CULTURA

 
6 de abril 2017 - às 15:48

ARTISTA PLÁSTICO ANTÓNIO FELICIANO "KIDA": URGE VALORIZAR A ARTE!

O artista plástico António Feliciano "Kida", em entrevista a Figuras e Negócios recorda que o conceito de ”Arte Elitizada” no mercado angolano é falso, na medida que existe muito boa gente com sentimento estético bastante apurado, porém com dificuldades financeiras para poder adquirir obras de conceituados artistas mas, e em contrapartida, existem os tais «elementos de elite» que, tendo dinheiro, em alguns casos mesmo sem noção do sentido estético das obras de arte que adquirem, lá compram por simples «status social»

 

O conceito de ”Arte Elitizada” conforme aqui é colocado, remete-nos, necessariamente, a uma série de reflexões aprofundadas e nesse contexto há que aduzir, antes de tudo, os seguintes aspectos: A arte, por si só, é “comerciável” para todos quantos tenham poder económico para o efeito. Contudo, e o que acontece, é que para a nossa realidade concreta, muitos (não todos, é claro) adquirem obras de arte (esses “bonecos”, como ignorante e pejorativamente designam as criações artísticas), talvez porque eventualmente não tenham mais onde “despachar” os recursos financeiros que alguns elementos dessa chamada «elite» possuem e não têm onde gastar, depois de terem as garagens repletas de maquinas motoras de altas cilindradas da última geração, que constitui, lamentavelmente, o seu mundo material, esvaziado do mundo espiritual e estético das coisas que os rodeiam. A arte, convenhamos, é o sublime da racionalidade humana!

O artista avança que na década dos anos 80 foi exibida em Angola uma novela brasileira na qual, uma determinada «família nobre» fazia questão em ter «também» na sua majestosa mansão, uma obra original do famosíssimo pintor Pablo Picasso sem que, no entanto, tivesse noção do perfil do artista em referência no contexto universal das Artes. 

"Para eles, era simplesmente uma questão de «status social» que os impulsionava em ter obra de tão insígne figura. Dito isso, creio que se pode facilmente apreender e perceber sobre o errado conceito da chamada ”Arte Elitizada”. E para ser disseminada e sair da restrição ”artificial” existente, é termos de apostar, obviamente, na educação estética da sociedade e, por via disso, haver paralelamente o poder económico necessário para a satisfação de grande maioria da população, que terá certamente desejo e necessidade de consumir os produtos artísticos nos seus mais distintos domínios e vertentes.

A internacionalização da arte angolana é um factor que não pode e nem deve ser negligenciado, sob pena de estarmos permanentemente excluídos do Circuito Internacional de Arte que é a “Galeria” onde os criadores almejam chegar.

Ligado ao mundo das artes há mais de 37 anos, Kidá orgulha-se de ter sido o criador da logomarca de Angola na Expo-Zaragoza 2008.

 

QUEM É ANTÓNIO FELICIANO “KIDÁ”

Nascido aos 25 de Setembro de 1961, na província do Bengo, António Feliciano iniciou a sua formação e carreira artística em 1980, tendo feito cursos básicos de desenho, pintura e cerâmica no ex-Barracão e na União Nacional dos Artista Plásticos (UNAP). 

Em 1989, Kidá partiu para Portugal, onde, na Vila Nova de Cerveira, fez o curso médio de artes plásticas, para além de outros cursos. Naquele país, fez ainda as suas três primeiras exposições individuais nos anos 1994 e 1995 (todas com o título "Exposição de Linóleogravuras". 

Em Angola, as suas duas amostras individuais foram feitas em 1996 "No Trilho da Goiva" e 2006 "20 Anos de Gravura - Exposição Retrospectiva". 

António Feliciano foi vencedor do Prémio Nacional de Gravura, instituído pela UNAP em 1987, bem como do Prémio Cidade de Luanda de Artes Plásticas/Gravura em 1999.

Actualmente exerce o cargo de Director Nacional de Formação Artística do Ministério da Cultura.

 

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