LEITORES

 
30 de julho 2018 - às 11:15

ATACARAM O MENSAGEIRO E NÃO A MENSAGEM

Eu cá acho que o  formato do programa é que não deve ser dos gostos das habituais linhas editoriais de outros meios de comunicação massiva superiormente orientados pelo partido no poder. Só acho! Mas devo também respeitar a opinião dos que ventilaram esta nota pública em nome do MPLA, cujos dirigentes actuais certamente não concordarão  com o seu conteúdo e forma.Interessa realçar o seguinte: têm, sim, razão que o programa não se deve intrometer em assuntos de foro jurídico que ainda estejam sob o segredo de justiça.No resto, acredito que o “Fala Angola” que só começou a engatinhar, pode ganhar mais fôlego com críticas construtivas, mas deixem o apresentador actual, ou quem venha a substituí-lo, trabalhar.

 

Acho que não seria pedir favores a nenhum político desse país, se me concedesse pelo menos uns minutos de “antena” dos milhares que tem durante o ano, para abordar um assunto que me parece oportuno.

Trata-se da constante imiscuição dos partidos políticos nas linhas editoriais dos órgãos de comunicação social, nomeadamente públicos. Ou seja, exactamente, nos que os pobres cidadãos investem o seu dinheiro, mesmo sabendo que, na maior parte dos casos,  detestam o  seu trabalho.

Quer dizer, mesmo contra a sua vontade, qualquer cidadão é forçado a fazê-lo todos os meses. Não me perguntem como parte dos seus salários sustentou estes órgãos até no tempo do “MPLA sozinho”, em que eram chamados MDMs, ou seja: Meios de Difusão Massiva. Estes eram superiorirmente orientados pelo partido e…pronto, ninguém tinha de contestar o que se difundia e muito menos contestar as suas respectivas linhas editoriais. Enfim, tudo estava bem emoldurado no pacote do regime de partido único e quem ousasse refilar,  recebia o seu devido troco.

Mas os tempos passaram e,  tal como toda a gente esperava … as coisas mudaram em termos de linhas editoriais: tudo mais condizente aos novos tempos democráticos, da imparcialidade, do rigor da informação independente e do respeito ao contraditório.

Todavia, ainda restam resquícios daquele passado “enguiçado”, completamernte ultrapassado e chato.

Ora, cá vai um exemplo de imiscuição que não colhe para os tempos que correm. Ainda tenho muitas dúvidas de que uma nota de imprensa  cheia de críticas despropositadas tenha vindo do partido no poder que, ainda há bem pouco tempo, venceu as eleições com um slogan  simplesmente avassalador, fantástico: “corrigir o que está mal e melhorar o que está bem”. Vamos ao assunto: no passado mês de Maio, no seu site, o M “arrasou” o  apresentador do “Fala Angola”, Salú Gonçalves, chamando-o de “polémico e excêntrico” e considerando que o programa televisivo  “está a ser subtilmente transformado num tribunal à hasta pública, palco de exposição gratuita da vida privada de outrem".

O M, ou os responsáveis pelo site, revelam numa nota que o também radialista, assumindo o papel como se de um órgão de soberania se tratasse, foge os pressupostos que regem a profissão, nomeadamente “informar, formar e entreter”.

Ora, permitam-me dizer que  ao longo da sua já longa carreira como homem de rádio, conheci poucos  com a capacidade de fazer passar a mensagem verbal com tanto enfoque no humor e no entretenimento como Salú Gonçalves.

Eu cá acho que o  formato do programa é que não deve ser dos gostos das habituais linhas editoriais de outros meios de comunicação massiva superiormente orientados pelo partido no poder. Só acho! Mas devo também respeitar a opinião dos que ventilaram esta nota pública em nome do MPLA, cujos dirigentes actuais certamente não concordarão  com o seu conteúdo e forma.Interessa realçar o seguinte: têm, sim, razão que o programa não se deve intrometer em assuntos de foro jurídico que ainda estejam sob o segredo de justiça.No resto, acredito que o “Fala Angola” que só começou a engatinhar, pode ganhar mais fôlego com críticas construtivas, mas deixem o apresentador actual, ou quem venha a substituí-lo, trabalhar.

