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27 de November 2020 - às 17:24

ARCHER MANGUEIRA, GOVERNADOR PROVINCIAL DO NAMIBE

Archer Mangueira assinalou o primeiro ano da governação provincial do Namibe e deu uma entrevista ao Figuras&Negócios falando da sua gestão,o contacto e a empatia dos habitantes do Namibe.A situação da economia na província ,o turismo,a agricultura e a pesca,entre outros, foram questões abordadas pelo Governador do Namibe em entrevista por e-mail.

 

A INTERACÇÃO DO POVO PERMITE-ME TRABALHAR COM SATISFAÇÃO 

Figuras&Negócios (F&N) - Quais os resultados do plano de governação e o que foi planificado?

Archer Mangueira (AM) - O nosso Plano de Governação tem um conjunto de objetivos bem definidos, de acordo a visão de desenvolvimento estabelecida do íncio do nosso mandato.

O Plano traçou programas de Construção e reabilitação de escolas, programa de Saúde Pública e Construção de Unidades de Saúde, Saneamento básico, Construção e Reabilitação de Estradas e Vias de acesso, Modernização Urbana e das cidades, Potenciação do Turismo, Potenciação da Cultura e actividades Desportivas, Promoção do investimento privado, Mitigação dos efeitos da seca, a priorização da formação técnico-profissional, da Investigação Científica, do campus universitário e outras acções para potenciar a Província do Namibe.

Quanto aos resultados, estamos satisfeitos com o que foi feito até aqui, embora gostaria de ver o Plano da visão de desenvolvimento da Província melhor executado, o que entendo não ter sido possível fundamentalmente devido ao período de inatividade e restrições causado pela Pandemia da covid-19, e também por força da revisão do Orçamento Geral do Estado que adiou algumas acções inscritas no Plano. Mas vamos continuar a trabalhar, com fé e bastante optismismo para fazer o Namibe acontecer!

F&N - Como anda o empreendimento do Porto de Moçamêdes?

AM - O Projecto tem todas as condições precedentes cumpridas. Ou seja,

financiamento garantido e empresas contratadas. O concurso público para o apuramento da empresa de fiscalização também já foi lançado e em breve a empresa será contratada.

O financiamento do projecto é suportado pelo Banco de Desenvolvimento do Japão, e estamos certos que vai ser importante para o desenvolvimento da Província, pela componente de modernização e expansão do Porto, que vai aumentar a capacidade de escoamento dos produtos e melhorar a  interligação da região sul (Huíla, Namibe, Cunene e Cuando-Cubango) de Angola pela intercessão entre o Porto, vias rodoviárias e os Caminhos de Ferro. É um projecto estruturante que também vai modernizar o terminal mineraleiro, potenciando a indústria siderúrgica na região. Será um factor de diversificação económica de Angola e vai sem dúvidas alavancar o sector produtivo e de serviços na província, com destaque para a criação do emprego.

Por tanto, está tudo pronto, e o lançamento da primeira pedra ficou apenas adiado por força da Covid-19.

F&N - O que foi feito para travar a covid-19 durante esse tempo e o que vai suceder agora que a província já tem casos?

AM - Iniciamos em Fevereiro as acções de Prevenção a Covid-19. Naquela altura algumas vozes acusavam-nos de estar a dramatizar, mas foram essas acções de sensibilização e a elaboração atempada de um Plano Provincial de Contingência amplamente divulgado, adaptado aos hábitos e costumes do nosso povo, visando evitar a propagação da Covid-19.

Não estando isolados do resto do País, era previsível que em algum momento teríamos casos positivos, embora importados, mas o que vamos fazer agora é continuar a reforçar as medidas de prevenção e chamar a responsabilidade de todos para o cumprimento das medidas e recomendações do Sector da Saúde.

Continuamos o trabalho permanente de sensibilização e mobilização das pessoas para o combate à Covid-19, com o engajamento de toda a sociedade civil e os órgãos de defesa e segurança.

Vamos também apostar na formação dos nossos profissionais de saúde e no asseguramento de meios de biossegurança.

F&N - Como vão os sectores das pescas, agricultura e do turismo.

AM - O Sector Piscatório continuará a ser determinante na economia da Província. Nessa altura registram-se baixas capturas de pescado, o que abalou a cadeia produtiva do sector, mas medidas estão a ser desenvolvidas para redinamizar esse segmento tão importante da economia local, com destaque para as políticas do Sector de tutela, visando a protecção da biomassa. Aqui convém sublinhar que complementarmente priorizamos a definição da cadeia produtiva da pesca artesanal e o reforço da capacidade de fiscalização da nossa costa.

Quanto a agricultura, tem dado sinais bastante positivos. Para o anoagrícola 2020/2021, a Província tem preparado para a sementeira cerca de 22.500 hectares de terras agrícolas.

Temos ideias claras em relação a adopção de uma política de gestão dasterras que permita dar a terra a quem a quer cultivar, respeitando alegislação, pagando impostos e criando valor. Temos condições para sermos autossuficientes nas mais variadas culturas em muito pouco tempo.

O Namibe é dos maiores produtores de tomate no País, e está em curso um Projecto de privatização para colocar em funcionamento a fábrica de transformação de tomate instalada na Província.

Relativamente ao Turismo, o Namibe tem tudo. Tem o Mar, o deserto, a terra, a biodiversidade e a cultura. Mas entendemos que o potencialturístico depende do homem para o seu desenvolvimento, por isso, estamos a fazer o Planeamento bem definido das zonas turísticas, para desenvolver infraestruturas adequadas a cada tipo de turismo.

Defendemos a criação de modelo que passa pela criação de sociedades de desenvolvimento que possam transformar essas zonas em verdadeiros destinos turísticos e de exportação de serviços.

A Biosiversidade deve o ponto alto do turismo de angola. Um turismo amigo do ambiente, que seja baseado na protecção das espécies, da fauna, da floresta, um turismo azul, um turismo que exalte o nosso botânico. Um turismo assente no desenvolvimento sustentável da nossa região.

Consideramos essas componentes como cruciais para o desenvolvimento do turismo na província. Sem nos esquecer dos incentivos fiscais para a atração de investidores, e já estamos a trabalhar internamente numa estratégia que crie a marca Namibe. Queremos e podemos cria uma zona franca na região sul de Angola.

F&N - Qual é o segredo da empatia entre o governador Provincial e os habitantes da província?

AM - Quando cheguei ao Namibe a primeira acção foi ouvir as pessoas.

F&N - há rumores de que teria sido castigado pelo pr baixando de ministro influente para governador de província e que o cenário da nomeação seria apenas para gerir o empreendimento japonês do porto de moçâmedes. 

AM - São rumores…Aceitei de bom agrado e sem hesitar, o convite que o Presidente da República me fez para governar o Namibe. Vim ao Namibe para continuar a servir o meu país, com vontade de fazer acontecer.

F&N - O que falta para transformar a província para o crescimento e desenvolvimento?

AM - Falta implementar na sua plenitude a Visão de Desenvolvimento do

Namibe.

F&N - Quais são as tarefas planificadas para a sustentabilidade do Namibe? 

AM - *Pensamos que essas duas questões ficam diluídas na resposta da visão de desenvolvimento apresentada na primeira questão*

F&N - Tem saudades da governação ministerial? 

AM - A função de Ministro ficou para história. Tenho saudades das equipas de jovens que formei e que hoje estão a exercer cargos e responsabilidades não só nas Finanças, mas em vários domínios da gestão pública e privada do País. Para mim, é um grande orgulho.  

 

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