MODA & BELEZA

 
28 de julho 2016 - às 08:31

ANGOLA FASHION WEEK: GLAMOUR E CULTURA COM TENDÊNCIAS EURO-AFRICANAS

Com o objectivo de promover o intercâmbio entre criadores angolanos e estrangeiros, o Centro Cultural Paz Flor, em Luanda, albergou durante três dias do mês de Junho, o maior evento de moda nacional, o Angola Fashion Week que reuniu as principais marcas angolanas e algumas internacionais, com a organização assegurada por Emília e Ndalu Morais. 

 

Palanca Negra Gigante”, foi o tema da edição 2016, por ser uma subespécie invulgar de antílope que pode ser encontrada apenas em Angola, exactamente na Província de Malanje. 

Durante os três dias participaram mais de 30 estilistas nacionais e estrangeiros, manequins de renome como Maria Borges, Sharam Diniz, Débora Montenegro e Anna Hickmann como convidadas especiais. Na plateia figuras de destaque da sociedade, como a Secretária de Estado das Relações Exteriores, Ângela Bragança, o Presidente da Federação Angola de Futebol, Pedro Neto, Maria Eugénia Neto, empresários, artistas plásticos, músicos, jornalistas e amantes do bem vestir.  

A escola de moda para os novos talentos “Angola Fashion School” abriu os desfiles de cada dia da “semana de moda”, passaram igualmente as marcas: Jeans Amopô (Brasil), Antonieta Almeida (São Tomé e Príncipe), Exotrik (Cabo Verde), Gio Rodrigues (Portugal), Laud´S, Requinte & Lealdade, King & Queen by Pacaça Segunda e Vina Criolo, Hellen Couture, Farruska, Lenny Nemeyer, Asuen Suetam, Boutique Irina´s By Irina Mirandela, Letícias´s by Gersy Pegado, By D.S, Wiltic, Cleópatra Tchitchi, Manzavat Nankhova, Wany Kiamy, Ronaldo Fraga, Felícia Mohatmam, Panzu´ss by Panziu´s, Hava by Hassie Oliveira, Nivaldo Thierry, David Tlale (África do Sul) e Soraya da Piedade. Já os criadores como Tom Ford by DuCarmo, Allex Kangala e Fiu Negro foram os destaques do final do desfile de cada dia. 

A passerelle do considerado mais prestigiado e maior evento de moda angolana ficou ainda marcada com o requinte, elegância, glamour, cores, surpresa de novos talentos de moda, tendências para todas as estações do ano, colecções europeias, africanas, indumentárias para todas as ocasiões, arte e cultura. 

Já os artistas Paul G, Lípsia, Laton, Chelsy Shantel, Nanuto e o grupo tradicional PT K, tiveram a responsabilidade das animações musicais. 

 

ÁFRICA, FINALMENTE?

Eles são numerosos em todo o continente, incorporam de forma real um "Made in África" moderno e sem fronteiras. Resta agora desenvolverem um modelo real de negócio. É a moda de África que se impõe no mundo

Reflexões sobre o continente levam a crer que os estilistas africanos de momento são as locomotivas potenciais da economia de África. O sul-africano David Tlale, que lançou a sua linha de roupa em 2003, em Joanesburgo, aos 28 anos, foi sensação no momento por causa do seu lado "teatral e pouco ortodoxo", de acordo com a imprensa sul-africana. As suas peças para homens e mulheres distinguem-se pelos cortes elaborados, o toque moderno, couro e ouro, valorizado pelas novas elites da nação arco-íris, que preferem tons únicos, elegantes e ocidentais (amarelo, preto, branco, rosa), em vez das estampas coloridas. Emblemático, no seu ponto de vista, a sua linha de blusas brancas foi ironicamente baptizada por "O Poder das Blusas Brancas", pelo criador.

Por sua vez, o nigeriano Duro Olowu, nascido em Lagos, filho de pai nigeriano e mãe jamaicana, foi descoberto pela revista Vogue em 2005, apenas um ano após o lançamento da sua casa de moda em Londres. Ele reivindica a extravagância da Nigéria recordando os casais da década de 1970, com misturas de estampas, cortes ligeiros e longos até ao tornozelo que apaixonou toda a África Ocidental. Espalhou pelo mundo a sua moda cheia de cores e alegria.

Quanto ao tunisino Soucha, formado pela academia de moda em Florença, na Itália, causou agitação no Cairo com a sua linha de roupa "Moda Soucha", lançada em 1997. Casacos sofisticados para mulheres cobrindo-as por todos os lados e materiais transparentes para usar à noite. A sua mais recente colecção "Viúva Negra" oferece um ar fresco aos egípcios, jogando convenções, sociais e religiosas...

Além dos percursores que foram a franco - tunisino Azzedine Alaia, de 75 anos, e o marroquino Fayçal Amor, de 66 anos, existem muitas outras estrelas africanas que brilharam em outros lugares, de Rabat ao Maputo, como Fedila el – Gadi, Karim Tassi, Said Mahrouf, em Marrocos e o moçambicano Taibo Bacar, reconhecido no mundo lusófono. África irradia até Camboja, onde o malgaxe Éric Raisina está activo, poeta de seda sobre todas as suas formas, cor, couro bordado ou formato. O seu ateliê de alta-costura, com sede em Siem Reap, fornece tecidos exclusivos a pessoas prestigiadas, como Christian Lacroix e Yves Saint Laurent. Ele concentra o seu trabalho no material e na cor, conserva um estilo universal, que lhe garantiu aparições em muitas passarelas, na Ásia, na África, na Europa e nos Estados Unidos.

