SOCIEDADE

 
6 de setembro 2017 - às 08:16

ANGOLANOS ADAPTAM-SE À CRISE

Continua a registar-se nos últimos dias o aumento do preço dos produtos no mercado, facto que preocupa os cidadãos. Um problema que especialistas e governantes atribuem à queda do preço do barril do petróleo a nível internacional e a redução das reservas de moedas estrangeira no nosso país. Em função da realidade actual os angolanos foram obrigados a criar mecanismos de sobrevivência e adaptação a nova realidade financeira

 

A situação económica e financeira do país é difícil, sobretudo desde 2013, com a baixa assinalável do preço do petróleo no mercado internacional.

Esta situação obrigou o Governo a reajustar o seu Programa e, por conseguinte, a redefinir as despesas públicas para que fosse possível assegurar a sustentabilidade da sua agenda de desenvolvimento. Como resposta foi necessário adpatar uma estratégia para fazer face à crise, com vista à diversificação da economia e diminuição em relação ao petróleo bem como maior acutilância na cobrança de impostos. As prioridades passam pelo aumento da produção interna, da redução das importações, fortalecimento do tecido empresarial nacional, da promoção e criação de emprego e a diversificação das fontes de receitas fiscais e divisas.

Mas o que é que a população está a fazer para se readaptar? Ouvimos alguns citadinos que se  mostraram inconformados com a realidade económica actual. A palavra comum a todos é “adaptação” ao mesmo tempo que pedem mais transparência e eficiência na gestão dos recursos.

Rufino Quirima, 35 anos, funcionário público, explicou que vive uma situação difícil  e que constantemente tem de ajustar os gastos para sobreviver. 

 Joana António, 33 anos, que se dedica ao câmbio informal de dividas, com dois filhos, diz que a solução é adaptar-se à crise. A mesma explicou que nos últimos meses os produtos no mercado voltaram a subir dando exemplo do bidon de óleo de 25 litros que antes custava 5 mil kwanzas agora passou para 8 mil kwanzas, já o bidon de cinco litros qua antes custava 750 agora custa 2.100 kwanzas o arroz que custava 2 mil a 1. 800 kwanzas agora passou para 4.500 a 5 mil kwanzas. Para sobreviver explicou que teve que diminuir o número de refeições em sua casa. “Agora os meus filhos só matabicham às 12 horas para depois esperarem o jantar quando eu chego em casa”, explicou. 

Já Jorge Boane, 40 anos, funcionário público, explicou que a crise em Angola é um facto e que a vida tem sido difícil para a população, principalmente a de renda baixa e que a subida de preços no mercado desestabiliza a vida das famílias. Para adaptar-se ele explicou-nos que faz trabalhos extra para que no final do mês consiga ter mais recursos para além do salário. “Tenho me virado com alguns trabalhos, prestando serviços fora da hora normal de trabalho, aquilo que vai me dar equilíbrio para poder economizar e mesmo assim não é suficiente”, lamentou. Outra das opções foi reduzir a quantidade da alimentação em sua casa, deu como exemplo o pequeno-almoço que agora é em porções reduzidas. 

Maria Luísa Augusto, 47 anos, empregada doméstica e mãe de quatro filhos, explicou que já se acostumou à nova realidade que o país enfrenta e que uma das soluções encontradas é comparar os preços antes de decidir para além de “jogar kixikila”, ou seja, um sistema que funciona em grupo em que mensalmente todos os integrantes têm que dar um valor acordado previamente a um dos membros. 

Para Amadeu Agostinho, 42 anos, com um agregado familiar de quatro filhos, a adaptação à nova realidade angolana tem sido difícil para todos os angolanos, tudo porque a subida de preço do mercado não é compatível com salário do cidadão angolano. “Somos obrigados a fazer muita ginástica, não depender apenas do salário, procurar fazer algo adicional para poder dar subsistência a esta dinâmica que nós estamos a enfrentar, temos a escola para pagar, despesas correntes, é muito difícil mesmo”, realçou.

O mesmo referiu ainda que em função da nova realidade tem que trabalhar mais horas, quase a triplicar, porque, segundo o mesmo, tem que fazer outros trabalhos adicionais que não fazia. “Trabalho oito horas por dia e depois disso tenho de fazer mais outra coisa adicional enquanto que naquela altura eu trabalhava menos. 

Amadeu contou que mesmo com está situação de adaptação muitas pessoas ainda estão a ser despedidas dos seus postos de trabalhos o que agrava ainda mais a situação de muitas famílias e por outro lado as próprias empresas também querem manter-se em funcionamento e dar sustentabilidade aos seus funcionários. Quanto à sua realidade familiar disse que nos últimos tempos tudo tem sido feito com uma boa gestão onde o básico não pode faltar, considerou mesmo que esta situação, por um lado, está a ajudar aos angolanos a melhor racionalizarem e gerirem os seus ordenados. 

“A consciência financeira do angolano mudou muito, alguns angolanos estão a gerir melhor os seus ordenados, creio que é uma experiência onde as pessoas vão sabendo gerir um bocadinho mais”. 

Para ultrapassar a situação, Amadeu defende que é necessário que haja diversificação da economia e um foco na agricultura e na industrialização e que para ele é preciso que o governo deixe de pensar que Angola só irá desenvolver-se com base ao petróleo. 

Já Maria Francisca, 39 anos, mãe de três filhos, explicou que as condições de vida na cidade de Luanda são cada vez mais difíceis. “Nós que vivemos na Ilha estamos mal, o salário com o táxi e a minha alimentação não recompensa em nada, como não quero ficar em casa vamos, tenho que continuar”, explicou, contudo, acrescentando que devido a realidade actual a família come menos carne e que a dieta é essencialmente de peixe e frango. 

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