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30 de julho 2018 - às 11:23

BATALHA DO CUITO CUANAVALE O CONFRONTO QUE ABALOU ANGOLA E TRANSFORMOU A REGIÃO AUSTRAL

É enorme o acervo literário que conta a história da  Batalha de Cuito Cuanavale. Ainda assim, a memória colectiva dos angolanos, sul-africanos, soviéticos e cubanos continua a ser assaltada por terríveis pesadelos e dúvidas. Muitos "neurónios"  ainda hão-de ser postos à prova para que a verdade de uns e de outros impere. Ou a mentira! Foram meses terríveis, demasiado duros para a maior parte dos militares angolanos que na vastíssima região do Kuando Kubando deu, cada um na sua trincheira, o seu melhor para que  saíssem vivos  de mais uma batalha para defender a integridade territorial da República fustigada.

 

resenha que se segue, provavelmente não conte tudo o que aconteceu. Outras peças, quer impressas como áudio-visuais ou importantes registos documentais fílmicos da época foram (re)surgindo ao longo de todo este tempo que serviu para que cada um tire as suas ilações sobre este acontecimento importante para a libertação total e definitiva da região austral do continente africano.

... A Batalha do Cuito Cuanavale foi o maior confronto militar da Guerra Civil Angolana, ocorrido entre 15 de Novembro de 1987 e 23 de Março de 1988 . O local da batalha foi o sul de Angola na região do Cuito Cuanavale na província de Cuando-Cubango, onde se confrontaram os exércitos de Angola FAPLA (Forças Armadas Populares de Libertação de Angola) e Cuba (FAR) contra a UNITA (União Nacional para a Independência Total de Angola) e o exército sul-africano. 

"Foi a batalha mais prolongada que teve lugar no continente africano desde a Segunda Guerra Mundial", garante a Wikipédia, a nossa fonte principal desta e das páginas que se seguem sobre este capítulo da nossa História importante que agora merece ter um dia especial para que seja rememorada. É que, neste mês de Junho, os Ministros do Órgão de Política, Defesa e Segurança da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC) adoptaram por unanimidade o 23 de Março como Dia da Libertação da região!.Vamos  então ao que a Wikipédia nos relata:

"Nesta batalha, o mito da invencibilidade do exército da África do Sul foi quebrado, alterando dessa forma a correlação de forças na região austral do continente, tornando-se o ponto de viragem decisivo na guerra que se arrastava há longos anos. Por outro lado, a superioridade demonstrada pelas FAPLA no campo de batalha fez com que o regime do apartheid, aceitasse a assinatura dos Acordos de Nova Iorque, que deram origem à implementação da resolução 435/78 do Conselho de Segurança da ONU, levando à independência da Namíbia e ao fim do regime de segregação racial, que vigorava na África do Sul .

Fica também para a história, o facto de ambos os lados terem clamado vitória.

O site lembra  que, até 1975, Angola foi um dos territórios coloniais africanos do Império Português tal como Moçambique, Guiné-Bissau, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe, regidas por Portugal e, que no entanto, surgiu uma guerra de guerrilha entre o governo colonial e três movimentos revolucionários armados, a FNLA (Frente Nacional de Libertação de Angola), a UNITA (União Nacional para a Independência Total de Angola) e o MPLA (Movimento Popular de Libertação de Angola), com um acréscimo no norte, na região de Cabinda levada a cabo pela FLEC (Frente de Libertação do Enclave de Cabinda), um movimento separatista) que reclamava a independência autónoma de Cabinda em relação a Angola.

Recorda-se que Angola foi só uma das frentes da Guerra do Ultramar, durante a qual o estado português tentou manter os seus territórios coloniais ao contrário da tendência das outras nações europeias como a Grã-Bretanha e a França que estavam a entregar a independência gradualmente às suas colónias.

