PAÍS

 
6 de maio 2017 - às 06:15

BENGUELA DOS ANJOS OPÕE-SE À POLÍTICA TRIBUTÁRIA

No ataque à política tributária, mesmo com o Ministério das Finanças a sublinhar que a reforma é irreversível, Isaac dos Anjos, membro do Bureau Político dos ‘’camaradas’’, escancarou lacunas que julga fazer parte dos planos dos adversários para daqui a alguns meses.  

Com o PRS, FNLA e o extra-parlamentar Bloco Democrático em contagem de espingardas, já que distantes do duelo político e partidário, a UNITA e a CASA-CE dizem que as suas movimentações são sinónimo de crescimento

 

Enquanto trata da divulgação da imagem do candidato do MPLA, o 1º Secretário do Comité Provincial e governador de Benguela, Isaac dos Anjos, procura esvaziar eventuais críticas da oposição à porta das eleições, abrindo o livro que contém falhas do regime angolano, nem que tal exercício crie amargos de boca entre militantes do seu partido. 

Residirá aqui a nota saliente do ambiente político nesta grande praça eleitoral, prestes a receber a visita de João Lourenço, a quem vários observadores atentos imputam a responsabilidade de moralizar um país não muito distante da rota das incertezas. 

Afinal, os efeitos da crise, vezes sem conta enumerados por Dos Anjos, lembrando, contudo, que ‘’as coisas foram piores nos anos 80’’, reduziram a oferta de serviços sociais básicos à população. 

Numa das sessões de exaltação de figura de João Lourenço, o governante criticou, para lá da falta de água e energia e do débil saneamento básico, a política tributária, afirmando que a Administração Geral Tributária (AGT) está a ‘’atrofiar’’ as empresas com a cobrança de impostos relativos a serviços efectuados em 2012. ‘’Não deve penalizar o pouco resíduo empresarial existente só porque as receitas baixaram. Eu, membro do MPLA, tenho de dizer estas coisas, fazendo com que não haja motivo para a oposição criticar na altura das eleições’’, aponta, sublinhando que o fecho de empresas e a destruição de postos de trabalho podem ser uma realidade. 

Dos Anjos acha que os militantes do partido no poder devem perder a vergonha e, enquanto cidadãos que sofrem com as insuficiências do momento, abordar de forma frontal o problema da energia e do lixo.  

Atento a estas movimentações, o secretário executivo da CASA-CE, Francisco Viena, que vem registando enchentes nas suas actividades, ora no litoral, ora no interior, salienta que a sua organização não se limita a apontar ‘’falhas decorrentes da má governação’’. 

A coligação de Abel Chivukuvuku, conforme refere o jurista, é obrigada a fazer melhor, tanto na vertente social, com realce para a saúde e educação, como na variante económica. 

Nas mensagens que profere em comícios, Viena tem manifestado estranheza face ao estado da agricultura, sem pujança, sustenta, para colocar a indústria à dimensão daquela que se viu há 40 anos. ‘’Benguela, lamentavelmente, deixou de produzir a cana-de-açúcar; já não tem produção industrial’’, realça o político, que olha para o crescimento da massa militante como ‘’garantia de eleição de pelo menos um deputado neste círculo eleitoral’’.  

À procura do segundo deputado, a UNITA continua activa em época de pré-campanha, no litoral e nos seis municípios do interior, levando ao eleitorado a mensagem de mudança. 

Corrupção, pobreza e má governação são a escapatória para a música do ‘’galo negro’’, que prefere não acreditar que o Governo Provincial esteja a preparar já planos de actuação para o próximo quinquénio. 

O secretário provincial, Alberto Ngalanela, único deputado da oposição no círculo eleitoral, considera que a iniciativa reflecte o reconhecimento do fracasso no mandato prestes a chegar ao fim.  

O agrónomo acrescenta que a maior parte das acções projectadas para até 2022 não foi implementada no quinquénio anterior, marcado, como salienta, por ‘’desperdícios atrás de desperdícios’’. 

O deputado conclui afirmando que ‘’chegou a hora da mudança, uma vez que o MPLA já nada pode oferecer aos angolanos’’, contrariando o governador, também agrónomo, para quem o seu partido ‘’merece um voto de confiança para consolidar a estratégia de desenvolvimento sustentável’’.  

 

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