PAÍS

 
3 de abril 2018 - às 06:59

ANGOLANOS VIVERAM MOMENTOS DE INCERTEZA EUFORIA DEU LUGAR À ANSIEDADE GENERALIZADA

No dia 26 de Dezembro, os angolanos fixaram os olhos nas Tvs nacionais e internacionais e puderam assistir o lançamento do Angosat 1. A norte de Luanda, numa pequena localidade – a Funda - esteve em prontidão uma equipa pesada de técnicos nacionais do centro de controlo e missão de satélites do Angosat1, para acompanhar a trajectória do engenho. O centro constituiu-se  como estrutura terrena primária de controlo, secundado por outro centro  na Rússia, em Korolev. Entretanto, milhões de angolanos acordaram no dia seguinte bastante preocupados com o futuro do engenho lançado em órbita, mas que horas depois deixou de dar sinais vitais de vida. O centro “mais inteligente” do país e arredores ( dá para arriscar), tem a missão de controlar, rastrear e fazer a telemetria dos dados enviados pelo Angosat-1

 

Para colocar no espaço o seu primeiro satélite, o país gastou trezentos e vinte milhões de dólares  (269,6 milhões de euros), um investimento projectado desde 2009, altura em que Angola ainda não sentia profundamente a crise financeira internacional já vivida um pouco por todo o lado, incluindo na Europa.

O satélite colocado em órbita acabou por fazer crer ao mundo que o país está apostado em  continuar a investir nas telecomunicações e ao mais alto nível, aguardando-se, com evidentes emoções, que o aparelho angolano mais caro passe nos testes que vão durar até março, aproximadamente.

Nos próximos quinze anos e provavelmente até serem lançados mais satélites angolanos para o  cumprimento do Programa Espacial de Angola, vamos ouvir falar do centro de controlo e missão de satélites, cujo edifício possui três pisos, um teleporto, parque de estacionamento com 50 lugares, áreas verdes e outros compartimentos.

…Momentos depois de ter cruzado o espaço, as redes sociais “congestionaram-se” com centenas de milhares de posts e comentários sobre o acontecimento do ano. O motivo não era para menos. Orgulhosos, a maior parte sentia-se ao mesmo tempo no direito de saber se efectivamente o investimento efectuado terá valido a pena, numa altura em que o país atravessa uma situação bastante delicada no domínio da sua economia e finanças.

Outros, mais cépticos, convergiram para as margens do descrédito. Todavia, houve quem, e não eram poucos, teve logo a capacidade de discernir o momento com maior ponderação, alguma razoabilidade na análise da questão do momento, como foi o caso do jornalista Honorato Silva que esteve integrado na delegação angolana que esteve na Rússia: “não acredito que irmãos nossos chegaram a torcer para que o nosso satélite ontem se desintegrasse no lançamento. 

No final, dei um abraço sentido ao Ministro José Carvalho da Rocha, que vi chorar naquela sala feito uma criança. Apanhei boleia naquela lágrima que escorria pelo seu rosto e chorei também. Viajei no tempo e reencontrei as inúmeras vezes que chorei pelos feitos dos nossos desportistas em África e no Mundo. É mais um dia que entrou para a nossa história”.

Para o  Engenheiro Rui Santos, “algumas das afirmações feitas por algumas pessoas não fazem grande sentido para quem sabe minimamente do assunto” “ (…)O Angosat foi decidido num momento de Angola e África completamente diferente do actual ... Veja-se que só tem Banda C e banda Ku ... Veja-se também que aumentou a oferta sobre África de forma significativa ... DITO ISTO não quer dizer que o Angosat não seja um projecto viável ...”, alerta.

 Opina que uma vez que  com a entrada em funcionamento do satélite os operadores passarão a fazer os seus pagamentos em Kwanzas, todos eles terão vantagem. Rui Santos considera que a equipa técnica que foi formada “é muito boa” e, conforme relatórios, “do melhor que existe em África e comparável a outras equipas de outros países”.O engenheiro afirma que “o investimento está feito, o satélite está no ar e que “dentro de algo como 3 meses começa-se a vender”. E conclui:”agora só temos todos que lutar para que as coisas funcionem e se tire partido delas... Mesmo que não haja outra vantagem, só o facto do segmento espacial agora poder ser pago em KZ é uma vantagem muito grande para todos os operadores”.

Por seu turno, KBGala Gala, encarou como “naturais” as manifestações de desaprovação do investimento no projecto Angosat 1, pois  “a unanimidade é sintoma de uma nação que não pensa pela cabeça de cada um dos seus nacionais”.

“Foram 38 anos de corrupção. Há uma relação imediata entre a corrupção e as desgraças que o país conheceu e continua a sofrer.

Sem um sistema nacional de saúde, propriamente dito, falta de energia e água, e pão para comer;falta de investimento, que honre este nome, na educação: há mais fabricas de cerveja e outros líquidos vivificantes, do que as de leite, por exemplo…Os 320 milhões seriam melhor empregues em lanches para as crianças nas escolas? Sim.

Mas, há o outro lado da moeda: precisamos de tecnologia, instrumento indispensável, justamente para mitigarmos as assimetrias. Há muitos lugares e lugarejos, aldeias e até comunas, onde só se chega de helicóptero.

Queremos ou não a integração nacional? E Angola e os angolanos, na Era espacial? 

No Egipto, em representação do MCS, participei da Conferência sobre a "inclusão digital" em África.É disso que falamos. Li aqui uma bela pea sobre o projecto Angosat, que de resto partilhei, onde encontramos as noções elementares do "dossier".

Claro está: as pessoas, nas redes sociais, acham que já sabem tudo, não mais precisam de outros saberes, e são donas de uma razão vitalícia. O projecto Angosat proporcionou a engenheiros nossos a inclusão na Era espacial.Não vem, por enquanto ao acaso, a opção pela Rússia e houve quem tenha levantado suspeitas quanto ao demónio dos códigos.

É razoável a dúvida, mas ela subsistiria na mesma se outro fosse o parceiro. Não é de bom tom desprezarmos o Angosat. Há, repito, técnicos nossos no projecto e temos o dever de os encorajar”, escreveu. 

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