"O prelúdio da guerra civil angolana tem a sua origem em 1974 quando se deu em Portugal a Revolução dos Cravos, derrubando o regime salazarista. A junta militar que ocupou o poder provisoriamente, decidiu acabar a Guerra do Ultramar mas deixar as tropas nas colónias até à sua independência. No entanto, devido a pressões internas, decidem abandonar Angola até o outono de 1975, sem que nenhum dos movimentos revolucionários estivesse no controle da nação. Uma decisão problemática que afetou o desfecho da guerra civil em Angola".

Lê-se ainda no site que em Agosto de 1975, o MPLA controlava onze das quinze províncias de Angola, incluindo a capital Luanda e a cidade de Cabinda, sendo por isso a escolha óbvia para tomar o poder em Angola. "No entanto, acrescenta-se, a decisão de Portugal de entregar o poder aos três movimentos, provou ser um erro crasso, dando inicio à Guerra Civil Angolana.

"A 10 de Novembro as forças do novo governo, as FAPLA, com ajuda cubana, derrotaram uma ofensiva da FNLA que tinha o apoio do Zaire com um reforço do exercito zairense de 1.200 soldados, num célebre confronto a norte de Luanda que ficou conhecido pela Batalha de Kifangondo . Nos anos seguintes, o governo do MPLA e as suas forças militares lutaram contra guerrilheiros armados pelo Zaire, Estados Unidos da América e pela África do Sul, até que em 1984 a FNLA de Holden Roberto reconheceu a derrota, mantendo-se no entanto a guerra contra a UNITA de Jonas Savimbi", assinala-se.

Reza também a história que, até 1987, entraram no conflito angolano outras nações e organizações interessadas. Ao lado do governo angolano encontravam-se as FAR (Fuerzas Armadas Revolucionárias de Cuba), o braço armado do ANC (African National Congress), Umkhonto we Sizwe e a SWAPO (South West Africa People's Organization), e, ao lado da UNITA, estava o exército sul africano e os seus aliados.

É neste contexto que se recorda que a intervenção da FAR começou apenas com 652 tropas de elite na Operação Carlota, uma manobra militar levada a cabo em Novembro de 1975 contra a incursão sul africana, fazendo-se notar que com a expansão da guerra nos anos seguintes, Cuba, a pedido do governo angolano, reforçou as suas forças militares de uma forma permanente, tendo participado na batalha de Cuito Cuanavale 15.000 tropas cubanas . "A força cubana em Angola chegou a ter 36.000 tropas activas", revela-se no site.

Quanto à participação da União Soviética no conflito angolano, a Wikipédia opina que esta limitou-se a um grupo de conselheiros militares soviéticos colocados em Angola, à formação de quadros superiores em território da URSS e à ajuda em armamento militar, acrescentando que "as relações entre os dois países nunca foram totalmente claras, havendo suspeitas de envolvimento soviético numa tentativa de golpe de estado, preconizado pelo Ministro do Interior do MPLA Nito Alves, culminando num período negro da história angolana conhecido por Fraccionismo" . 

Para si, não obstante esses desentendimentos, "estiveram presentes na batalha conselheiros soviéticos que tiveram um papel muito importante na organização das FAPLA e na planificação da batalha".

Revela-se que os EUA não reconheceram o governo angolano, acusando-os de comunistas, receando que Angola se tornasse uma ponta de lança da União Soviética em África. Henry Kissinger, Secretário de Estado dos Presidentes Richard Nixon e Gerald Ford, chegou mesmo a afirmar que o governo do MPLA era uma ameaça à liberdade em África . "Nos anos oitenta, a administração de Ronald Reagan promoveu a guerra de guerrilha nos países com ligações ao Bloco de Leste, em países como a Nicarágua e Angola. Já desde 1977 que os Estados Unidos da América apoiavam UNITA, vindo a reforçar esse apoio no governo Regan . Um dos projectos mais importantes da ajuda americana foi a Jamba, o refúgio e quartel general das forças da UNITA no sudoeste de Angola . Na Jamba, Jonas Savimbi, líder da UNITA, construiu uma base militar bem defendida para lutar contra o governo MPLA e criou um mini-estado", conta-se na Wikipédia.

