PONTO DE ORDEM

 
1 de dezembro 2016 - às 18:54

AUTÁRQUICAS JÁ!

Debalde! Se as eleições legislativas e presidenciais já se tornaram realidade, as autárquicas continuam a ferver num forno onde fica evidente falta de leituras objectivas sobre a sua importância quando se quer avançar diferente na forma de pensar a governação do pais, cujos frutos terão de ser necessariamente mais maduros e saborosos em comparação com a realidade que nos é mostrada hoje.

 

O anúncio feito no início deste mês pelo vice-Presidente da República, Manuel Vicente de que as eleições autárquicas em Angola não se realizarão antes de 2011 constituiu como que um balde de agua fria para aqueles que acompanham com bastante interesse o desenvolvimento do País e que tinham na  realização daquele acto um aquecer de motores para melhor se delinear o conceito de cidadania e estabelecer-se estratégias mais realistas para o crescimento integral e sustentado do País.

A excessiva centralização em que se apoia a governação do Pais não tem permitido um entusiasmo e empenho equitativo na resolução global dos problemas que se vive, haja vista a discrepância de situações regionais e provinciais especificas de cada parte  que este pensar centralizado, cultivado desde os tempos em que Angola se apoiava num modelo de desenvolvimento inspirado no sistema monopartidario, não divisava soluções correctas para que o país fosse eliminando as diferentes assimetrias, algumas herdadas e outras enraizadas pelo modelo de governação escolhido que mais facilmente privilegiava o culto de personalidade, o compadrio e outras praticas contrárias à boa governação. O sistema democratico de governação implantado no país desde 1990, com a realização das primeiras eleições permitiu antever a possibilidade de surgimento de uma forma de olhar o Pais mais cidadã, apontando-se já na altura a componente das  autárquicas como um elemento fundamental desse pensamento porquanto  estava saliente que ,com isso, o cidadão consciente elegeria na sua comunidade os melhores para gerirem os destinos do colectivo.

Debalde! Se as eleições legislativas e presidenciais já se tornaram realidade, as autárquicas continuam a ferver num forno onde fica evidente falta de leituras objectivas sobre a sua importância quando se quer avançar diferente na forma de pensar a governação do pais, cujos frutos terão de ser necessariamente mais maduros e saborosos em comparação com a realidade que nos é mostrada hoje.

À parte a crise financeira que o país hoje atravessa decorrente da falta de dinheiro que o petróleo deixou de dar em demasia porque adormecidamente se tinha pensado que era a única teta para Angola mamar, o certo é que sempre se viu o desenvolvimento de Angola, no seu todo, a partir de gabinetes de Luanda com quadros que, na maioria dos casos, desconheciam a realidade idiossincrática e efectiva de cada canto do país, o que levou a investimentos desajustados numa ou noutra província por exemplo, os municípios e comunas, onde em grande parte delas se concentra a riqueza natural a precisar de ser explorada, a serem completamente ignorados, agravado com o privilegio ainda evidente da   nomeação e não eleição de quadros, quantas vezes por compadrio e/ou militantismo exagerado que eliminavam à partida a concorrência.

Mais grave, hoje, é que mesmo os integrantes dos poderes constituídos já deram conta que nesta linha que persiste Angola dificilmente conseguirá enveredar para um desenvolvimento sustentado mas teima-se em mudar as regras de jogo. É verdade que a realização das eleições autárquicas não é a panaceia para a resolução imediata de todos os problemas que o país tem no que a governação inclusiva diz respeito mas não podemos ignorar que ela pode ajudar a mudar a forma de se ver e pensar país,  reforçar inclusive um maior sentimento de cidadania. Não se justifica por isso que catorze anos de paz, com quatro eleições gerais (legislativas e presidenciais) já realizadas, as autárquicas, onde a eleição dos representantes da comunidade é mais profunda, seja transportada para as calendas gregas por argumentos esfarrapados que não dignificam, antes pelo contrário, mais dissociam os políticos e os seus comportamentos dos cidadãos.

Errar é humano, cálculos mal feitos, sobretudo quando carregados de excesso de zelo na análise mais abrangente do que o país precisa também podem e devem ser desculpados, e no caso, desde que os políticos, e ai o MPLA como o Partido no poder tem responsabilidades acrescidas, se vistam de coragem e projectem as eleições autárquicas para um horizonte temporal mais curto que não pode ser, de forma alguma, o 2021.  

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