EDITORIAL

 
29 de outubro 2015 - às 18:12

A RAZÃO DOS FACTOS

Num processo democrático como o que Angola está a construir, a penalização àqueles que não seguem os ditames correctos da linha de convivência saudável na diferença deve ser feita por vias pacificas, melhor dizendo, nas urnas, e nisto o país já tem um processo regular, estando marcada as próximas eleições para o ano de 2017.

 

Angola vai assinalar no proximo mês, os 40 anos de independência, que foi proclamada exactamente a 11 de Novembro de 1975 por aquele que se tornaria o primeiro Presidente do País, o saudoso Presidente Agostinho Neto. Há pouco mais de uma dezena de anos, o Pais enveredou pela opção de uma sociedade regida pelos ditames da democracia, um sistema que permite a pluralidade de ideias, o respeito pela diferença e o alcance do poder através da realização de eleições regulares, entre outros quesitos não menos importantes como a liberdade de expressão e o respeito dos direitos humanos.

Desde logo, é justo reconhecer que não está ainda consolidado o estado democrático e de direito como se delineou mas não se pode deixar de colocar em evidência os esforços que se fazem nesse sentido, sabendo-se de antemão que neste processo os intervenientes maiores, os políticos, têm de se assumir como professores e alunos, tendo-se presente que no mundo não existem democracias acabadas e os modelos que se forjam não podem atropelar as realidades concretas dos países e povos.

Dado adquirido é que Angola é um Pais livre e independente, membro das principais instituições internacionais e soberano nas suas posições, sobretudo quando está em causa o respeito e verticalidade de um Povo que quer fazer e escrever a sua própria história.

O facto do País continuar a ser governado pelo mesmo partido, o MPLA, que proclamou a independência há 40 anos e de na altura se ter optado pelo sistema socialista, o que, no âmbito da guerra fria, era aliado da extinta URSS, faz com que em muitos aerópagos internacionais se coloque em causa a clarividência dos principios políticos porque pugnam os poderes constituidos, hoje com mandato respaldado nas urnas, mormente quando se trata de definir leituras diferentes em relação à situação economica internacional mundial. Não alinhando facilmente os dirigentes angolanos nos ditames muitas vezes propagados pelas chamadas potências ocidentais, com os EUA à cabeca, que se reclamam como os donos da razão, Angola é logo apodada com os epitetos mais grosseiros que colocam em causa a sua fidelidade na construção da democrácia.

Foi assim ontem, está a ser assim hoje pelo que nessas circunstâncias, para além da sociedade plural que se cria, onde se respeita a diferença de valores e opinião, é muito importante saber valer-se dos valores patrióticos, uma responsabilidade que deve ser depositada, em primeiro lugar, aos actores políticos engajados. Isto mesmo deveria ser feito pela classe política em uníssono quando, por exemplo, no parlamento europeu, se analisou a questão dos direitos humanos em Angola, baseado numa visão unilateral de um dos seus membros excessivamente critico na análise ao poder que governa o país, por algumas razões que podem ser enquadradas no que acima referimos.

É verdade que na altura em que a sociedade amadurece nesta senda pela construção do estado democrático, sobrelevam-se os problemas, agudizam-se as contradições e é necessário reforçar o debate de ideias na procura de um contraditório que se constitua em ambiente saudável para o País respirar sem atropelos. E nisso, dificilmente não existem erros ou exageros das diferentes partes envolvidas directamente. Mas esses são "deveres de casa" que devem ser escalpelizados até ao limite, assumindo-se as forças políticas como os principais faróis, pelo que não ficou nada bem formações politicas legalmente constituidas "lavarem a sua roupa suja" fora das fronteiras e alimentando noticias que mancharam a imagem do País. No caso, e porque aí ficou evidente que os poderes constituidos nunca devem adormecer na forma de se comunicar com a sociedade e com o exterior, a imagem foi mais arranhada precisamente porque se ignorou a razão dos factos e a comunicação, para não dizermos inexistente, foi ineficiente.

Num processo democrático como o que Angola está a construir, a penalização àqueles que não seguem os ditames correctos da linha de convivência saudável na diferença deve ser feita por vias pacificas, melhor dizendo, nas urnas, e nisto o país já tem um processo regular, estando marcada as próximas eleições para o ano de 2017.

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