"Em 1985, na Jamba, Savimbi foi o anfitrião da Internacional Democrática, um encontro de chefes de alguns movimentos anti-comunistas  no mundo, oficializando dessa forma o seu mini-estado . A presença semi-oficial de um mini-estado criado pela UNITA em território angolano era considerado uma afronta ao governo de José Eduardo dos Santos, presidente de Angola à altura do conflito. Em 1987, o governo angolano decidiu eliminar esse mini-estado e retomar o controle do sudoeste angolano . O resultado foi a batalha de Cuito Cuanavale, uma povoação situada na Jamba na província do Cuando-Cubango", revela-se.

A batalha ( Daqui pra frente abrimos e fechamos duas grandes aspas para que, de acordo com a Wikipédia, se recorde esta epopeia) - "A primeira acção militar da campanha do governo angolano, foi a ocupação da antiga base portuguesa de Mavinga, onde estavam sediados 8.000 guerrilheiros da UNITA. Porém, até à chegada das forças angolanas, Mavinga recebeu um reforço de 4.000 tropas da SADF (South African Defence Force), vindo a confrontar uma força de 18.000 soldados angolanos[ . Mavinga foi o primeiro passo no caminho para a Jamba e para penetrar a Faixa de Caprivi.

O ataque a Mavinga foi uma derrota total para as forças angolanas, com baixas estimadas em 4000 mortos . A manobra de contra-ataque das SADF, nomeada Operação Modular foi um êxito, forçando as tropas das FAPLA e das FAR a retroceder 200 quilómetros de volta a Cuito Cuanavale numa perseguição constante através da Operação Hooper.

O cerco de Cuito Cuanavale - Sabendo que caindo Cuito Cuanavale, o inimigo seguiria para Menongue, uma base aérea importante do governo, as FAPLA restabeleceram-se aí, retendo com dificuldade o avanço da UNITA e das SADF . As três brigadas sobreviventes da força original barricaram-se a leste do Rio Cuito, do outro lado da povoação de Cuito Cuanavale, aguentando as forças rivais durante três semanas, sem blindagem nem artilharia para se defenderem e sem provisões. O presidente de Cuba Fidel Castro, a pedido do governo angolano, enviou mais 15.000 soldados de elite para ajudar ao esforço da batalha, dando o nome a essa movimentação de tropas de Manobra XXXI Aniversário da FAR. Com o reforço cubano, o número de tropas no país passava de 50.000 . A 5 de Dezembro de 1987, o primeiro reforço militar chegou ao posto das FAPLA em Cuito Cuanavale.

Entretanto, os soldados angolanos recebiam um novo treino para se adaptarem às novas armas mais avançadas fornecidas pela União Soviética, enquanto os seus colegas das FAR preparam as defesas para resistir às investidas do inimigo . Os defensores cavaram trincheiras, barricadas, e depósitos para helicópteros, embora a pista de aviação estivesse intacta, os observadores das forças inimigas impedia a aterragem de aviões em Cuito Cuanavale . A ponte sobre o rio havia explodido a 9 de Janeiro e para poderem atravessar o rio, os cubanos construíram uma outra ponte de madeira, apelidada de "Pátria ou Morte" . Os defensores aproveitaram todas as armas disponíveis, desde as dos tanques imobilizados, às dos soldados sepultados pela terra nos ataques de artilharia.

Entretanto, as SADF aproveitaram o impasse para trazer reforços, levando a cabo cinco assaltos contra os postos angolanos nos meses seguintes, não conseguindo vencer os defensores . Uma das situações que ajudou imenso a UNITA, foi a estação das chuvas que atrasou o avanço das tropas vindo de Menongue, através de caminhos lamacentos, carregados de minas anti-pessoais pela UNITA e de emboscada. Quando o grosso dos reforços chegaram, já tinha começado a batalha final.

