DESPORTO

 
5 de novembro 2017 - às 06:52

BETO BIANCHI AMADO POR UNS, ODIADO POR OUTROS

Treinador suspenso por trinta dias e multado em dois mil dólares norte-americanos

 

O técnico hispano-brasileiro, Beto Bianchi, que orienta, simultaneamente, o Petro de Luanda e a Selecção Nacional de Futebol (Palancas Negras), embora tenha logrado a qualificação à fase final do CHAN, que vai decorrer em 2018  no Quénia, parece ter aberto um "fogo cruzado" com muitos agentes do desporto-rei no país.

Quando a selecção carimbou a qualificação para o CHAN, Beto Bianchi reclamou facto de alguns treinadores e dirigentes continuarem a colocar em causa a sua dupla condição de treinador , na formação petrolífera e do combinado nacional, e considerava tais atitudes de "não muito humano".

O facto de ser considerado "tolo", por ter assumido os comandos do Petro e da Selecção Nacional agitaram ainda mais Beto Bianchi que  não se coibiu de qualificar este insulto como um gesto que aponta para a xenofobia.

A Associação de Treinadores de Futebol de Angola (ATEFA), no meio dessa polémica, saiu a terreiro, denunciando o que considerou uma "profunda tristeza e estupefacção" as posições de Roberto Bianchi, negando que existe "um certo racismo" da parte de alguns treinadores locais em relação ao mesmo.

A ATEFA considerou que inexistem razões ou fundamentos nas reclamações de Beto Bianchi e que, pelo contrário, é este que, só por ter qualificado os Palancas Negras ao CHAN, dá-se ao luxo de atropelar regras básicas da planificação do treino, que desaconselham a observância de longas e constantes paragens do Girabola ZAP.

Por esta razão a ATEFA também apelou ao seleccionador a adoptar uma "postura e atitude conciliadoras, evitando desperdício de energias com discussões que não agregam valor à exigente tarefa de comandar o onze nacional".

Beto Bianchi Bianchi, por seu lado, frisou que "estou apenas a cumprir com o meu trabalho e peço que as pessoas me compreendam bem. Sabem que  este é o meu primeiro jogo  e saímos muito bem e isso só mostra a nossa grande disposição de ajudarmos a selecção. Espero mais respeito de todos", solicitou o treinador aos seus detractores. 

A verdade, porém, é que após estas posturas de parte a parte, o treinador viria a revelar a sua irreverência no jogo com o 1º de Agosto em que foi expulso do campo, castigado por trinta dias de suspensão e dois mil dólares de multa.

O hispano-brasileiro, reagiu, considerando não ter feito nada para merecer a expulsão e a multa e garantiu não estar satisfeito com o sucedido, apesar de as imagens da televisão terem filmado e mostrado os gestos que fazia insultuosamente contra a arbitragem formada pelo juiz António Caxala e os auxiliares Jerson dos Santos e Júlio Lemos.

Bianchi mesmo assim chegou a dizer que "não vou estar no banco de suplentes e não será a mesma coisa, porque os jogadores estão habituados à intensidade fora de campo que  coloco neles,  a minha ausência muda as coisas. Fui expulso, o clube fez recurso e até agora não sei qual foi o resultado".

E depois acrescentou que "estou firme e vou continuar a dar o meu melhor em prol da selecção ou mesmo noutros lugares onde for  chamado a dar a minha contribuição". O que não previa no entanto que estava para acontecer a sanção. E a Federação Angolana de Futebol não vacilou. Quando ainda faltava seis jornadas para o fim do Girabola2017, Beto Bianchi, foi suspenso por trinta dias e ainda uma multa equivalente a dois mil dólares.

Posteriormente o treinador prometeu, em declarações proferidas em conferência de imprensa, que apesar de admitir estar numa missão difícil de cumprir, está cansado das constantes expulsões e, por isso, assegurou que vai preferir manter-se calado.

"No futebol existem situações que fazem parte do espectáculo, e cada um tem uma maneira diferente de estar no futebol. Uns preferem ficar sentados no banco durante todo o jogo, mas outros não", observou.

De resto, se Beto Bianchi for escravo destas suas palavras dificilmente se confrontará com mais críticas e castigos e então continuará à frente dos Palancas Negras com a missão de fazê-las obter bons resultados.

A selecção que orienta ainda carece de mais marcadores "natos" , mas a Federação Angolana de Futebol confia no trabalho do treinador para as campanhas da fase final do CHA e corrida ao CAN de 2019 nos Camarões. "O seleccionador está atento e, com certeza, vai trabalhar fortemente para que nos próximos jogos possa ter mais avançados concretizadores. Temos aí uma base para fazermos bons resultados no futuro", apreciou o presidente do órgão, Artur Almeida e Silva. 

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