MUNDO

 
6 de abril 2017 - às 16:06

BRASIL: UM PRATO CHEIO DE “CARNE PODRE”!

O Brasil exportava - em média – 63 milhões de dólares por dia, em carne de boi, ave e porco. Depois de tantos embargos, este valor chegou a menos de 1%.  Pelos cálculos do Ministério da Agricultura, a participação do Brasil no mercado mundial deve cair 10% este ano. O prejuízo pode chegar a um bilhão e meio de dólares. Entretanto, a China o Chile e o Egipto já disseram que vão voltar a comprar carne brasileira

 

O final deste mês de Março foi difícil para o sector da carne brasileiro devido as denúncias feitas no âmbito da operação denominada “Carne Fraca” deflagrada pela Polícia Federal. As denúncias tiveram reflexos internacionais e fez com que muitos compradores perdessem, inicialmente, confiança na carne brasileira. Foram cumpridos mais de 30 mandatos de prisão, com a acusação de que equipas de fiscalização do Governo Federal em Goiás, Minas Gerais e Paraná, recebiam propina para liberar os produtos. Segundo a Polícia Federal, havia o uso de carne estragada em salsichas e linguiças, e de aditivos não autorizados ou acima do limite permitido.

Vinte e uma unidades de frigoríficos estão sob investigação, de um total de quase 4.900. As fiscalizações estão a ser feitas em 21 fábricas investigadas em vários estados. O sector produtivo da carne já reagiu à operação. Não contesta o trabalho da polícia, mas critica a forma como as suspeitas de irregularidades foram anunciadas.

Para o presidente executivo da Associação Brasileira de Proteína Animal, Francisco Sérgio Turra, isso prejudica a imagem do país no exterior. “Até porque nós enfrentamos o produtor local, que faz a grande concorrência e que é a grande barreira hoje. A barreira não é muito sanitária nem tarifária, a barreira é o interesse do produtor local, que gostaria de ver, efectivamente, o Brasil longe, porque o Brasil é muito competitivo. Tudo isso incomoda e num momento como esse é um prato cheio para que eles façam uma resistência, e aí a demora maior para a liberação, para a volta ao normal”.

Os países que bloquearam a carne representam metade da receita com exportações só de carne bovina. Para o presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne, Antônio Jorge Camardelli, ninguém sabe quando a crise vai passar. “Tem um lastro de problemas que a gente vai ter que administrar, um por um e, com isso, tem que ter muita paciência, muita vontade. Nós precisamos compreender que a gente vive um momento diferente, onde vai ser necessário restabelecer aquela credibilidade que a gente tinha até o momento dessa operação”. 

*Com agências

 

BARREIRAS QUEBRADAS 

Oito dias depois da divulgação da Operação Carne Fraca, que abalou as vendas da carne brasileira para o exterior, o país teve recentemente uma boa notícia : três países importadores comunicaram ao Governo federal que vão retomar as compras - entre eles, a China. O Governo chinês anunciou o fim da restrição à carne brasileira, excluindo os 21 frigoríficos envolvidos no escândalo. Também proibiu a entrada de cargas liberadas por sete fiscais que estão sob investigação.

China e Hong Kong representam 30% do mercado importador mundial da carne brasileira. Hong Kong ainda não se posicionou quanto ao fim da suspensão. No mapa das barreiras contra a carne brasileira, China, Egito e Chile voltaram a comprar do Brasil. Para os exportadores, uma vitória. A Associação Brasileira da Indústria Exportadora de Carne quer que apenas os culpados sejam punidos, não o sector inteiro. “Aquele que fez a irregularidade, que seja punido não só aqui, como lá. Até porque está mais do que comprovado que não foi um erro de sistema, portanto não tem nenhum abalo à questão sanitária”, diz o presidente da Abiec, Antônio Jorge Camardelli.

O Governo brasileiro comemorou o que considera "resultado do trabalho de esclarecimento feito nos últimos dias em todos os continentes". O presidente Michel Temer agradeceu ao presidente chinês, Xi Jinping. Em nota, Temer destacou a confiança dos governos do Egito e do Chile no sistema de controle sanitário brasileiro.

O Brasil é um dos maiores produtores de carne do mundo. Em 2016, foram produzidos mais de 15 milhões de toneladas entre aves, suínos e bovinos. Parte disso, mais de seis milhões de toneladas, vai para o mercado externo. Hong Kong, China e Arábia Saudita são os maiores compradores. O facturamento da exportação de carnes em 2016 foi de quase 14 bilhões de dólares, 16% da receita externa do agronegócio.

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