Os assaltos da UNITA prosseguiram até 23 de Março de 1988, levando os tropas defensoras a recuarem para os arredores de Cuito Cuanavale, onde sofreram bombardeamentos de artilharia da SADF, localizadas nas colinas de Chambinga, nos meses seguintes.

Desfecho - O impasse militar de Cuito Cuanavale foi reclamado por ambos lados como uma vitória. O lado angolano afirmou que com a defesa de Cuito Cuanavale, em situação precária e situação inferior, impediram a invasão do território angolano, pelas forças da África do Sul. Porém, na África do Sul os partidários da guerra proclamavam como triunfo o facto de o exército deles menos equipado mas melhor treinado ter impedido o avanço do comunismo.

Em Dezembro de 1988, o MPLA e a UNITA assinaram o Acordo Tripartido na cidade de Nova Iorque, acordando com a retirada das forças estrangeiros do conflito angolano , levando, consequentemente, à independência da Namíbia e à democratização da África do Sul, culminando com o fim do regime do Apartheid.  

 

ADOPTADO POR UNANIMIDADE PELOS MINISTROS DA SADC

"DIA DA LIBERTAÇÃO DA REGIÃO" É O 23 DE MARÇO

 

Os Ministros do Órgão de Política, Defesa e Segurança da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC) adoptaram, por unanimidade, o 23 de Março como Dia da Libertação da região, quando realizava a sua Vigésima Sessão Ordinária, em Luanda, capital da República de Angola; o país onde durante vários meses  se registou a histórica Batalha do Cuito Cuanavale, que culminou com a vitória das forças aliadas  do exército nacional angolano (FAPLA e das Forças Armadas Revolucionárias (FAR) de Cuba, com o apoio do ANC (África do Sul) e da Swapo (Namíbia).

 O ministro das Relações Exteriores, Manuel Augusto, no termo do encontro, que tratou assuntos da actualidade política e militar da região, referiu  que a adopção da data memorável  é importante para a região, especialmente para Angola. “É uma grande notícia para nós e uma grande satisfação, porque as discussões para o estabelecimento de uma data para assinalar a libertação da região já levam alguns anos”, acrescentou.

Note-se que ao longo deste período surgiram propostas de diferentes países da região, mas Angola  discutiu e manteve-se firme, segundo deu conta o ministro à Angop. Nas suas declarações, o chefe da diplomacia angolana, visivelmente satisfeito,  ressaltou que a Batalha do Cuito Cuanavale foi o ponto de viragem para o que se passou depois na África Austral e, por consequência, no continente. Entretanto, Manuel Augusto, disse os chefes de Estado da região poderão  ratificar a decisão dos ministros da SADC na Cimeira da organização regional, a ser realizada em Agosto próximo na Namíbia.

A reunião do órgão de defesa e segurança da SADC, abordou diversos assuntos relacionados com o quadro de paz e segurança prevalecente especialmente no Madagáscar,no Reino do Lesotho, bem como na República Democrática do Congo. De recordar que , neste país, as atenções estão viradas para a realização das eleições marcadas para 23 de Dezembro deste ano, mas trata-se de uma abordagem envolta ainda por muitas núvens da discórdia, quer dentro do país como no exterior. 

Angola assumiu a presidência do Comité Ministerial do Órgão de Política, Defesa e Segurança da SADC em 2017. Esse órgão tem uma estrutura bipartida, composta por uma “Troika”, que funciona numa base rotativa anual e engloba o presidente, o vice-presidente e o presidente cessante, bem como um Comité Ministerial. A SADC, criada a 17 de Agosto de 1992, em Windhoek (Namíbia), tem entre os seus objectivos o crescimento, desenvolvimento económico e sustentável da região.

 

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