PONTO DE ORDEM

 
2 de outubro 2016 - às 05:07

ARMADILHAS E SOBERANIA!

Os países que vivem muito de ajudas, regra geral provenientes de outros mais poderosos, têm de se preparar cada vez melhor, quer tecnica como politicamente, para não se deixarem embarcar na armadilha do crédito que, nas calmas, pode levá-los à perca da sua soberania.

 

Numa volta rápida pela cidade de Luanda, para constatar o trabalho de reparação das estradas terciários das artérias da capital, mobilizando-se em algumas delas mão de obra estrangeira, veio-me à mente a questão dos creditos que os países recebem, precisamente porque nos últimos tempos está-se a falar nessa empreitada de recuperação e construção de novos troços rodoviários graças ao dinheiro proveniente de emprestimos do governo chinês.

Lembrei-me disso para recordar uma conferência internacional em que participei onde se abordava precisamente àquilo que um colega cabo-verdiano apelidava então das armadilhas do crédito, ou seja da pratica de alguns países, os mais poderosos financeiramente, imporem cláusulas para  empréstimos financeiros aos menos poderosos e obrigar-lhes a consumir, via de regra, os seus produtos e força de trabalho. A verdade nua e crua é que financiamento é um empréstimo que tem de ser pago e nunca pode ser confundido como esmola.

Ora bem, olhando para a realidade de Angola, que tem reconstruído o seu tecido quase completo para se apostar em desenvolvimento seguro, o esforço tem sido feito recorrendo-se em parte a ajuda externa, e, no caso, a China tem sido o País na mó de cima, com empréstimos que já rondam a casa dos vários bilhões de dólares, pelo que urge definir regras de forma que se retire melhor proveito dos financiamentos que cada vez mais endividam o País. E nessa linha urge convier que não faz muito sentido uma aceitação simples de imposições na definição das regras de jogo, porque, se não devidamente acauteladas, podem levar os angolanos a uma subjugação que pode comprometer a sua soberania porquanto as regras de decisão deixam de ser consertadas no nosso País e pelos seus dirigentes. Concretamente, no caso, as obras devem ser melhor elaboradas, tornarem-se duradouras e é imperioso que se mobilize mais a participação de força de trabalho nacional, até como uma das formas para se diminuir o índice de desemprego, que é muito elevado.

Em suma, os países que vivem muito de ajudas, regra geral provenientes de outros mais poderosos, têm de se preparar cada vez melhor, quer tecnica como politicamente, para não se deixarem embarcar na armadilha do crédito que, nas calmas, pode levá-los à perca da sua soberania.

Vale recordar, à propósito, uma interrogação, quanto ao nosso País, que circula nas redes sociais e que aquí reproduzimos porque nos apela a uma profunda reflexão:

Reza assim :

"Em Angola, os donos das padarias são libaneses, os armazéns que vendem comida são deles também, os que vendem à retalho são os sengaleses (mamadous)e ivorienses, os alfaiates e sapateiros são zairenses (congoleses democratas), as unhas das vossas mulheres são tratadas por chinesas, as bebês dos vossos chefes quem cuidam são vietnamitas (babás), o material de construção quem vende são os chineses, as vossas casas são construídas pelos vietnamitas, os vossos restaurantes só vendem comidas portuguesas, os chefes de cozinha, gerentes dos hotéis e restaurantes em Angola são todos portugueses e cubanos, os médicos são cubanos (os doentes são angolanos), os bancos todos são portugueses e a maior parte dos PCAs são tugas. Mas, afinal, vocês em Angola têm e fazem o que? Tudo aí é dos estrangeiros?"

À parte alguns exageros das questões, é caso para se reflectir, e, se negativo, como é em muitas situações, imediatamente, com o espírito patriótico elevado, fazer-se a inversão de valores. No mês de Setembro, vale à propósito recordar o que um dia disse aquele que é tido como o pai da nação angolana, o Presidente Agostinho Neto: "Se não nos acautelarmos, qualquer dia teremos um Presidente negro, um hino, uma bandeira mas não seremos o dono do nosso destino!  

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