ECONOMIA & NEGÓCIOS

 
8 de junho 2017 - às 06:04

APOSTA NO SECTOR DIAMANTIFERO

Previsões do Banco Mundial apontam que a economia mundial deverá crescer 2,7% em 2017, considerando uma melhoria moderada em relação ao ano de 2016 que atingiu taxas de 2,3%. Para a economia nacional espera-se um crescimento na ordem dos 1,3% a contar com a melhoria de desempenho de algumas variáveis macroeconómicas e contenção da massa salarial conforme recomendação do Fundo Monetário Internacional (FMI)

 

Desta forma, continuaremos a assistir a desaceleração ou crescimento moderado nos mais variados sectores da economia angolana, como é o caso do sector diamantífero que tem registado nos últimos anos um crescimento moderado devido o recente efeito da procura nos mercados internacionais. Os novos sinais de recuperação do preço do diamante no mercado internacional é um dado importante, para a retoma do sector diamantífero angolano. A crise internacional com os seus efeitos multivariados, teve um impacto brutal na procura da pedra preciosa, principalmente nos grandes mercados consumidores, os Estados Unidos e a China. Segundo o Diamond Outlook report, a recuperação do preço seguirá uma trajectória crescente com uma grande dependência do apetite de consumo dos dois grandes mercados consumidores. Angola integra o top ten dos maiores produtores de diamante. O Botswana com 25% da produção global é o maior produtor mundial, seguindo-se a Rússia com 18% da produção. Em terceiro e quarto lugar estão a África do sul e Angola com 12% respectivamente da produção global produzida. Em quinto lugar com uma produção global de 11% está o Canadá.

A recuperação e modernização do sector diamantífero tiveram o seu impacto inicial com o advento da paz em 2002, que permitiu a expansão e controlo das zonas de exploração, bem como a intensificação dos níveis de actividade no sector. De uma produção 5.5 milhões de quilates em 2002, o país registou produções de 8,9 milhões de quilates em 2016 com receitas de cerca de 1,2 mil milhões USD. Com a alteração da legislação mais adaptada aos contornos da nova economia, passou a haver um efeito de sinergia derivado do aproveitamento de parcerias e inclusão de outras actividades afectas ao negócio. Assim, existe um maior dinamismo do sector onde coexistem diferentes players que em regime de parcerias público privadas participam nas mais variadas explorações ao nível de território. Serão dignos de realce a Sociedades Mineiras do Catoca, SDM, Chitotolo, Luô, o Projecto Mineiro Lunda-Nordeste e a Fundação Brilhante etc, todos eles grupos participados da empresa nacional de exploração de diamantes ENDIAMA.

Espera-se um verdadeiro boom a “corrida” a novas áreas de exploração nas províncias de Malange, Kwanza Sul, Huíla, Namibe, Cunene, Uíge e Moxico. Por outro lado, projectos em processo de financiamento e desenvolvimento mineiro, caso de prospeção e produção de nióbio (metal utilizado para produção de aço) na província da Huíla e do projecto Tchiunzo de diamantes na Lunda Sul.

Em relação a tendência no mercado mundial, prevê-se que na próxima década a procura desta pedra preciosa cresça 50% reflectindo um crescimento de 5% ao ano, sendo os principais mercados compradores a Índia, China e os Estados Unidos da América. Os EUA com apenas 5% da população mundial e 28% do PIB mundial continuam a ser o maior mercado de venda a retalho de diamantes representando 50% de toda a procura mundial. A razão deste consumo prende-se não só com o poder de compra que os americanos têm que os leva a optar pelo consumo de bens de luxo, mas sobretudo pela trilogia (amor, resistência e valor duradouro) que esta pedra preciosa representa na cultura americana. 

Já em relação ao fornecimento de diamantes brutos para a joalharia como para a indústria espera-se até 2020 uma subida  quer no valor como no preço deste mineral, o continente africano é o maior produtor de diamantes, produzindo actualmente, cerca de 60% de toda produção mundial.

Apesar de existirem algumas ameaças que a indústria mundial enfrenta, como a recente produção de diamantes artificiais ou diamantes sintéticos, que são hoje comercializados nos grandes mercados e a descoberta de novas zonas de diamantes como as minas do Canadá com um potencial de reservas enorme, especialistas afirmam que não se prevê uma alteração no preço de mercado dos verdadeiros diamantes. Tem havido um grande esforço dos países produtores de forma a permitir a defesa do produto no mercado. Daí, que a certificação de diamantes seja um assunto que está hoje o topo da agenda internacional.

A médio prazo espera-se a concretização de um conjunto de medidas que poderão melhorar a exploração deste escasso mineiro, pois apesar de ser a segunda fonte de receita do estado gerando volumes de negócio superiores a 1.000 milhões de dólares por ano o sector emprega uma pequena faixa da população activa. Outro aspecto importante prende-se com a natureza actividade que exige investimentos de capital intensivo sujeitos a riscos e custos de operação altíssimos daí que a lei privilegie cada vez mais as parceiras, com vista a repartição de custos e proveitos. 

O país tem ganho terrreno na esfera internacional, Angola recentemente presidiu a associação dos Países Produtores de Diamante (ADPA) esta associação tem como  membros efectivos a Angola, África do Sul , Botswana, Gana, Guine Conacri, Namíbia, República centro africana, República Democrática do Congo, Serra Leoa, Tanzânia, Togo e Zimbabwe e um conjunto de países africanos como membros observadores. 

Esta plataforma permite aos países produtores a troca de experiências e informação sobre variados assuntos ligados a exploração e comercialização de diamantes. Por outro lado, possibilitará aos países membros uma maior intervenção mundial nas políticas de diamante, pois África detém uma parte significativa da produção mundial e deve ter um papel interventivo neste sector. 

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