José S.K. Quaresma - Luanda

 

BOCAS SOLTAS

Uma vez mais, a imagem do nosso basquetebol perde pontos em hasta pública. No terreno dos jogos, vai sobrevivendo, mas fora deles registam-se makas atrás de makas e a maior parte delas tem uma marca registada : o dinheiro. Ora, a Federação Angolana de Basquetebol (FAB) cancelou o estágio da selecção nacional sénior masculina de basquetebol, por alegada falta de verba. O director do Gabinete de Comunicação e Imagem do Ministério da Juventude e Desportos, Joaquim Clemente,disse que não: o MINJUD já disponibilizou (faseadamente) na conta da FAB 57 milhões 222 mil kwanzas, valor este que corresponde mais do que a metade da sua dotação anual (100 milhões de Kwanzas), consagrado no Orçamento Geral do Estado de 2018 (OGE)!.Em que cestos se vai lavar mais estas bolas vazias?Alguns cidadãos anónimos opinam sobre a polémica:

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“O que eu ouvi nos corredores da FAB é que já existe dinheiro, sim, mas há sempre aqueles atrasos burocráticos só fáceis de ultrapassar se as pessoas deixarem de trabalhar por cima do joelho. Depois, toca a fazer  tudo às pressas quando os problemas tornam-se mais complicados.

Mais uma vez, quem fica mal são os atletas profissionais. Nas federações é onde as makas começam e depois queixamo-nos dos resultados desportivos que hoje são fraquinhos….”

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“Eu há muito tempo tenho o entendimento que a composição administrativa  deste elenco administrativo é das mais fracas que se registam nos últimos vinte anos. Apesar de estarmos num mundo cada vez mais globalizado, parece que as pessoas não aproveitam as capacidades das novas tecnologias de informação. É que tudo se resolve muito mais facilmente com o recurso às TIC’s. O problema é que mais do que a falta de comunicação entre as instituições, existe falta de humildade entre as pessoas”.

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“Com esta crise económica, já se sabia que estes problemas se iam agudizando dia após dia. Eu até acho que as instituições do Estado rezam para que as modalidades desportivas de alta competição desacelerem o processo de desenvolvimento das suas capacidades. Dá para rir , mas é a verdade. Como os ministérios nem sequer têm massa para pagar os seus funcionários, como é que vão pensar em pagar os atletas, muitos dos quais ganham milhões quando estão ao serviço dos seus respectivos clubes?”

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 “O presidente da Federação Angolana de Basquetebol, Hélder Cruz, teve o azar de ter ganho as eleições e segurado os destinos  do nosso basquetebol numa altura muito complicada. Eu até nem sei como é que ele conseguiu sobreviver até agora… Apanha por tudo e por nada e quando surge a questão dos dinheiros para que ele consiga fazer mais e melhor em prol da modalidade, surgem estes entraves financeiros.É muito azar!”

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“Quem não tem cão, caça com o gato”, diz o ditado. Essa estória de fazer um estágio de preparação na Turquia para que a nossa selecção nacional surja bem na disputa das eliminatórias para o mundial, pode ser resolvida com uma boa programação a nível interno, até porque os nossos adversários, nesta fase, não nos assustam”. 

 

TIRADAS DA IMPRENSA

“É curioso como não sei dizer quem sou. Quer dizer, sei-o bem, mas não posso dizer. Sobretudo tenho medo de dizer, porque no momento em que tento falar não só não exprimo o que sinto como o que sinto se transforma lentamente no que eu digo”.

- Clarice Lispector

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“O mundo é grande e cabe nesta janela sobre o mar. O mar é grande e cabe na cama e no colchão de amar. O amor é grande e cabe no breve espaço de beijar”.

- Carlos Drummond de Andrade

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“Um escritor deve acreditar que o que está a fazer é o mais importante do mundo. E deve apegar-se a esta ilusão, ainda que saiba que não é verdade”.

- John Steinbeck

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“Apenas deveríamos ler os livros que nos picam e que nos mordem. Se o livro que lemos não nos desperta como um murro no crânio, para que

lê-lo?”

- Franz Kafka

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