EDITORIAL

 
29 de março 2015 - às 06:22

A RESPOSTA QUE SE ESPERA

Algumas experiências já vividas noutros pontos e concernente ao alojamento de populações após a destruição, por motivos diversos, das suas habitações precárias aconselham a não acreditar que soluções provisórias que agora se encontram possam ser de pouca duração, numa atitude que jogará desabonatoriamente contra os órgãos do governo, quer municipal, provincial e, porque não, nacional.

 

A tragédia que se abateu sobre a cidade do Lobito que, em função das chuvas que alí caíram no início de Março, provocou uma enxurrada com casas construídas em locais pouco proprios a ficarem completamente destruídas e a perderem a vida mais de 70 pessoas, provou aos poderes constituídos que, se ainda existiam dúvidas, o povo angolano é solidário. Na verdade, o apoio solidário aos irmãos vítimas da tragédia do Lobito foi rápido e total proveniente de todos os pontos do País, independentemente das filiações partidárias, credos que cada um professa ou outros quejandos. Tudo e todos se confluiram para uma preocupação unica: levar o conforto aos irmãos do Lobito num momento delicado de dor e de luto muito longe ainda de se concentrarem nas causas que estiveram na base da tragédia.

Consumada a desgraça, até certo ponto minimizada pela onda de solidariedade nacional, é altura de se apurar responsabilidades sobre as causas da tragédia que não pode morrer solteira e, desde logo, trabalhar-se para, no mais curto espaço de tempo restituir-se a dignidade e vida condigna aos sinistrados.

Vozes da sociedade apressaram-se em identificar o principal culpado da situação apontado o dedo as autoridades da Província que permitiram a construção de habitações em zonas de risco, a obstrução de valas de drenagens de águas criando caminhos para o não funcionamento regular das infra-estruturas básicas, que se apadrinhou, directa ou indirectamente, acções desenfreadas de vendas de terreno com o fim único de especulação imobiliária,... Não fica bem na fotografia qualquer dirigente que se preze vir a terreiro acusar a população, alguns dos quais perderam, inclusive, a sua própria vida, por terem desrespeitado qualquer lei que impedia construir em zonas de risco quando se sabe que, no exercício de acções governativas, o poder é para ser exercido com verticalidade.

Por isso mesmo, na base desse desiderato, a solidariedade de toda nação ante a tragédia que se abateu sobre a cidade do Lobito exige que se separe o trigo do joio e sejam penalizados os negligenciadores mas, mais do que isso, coloca nas mãos do governo responsabilidades acrescidas para, em prazo recorde, se arranjar soluções condignas para os habitantes hoje penalizados que não pode ser a situação provisória encontrada, de os colocar em tendas sem se definir timings para o fim dessa vida precária.

Ora bem, existindo já terreno talhonado e diante de ajudas recebidas, entre elas algum material de construção, porquê que as autoridades governamentais não assumem o compromisso de conduzir, elas mesmo, a empreitada de construção de um bairro social que possa albergar os desalojados permitindo-lhes, assim, recomeçarem uma vida com mais dignidade e esperança para melhor encararem os desafios do futuro? Ocorreu-nos recuar no tempo e questionar onde andam as empresas que em Luanda, um dia, prometeram publicamente ao Chefe de Estado capacidade para produção de vinte casas sociais diárias? Mesmo que não se respeita esse número, sabemos que a tecnologia hoje permite construção recorde de casas sociais, o que seria, se o governo assim procedesse, uma forma de se familiarizar com a onda de solidariedade nacional partindo para soluções mais realistas.

Algumas experiências já vividas noutros pontos e concernente ao alojamento de populações após a destruição, por motivos diversos, das suas habitaçães precárias aconselham a não acreditar que soluções provisórias que agora se encontram possam ser de pouca duração, numa atitude que jogará desabonatoriamente contra os órgãos do governo, quer municipal, provincial e, porque não, nacional.

Com os ingredientes todos reunidos, está-se diante de uma oportunidade para se poder reforçar a aliança entre os poderes constituídos e a sociedade materializando-se no caso, uma relação biunívoca, pois, se todos se levantaram em gesto de solidariedade efectiva para com as vítimas, agora pede-se como resposta um engajamento mais decidido e, porque não dizer, patriótico e oportuno do governo.

Não da para aplaudir paliativos, situações provisórias que podem arruinar ainda mais milhares de pessoas que psicologicamente estão traumatizadas ou por perderem os seus ente-queridos, ou os seus haveres e têm de recomeçar as suas vidas. E isso exige tranquilidade de espírito!    

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