primeiro-ministro da Irlanda considera que o brexit é o maior desafio para o seu país, desde a independência. Enda Kenny afirma que recebeu a garantia da sua homóloga de que não haverá um retrocesso às fronteiras entre o Ulster e a república vizinha. 

 

ECONOMIA EUROPEIA MELHORA 

A economia da Eurozona progrediu 1,6%, face ao período homólogo de 2015, e 0,3% em cadeia. Já numa visão mais lata, em 21 dos 28 Estados da União Europeia, o produto interno bruto registou uma progressão de 1,8% em termos homólogos. Em comparação com o segundo trimestre, a melhoria foi de 0,4%.

Assim, a Comissão Europeia reviu em alta a previsão de crescimento da economia, em 2016, passando a estimativa de 1,6% para 1,7%. Porém, para 2017 a evolução foi inversa, passando de 1,8% para 1,5%. Em 2018, o PIB do bloco progredirá 1,7%.

Apesar da melhoria da economia, o Banco Central Europeu (BCE) decidiu manter a taxa de juros de referência em 0%. O programa de compra de dívida mantém-se nos 80.000 milhões de Euros, embora circulem rumores de que a verba poderá ser reforçada. A acção desta instituição deverá traduzir-se numa taxa de inflação de 0,3% este ano. Para 2017 e 2018 estima-se que se situe em 1,4%.

A evolução da economia em Portugal foi coincidente, em termos homólogos (1,6%). Em cadeia, registou-se um crescimento de 0,8%. Em comparação com 2015, as maiores progressões verificaram-se na Roménia (4,6%), Bulgária (3,5%), Espanha e Eslováquia (3,2%), e a Grécia (1,5%).

Em cadeia, Portugal conheceu a maior subida (0,8%). Os dados conseguidos tornam provável que a economia portuguesa possa ultrapassar os 1,2%, em 2016. Para este resultado contribuíram as exportações de bens e serviços e a diminuição da factura energética. Em sentido inverso esteve a procura interna e o investimento não reagiu. 

Na Zona Euro, quanto ao desemprego verifica-se a manutenção da taxa nos 10%, em Setembro, em cadeia. Em igual mês de 2015 situava-se em 10,6%. No conjunto dos 28 estados, a taxa fixou-se em 8,5% face a Agosto. Um ano antes estava em 9,2%.

O Instituto Nacional de Estatística revelou dados que indicam que 69,7% de exportações das empresas dependem de um só país. Quanto a importações, 86,9% têm apenas um fornecedor. Face a um estudo anterior, de 2014, verificou-se uma diminuição da exposição.

Angola deixou a liderança das importações portuguesas, sendo responsável por 13,3% das compras. Espanha passou a liderar (14,3%) e a Alemanha surge em terceiro lugar (11%).

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