MUNDO

 
6 de maio 2017 - às 06:38

BREXIT CRIA TENSÃO NO REINO UNIDO

Theresa May queixa-se de falta de apoio para as negociações para a saída do Reino Unido da União Europeia. A primeira-ministra britânica pediu eleições legislativas antecipadas, para 8 de Junho. O Partido Trabalhista, a principal força da oposição, está de acordo

 

Jeremy Corby, líder dos Trabalhistas, não tem dado descanso à chefe do Governo, e acusa o Executivo de não ter estratégia e de agir de forma caótica. Caso vença as eleições, com maioria clara, a primeira-ministra ficará com mais força interna e face aos ainda parceiros europeus.

Theresa May accionou o artigo 50º do Tratado de Lisboa. A 29 de Março, a primeira-ministra britânica formalizou o que resultou do referendo de 23 de Junho de 2016. Em Londres, Bruxelas e nas diferentes capitais assumem-se dificuldades e tenta-se um tom conciliador, mas tornam-se claras divergências duras nas negociações.

Os prejuízos da saída estão a sair da sombra e a opinião pública britânica aparenta estar a aperceber-se das consequências da votação e da realidade que se aproxima – assim indicam estudos e declarações políticas. Mesmo o Governo se mostra dividido.

Suspeitas reais ou retóricas têm sido levantadas sobre a ingerência da Rússia no referendo que desembocou no Brexit. Surgem também rumores de que a China possa ter também agido. Coloca-se assim em causa o resultado, possivelmente como pretexto para anular a votação – o que muito provavelmente não acontecerá.

A comissão parlamentar encarregada da verificação de anomalias, no referendo, concluiu que há suspeitas de que hackers agiram em sites públicos, alegadamente a mando da China e da Rússia. Porém, os deputados não indicam qualquer nome, apenas sublinham que se verifica o, alegado, modo de acção cibernética de hackers russos e chineses.

A 7 de Junho, do ano passado, as autoridades alargaram o prazo para a inscrição de eleitores. Esta decisão deveu-se a um registo considerado anormal e que causou o colapso de um dos sites de recenseamento.

À data, os defensores do Brexit levantaram suspeitas de fraude por parte do Governo de David Cameron, defensor da permanência na União Europeia. Os deputados concluem agora que as cerca de 500.000 inscrições, no último dia do prazo, podem ter vindo de entidades, nomeadamente estrangeiras, favoráveis à saída.

 

Palavra contra palavra - Entre o Governo britânico e os dos ainda parceiros continua a haver uma linguagem que varia entre o conciliador e optimista, assumindo as dificuldades, e o crítico e de confrontação, dos dois lados.

Não será fácil conciliar as partes, entre o Reino Unido, a pretender ficar com o que a União Europeia tem de melhor e abandonar a política de circulação de pessoas, uma das bandeiras do Brexit – possivelmente a principal – e o bloco que não quer dar tudo e ficar com os encargos.

Theresa May admite um período de transição para o fim da livre circulação de pessoas. O ministro das Finanças diz que ninguém quer bicha de camiões nas fronteiras.

Em Bruxelas corre uma solução parecida para a que se encontrou após a Noruega ter decidido, em referendo realizado em 1994, não aderir à União Europeia. Se o Reino Unido regressar à Associação Europeia de Comércio Livre (EFTA) podem evitar-se algumas complicações e seria possível mais tempo para que sejam encontradas soluções melhores – crêem negociadores em Bruxelas. A EFTA agrupa actualmente a Islândia, Liechtenstein, Noruega e Suíça.

 

A questão de Gibraltar - Com um resultado esmagador no referendo favorável à permanência (95,91%), Gibraltar tornou-se no primeiro provável suspeito de saída do Reino Unido. Espanha cedo pediu a reunião e o Reino Unido o negou. Vários políticos britânicos chegaram a usar uma linguagem belicista. Inicialmente, Theresa May afirmou que não há qualquer mudança de posição face ao Rochedo. Mais tarde admitiu que o afastamento será possível se for essa a vontade do povo.

Com longo currículo político, nomeadamente como parlamentar e membro do Governo, o trabalhista Peter Hain defende uma soberania partilhada em Gibraltar. Um processo simples e que, basicamente, se traduziria no hastear da bandeira espanhola, ao lado da britânica, no território, escreveu num artigo publicado no The Guardian.

A Escócia será um problema maior e mais complexo. Europeístas, os escoceses poderão voltar a pronunciar-se acerca da independência. Theresa May exclui a hipótese de uma segunda votação sobre esse tema. Mas em Edimburgo a vontade é outra.  

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