EDITORIAL

 
2 de dezembro 2014 - às 13:59

A RESPOSABILIDADE DOS POLÍTICOS

Ficou evidente que os angolanos têm de fazer muito mais pela sua reconciliação e para isso o dialogo, o debate de ideias tem de ser constante para se discutir o que se pretende para o País.

 

Na política não é muito salutar que os intervenientes privilegiem a luta entre o gato e o rato por ser ela uma ciência de muito responsabilidade e seriedade que, quando mal manejada, pode ter consequências negativas para os ambientes onde ela se desenvolve. No caso de Angola, por exemplo, cada vez fica mais evidente que urge saber utilizar os meandros do jogo que o mundo da política proporciona para não se minar o processo de reconciliação nacional que deve mobilizar o engajamento de todos os angolanos.
Nem as rivalidades, parece que insanáveis, existentes desde há muito entre os dois maiores protagonistas da vida politica angolana, o MPLA e a Unita, nem tão pouco a cópia apressada com digestão mal feita de outros quadrantes podem constituir motivos fortes para acirrar contradições entre os angolanos que ainda não apagaram o pesado fardo de uma guerra fratricida que trouxe feridas nas famílias, só saradas em ambientes de concórdia e respeito mútuo.
Está-se a construir em Angola uma sociedade democrática e nessa sociedade é claro e curial que se respeite o direito à diferença de opiniões.E os políticos têm responsabilidades directas na prossecução desses propósitos como os transmissores das mensagens que permitem as leituras quer daqueles que comungam os seus ideais como dos outros não identificados com a sua linha política.
Agora em Novembro, o mês da independência nacional, podemos assistir a alguma «musculação» na linguagem dos integrantes dos dois maiores partidos políticos pouco saudáveis para o clima de convivência pacífica que se pretende, e isto só acontece porque na mente desses políticos o egoismo e a arrogância parecem querer falar mais alto quando os interesses da nação deverão estar acima de tudo. Concomitantemente, nesse frenesim, se «ressuscitou» a necessidade da contestação ao actual governo angolano saído das eleições democráticas, portanto legitimado para o exercicio do poder governamental até ao final da legislatura em 2017. As eleições que depois terão lugar é que ditarão os resultados de quem legitimamente continuará a governar Angola. Apadrinhar arruaças, sobretudo num País ainda sensível em função das cicatrizes da guerra fratricida abertas, não é de muito bom tom, pois os esforços dos angolanos devem estar virados para a produção e reconstrução de um País potencialmente rico mas que a intolerância levou à destruição e tem agora quase tudo para ser feito.
Os políticos devem dar o exemplo.Mas, infelizmente, aquí ainda não é assim e mais grave é por serem dirigentes das maiores forças políticas a decidirem (cegamente?) enveredar pelo jogo do gato e o rato acreditando eles que esta é a forma mais segura para serem tidos como os melhores. Isso ficou evidente agora no mês da nossa independência onde Isaías Samacuva, numa atitude nada conveniente, a julgar reflectida pelas responsabilidades que tem no processo, decidiu escolher Lisboa, a capital da antiga potência colonial, para, uma vez mais "lavar a roupa suja" desancando no executivo do Presidente Eduardo dos Santos. A resposta também não se fez esperar por parte de militantes do MPLA, com Bento Bento, Primeiro Secretário de Luanda dos Camaradas, também com pouca habilidade no jogo de palavras, protagonizar um discurso ameaçador contra o adversário. Evidentemente que esse episódio teve imediatamente efeito multiplicador com clivagens de militantes ou simpatizantes de ambos os partidos a acontecer em vários pontos do País, agravados com as tentativas de arruaças sem fios condutores que não levam a sitio nenhum.
Ficou evidente que os angolanos têm de fazer muito mais pela sua reconciliação e para isso o dialogo, o debate de ideias tem de ser constante para se discutir o que se pretende para o País. Não podem existir ideias pré-concebidas deste ou daquele e é preciso respeitar a opinião dos outros. Não se pode ressuscitar os argumentos que levaram os angolanos a se guerrearem. No terror das palavras, na maior parte das vezes, cria-se o ambiente para se acender o rastilho do confronto violento que pode sacrificar mais vidas de pessoas. E não é isso o que os angolanos pretendem, não é isso que se quer dos políticos que hoje temos como protagonistas do nosso processo de paz e reconciliação.   

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