POLÍTICA

 
1 de dezembro 2016 - às 19:09

ANGOLANOS EM MARATONAS POLÍTICAS EDUARDO DOS SANTOS PODE NÃO SE CANDIDATAR EM 2017

As eleições gerais em Angola deverão acontecer em Agosto de 2017, as principais forças políticas já trabalham na mobilização do seu eleitorado e começa-se a conhecer o rosto daqueles que serão cabeça de lista das diferentes formações políticas na disputa do cobiçado cargo de Presidente da República de Angola. Sabe-se de antemão, que Isaías Samakuva se apresentará pela terceira vez consecutiva como candidato da UNITA e na Casa-CE Abel Chivukuvuku será o escolhido dessa coligação que recentemente, em Congresso, se constituiu em partido

 

No MPLA, partido no poder desde a proclamação da independência nacional, continua-se sem se saber se o Presidente Eduardo dos Santos será o cabeça de lista dos Camaradas atendendo que num passado recente ele reafirmou a sua intenção de abandonar a política activa. Para já, João Lourenço foi eleito no último Congresso do MPLA vice-Presidente do Partido e círculos muito bem informados da sociedade o apresentam como o futuro cabeça de lista dos camaradas caso se concretize a ausência de Eduardo dos Santos.

Comenta-se, alias, que na última reunião do Bureau Político do MPLA, realizada no início de Novembro, o Presidente José Eduardo dos Santos terá deixado implícito aos seus camaradas que está determinado a retirar-se da vida política, possivelmente já não se apresentando às próximas eleições.

O cada vez mais elevado grau de consistência do cenário de uma retirada política do Presidente Eduardo dos Santos em 2017, por reflexão da eleição de outro Presidente, como acontecerá caso ele não se apresente como o cabeça de lista do seu Partido, advém de informações soltas acerta de discretas diligências relacionadas com a sua sucessão, efectuadas pelo próprio ou por pessoas muito próximas a si.

João Lourenço, actual Ministro da Defesa, uma figura muito conhecida nos meandros do Partido dos Camaradas com forte influência em sectores determinantes do regime, é tido como o candidato à substituição de Eduardo dos Santos na eventualidade do MPLA vencer as eleições gerais.

Para se acabar esses pontos de interrogação, nada abonatórios para um Partido que quer continuar a ser a força dirigente do País, figuras influentes da direção do MPLA acreditam e esperam que na próxima reunião do Comité Central do Partido, previsto para os primeiros dias de Dezembro, José Eduardo dos Santos anuncie abertamente a intenção de não se recandidatar. Conjectura-se no entanto que ele poderá manter-se como Presidente do MPLA, reeleito no Congresso de Agosto até uma reunião magna do Partido em 2018, reiterando assim a vontade que publicamente manifestou de se retirar nesse ano da vida política ativa. Completaria assim um processo de retirada a iniciar com a sua não apresentação como candidato às eleições gerais de 2017.

A hipótese considerada segura da candidatura de João Lourenço ao cargo de Presidente da República figurando assim como cabeça de lista do seu Partido deu já lugar a conjecturas acerta de quem será a personalidade a apresentar como candidato a vice-Presidente, ou seja, o segundo da lista.

Nomes como o de Carlos Feijó, Bornito de Sousa, Paulo Kassoma e Manuel Júnior têm sido referenciados como potenciais candidatos mas nos bastidores dos Camaradas aventa-se a hipótese de se alterar numa oportunidade mais próxima a Constituição para que o cargo de vice-Presidente da República seja mais convidativo e não decorativo como acontece agora, onde é um coadjutor do Presidente da República e com poderes delegados. Na verdade, a Constituição foi talhada para permitir uma governação mais folgada de Eduardo dos Santos, e, na hipótese da sua retirada da governação, fontes abalizadas defendem uma melhor distribuição de poderes de forma que o que vier a ser Presidente da República não tenha sobre si o peso todo da governação.

Neste cenário, justifica-se a permanência de Eduardo dos Santos na direcção do MPLA de forma que ele possa conduzir sem atribulações essa transição de métodos e pessoas sem faíscas comportamentais. Afinal, o MPLA, há muito tempo na governação, é um Partido que denota alguns laivos de falta de coesão interna que precisará, na hora de mudança de liderança, de um farol orientador, no caso Eduardo dos Santos, que, como exímio conhecedor das pedras do seu Partido, saberá orientar a sua colocação.

Com 74 anos de idade, José Eduardo dos Santos, 37 como Presidente da República, denota nos últimos tempos um estado de fadiga mas nítido do que anteriormente. A decisão de se retirar da vida política ativa em 2018 terá sido influenciada por factores como o seu actual estado de saúde e, quiçá, a erosão da sua popularidade. Um abandono voluntário e ordenado da vida  política, poderá, conforme conselhos de círculos que lhe sugerem tal via, inclusive familiares directos, permitir-lhe-á recompor-se do seu actual estado e melhorar a sua reputação pessoal e política, ele que é tido como o Arquiteto da Paz.  

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