RECADO SOCIAL

 
30 de julho 2018 - às 12:00

AQUI A LEI SECA NÃO PEGA ...

Quer dizer, no tempo da Lei Seca, as pessoas do congresso estavam tudo menos secas! Assim, na maior parte dos casos, aprovavam as leis de forma , digamos, não tão séria quanto juraram defender a Constituição nos mui respeitosos actos de tomada de posse.

 

Nos anos 20, alguns historiadores revelaram que o governo dos Estados Unidos da América, como forma de impedir de uma vez por todas o negócio ilegal de bebidas alcoólicas, instaurou   a Lei Seca com rigor tal que envenenou centenas de litros do produto, matando mais de dez mil pessoas. Verdade, mentira ou um simples conto com pontos a mais, o certo é que a medida drástica e assassina  não surtiu os efeitos desejados por uma boa parte dos membros da administração que, curiosamente, estavam metidos no negócio que na altura rendia  dezenas de milhões de dólares. Morreu muita gente, mas o negócio continuou a prosperar...

Recordo agora este episódio para dizer que nem sempre as medidas drásticas, instauradas e mandadas cumprir com rigor excessivo dão certo, seja lá  em que época  e em que regimes estejamos. A Lei Seca teve mais tarde o sucesso desejado pelas autoridades, lá isso é verdade, mas deixou como legado muitas estórias. Algumas delas eram recheadas de humor, pois quem fazia as leis, também as infringia e de uma forma muito pouco ortodoxa, especialmente em  locais tidos como verdadeiros símbolos republicanos. Por exemplo, no próprio Capitólio apanhavam-se grandes bebedeiras, através de líquidos  decretados .... “ilícitos” para o seu consumo. Um documentário do Neo Geografic fez deste facto um acontecimento  digno de ser premiado com um “Óscar”.

Adiante. Como se soube, eram “torras” atrás de “torras” no Capitólio.Exactamente aqui,  um dos locais mais representativos  da Democracia à maneira americana (a melhor, a mais justa, honesta, enfim, que deve ser seguida por todos os países e povos do mundo).

Pois era ! É que, em 1920, contam alguns historiadores democratas americanos (estes não mentiram nunca, acreditem), "quatro em cinco senadores bebia álcool". Fixem bem esta estatística e vocês sabem que os americanos são os melhores do mundo neste quesito de números. Basta ver a vasta “ficha” dos matemáticos consagrados com o Prémio Nobel...

Quer dizer, no tempo da Lei Seca, as pessoas do congresso estavam tudo menos secas! Assim, na maior parte dos casos, aprovavam as leis de forma , digamos, não tão séria quanto juraram defender a Constituição nos mui respeitosos actos de tomada de posse.

Se bem retenho na memória, tais historiadores disseram também que a coisa tornar-se-ia muito mais séria  quando se soube que "gente fina" ligada ao poder  e que mandava obviamente cumprir a Lei Seca, abastecia-se com o líquido proibido, justamente através do contrabando publicamente diabolizado nas sessões do Congresso. Não muito distante, até o todo-poderoso inquilino da Casa Branca  não se terá escapado de uma acusação gravíssima para a sua reputação,pois  contava-se  que  o próprio  tinha uma adega bem recheada. Sim, uma adega escondidinha dos olhares invejosos dos políticos da oposição que , provavelmente, espreitavam a primeira oportunidade  para apanhá-lo  com a "boca na botija".

Por tudo quanto se passou nos anos 20, confirmou-se ao longo do tempo que , no meio de centenas de leis "descumpridas", a que mais foi desrespeitada provavelmente terá sido a  Lei Seca, desde a Constituição redigida pelos fundadores dos Estados Unidos da América!; a doce América, dona e senhora dos brandos costumes. Mas foi mesmo ali onde a corrupção vigorava paralelamente  às rígidas leis da Ordem, da Paz, da Justiça e da Democracia.A malta, no fundo, tem seguido de perto os bons exemplos que nos chegam deste país. Nada contra o que de bom vem dali, mas a história também é feita destas pequenas tragédias...

Nestes anos 20, a corrupção chegava no topo com a instauração da Lei Seca. Que arranhava e deixava marcas.Pessoas com influência e dinheiro,  colocadas em altos cargos políticos,  presidentes de câmara, todos, todos infringiam a lei, produzindo ou comercializando cervejas , vinho , wiskie, através de engenhosos sistemas de túneis e tabernas ilegais. 

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