As mulheres e os jovens não são deixados de fora nas criações de Nkhensani Nkosi; Stoned Cherrie, em Joanesburgo, no final de 1990, fundou as marcas de luxo africano, "pronto-a-vestir"; Sakia Lek talentosa estilista de Brazzaville, Maléombho Loza, de 30 anos, com sede em Nova York, onde, por sinal, fez os seus estudos, e em Abidjan montou o seu estúdio.

 

Divulgação - Na África francófona por muito tempo, grandes nomes são destaques desde a década de 1990, nomeadamente o nigeriano Alphadi, a senegalesa Oumou Sy e a camaronesa Ly Dumas. A internet desempenha um importante papel na expansão e na abertura de uma moda que não só é "ética", "arte" ou "alta-costura", pois vem oferecer identidade no vestir de artistas e gente da alta saciedade. 

No continente existe um grande número de criadores, embora ainda confinados nos seus respectivos ciclos de mercado. Com lojas virtuais, é claro, eles ainda não têm, no entanto, a capacidade de produção suficiente para abranger as massas. No Senegal, Diouma Dieng Diakhité por muito tempo veste mulheres de presidentes e ministros da África com requinte. Em Dakar, Lamine Diassé costura fatos em wax e Selly Raby Kane, vestidos futuristas em peças que transbordam o talento dos jovens.

 

Aspiração ao pronto-a-vestir - Estes estilistas aproximam-se de uma lógica do pronto-a-vestir, que efectiva o sonho de consumo de uma Zara africana, mas carecem ainda de bases industriais e redes de distribuição digna deste nome. Portanto, Adama Paris, criadora e organizadora do "Black Fashion Week", em Dakar, Paris, Montreal, Bahia e Praga, pensou principalmente no marketing e plano de negócios (ler a entrevista nas páginas seguintes). Em 2014, fundou o canal de televisão "Fashion Africa TV", agora quer reconstruir a indústria de vestuário no Senegal, morta em 1990, por privatização e concorrência chinesa.

A "Black Fashion Week" visa mostrar talentos que outrora o mundo não conhecia, estando eles em países pequenos em representação de mercado. A moda africana pode parecer ser antiga, mas, de modo geral, ainda está na sua infância. Um exemplo: o jantar oferecido em Agosto de 2014, na Casa Branca, aquando da cimeira dos Estados Unidos-África, a esposa do vice-Presidente Joe Biden, Jill causou óptima impressão com o seu vestido azul com renda, feito sob medida, com tecido Vlisco proveniente de Kinshasa. 

Michelle Obama, a mais famosa entre as mulheres mais elegantes, foi trajada por Duro Olowu. Usava naquela noite uma criação de Prabal Gurug, jovem estilista, indiano, formado no Nepal e com base em Nova Iorque. Os comentários da imprensa americana afirmam que Monique Gieskes não é uma estilista, mas sim a gerente da loja Vlisco em Kinshasa, uma publicidade melhor do que qualquer artigo da revista de moda dedicada à África. As mulheres são, por vezes, relutantes em aceitar um estilo mais africanizado diferente de convenções impostas outrora. 

Na França, boas iniciativas são apresentadas. Suzanne Magne-Atangana apaixonada pela moda, fundou a loja virtual "Hâpyface", dedicada aos criadores africanos. Por outro lado, Natacha Balaka, consultora de origem congolesa, trabalha para o Labo International (ex-Labo Ethnik), que apresenta a moda de todos os continentes em lojas pop up efémeras, onde todos os anos é possível fazer compras em Paris. No entanto, um entrave maior surge quando se fala em alta costura africana, porque se sabe que Paris é a capital mundial da moda e a antiga potência colonial de alguns países africanos. Tudo isto se tornou evidente num debate animado em Janeiro de 2012, solicitado por um artigo da revista Elle, intitulado "A força da Moda Negra", onde a jornalista ficou surpresa ao ver os negros bem apresentados nos Estados Unidos, prontos para sair às ruas segundo o "código dos brancos"..."racismo", julgou a jornalista de origem indiana Audrey Pulvar. Em Março de 2013, a revista Número foi assunto de destaque, na época, por causa da sua sessão fotográfica "Rainha africana". Estão errados? Encenou uma loira cuja pele foi pintada em bronze, em vez contratar uma manequim negra. Outro desconforto relacionado à prática da foto "blackface" aconteceu em Novembro de 2013, no Instagram, em que uma jornalista da revista Elle, de peruca afro e rosto chocolate fez escândalo nos Estados Unidos...

Lamine Badian Kouyaté, criador senegalense-maliano de Xuly.Bet , até a data, é o único africano que criou uma marca reconhecida em todo o mundo para pronto-a-vestir ainda procurada por apreciadores em Pequim e Tóquio. Vestiu muitas estrelas e estava em uma limusine em Nova York, depois de ter sido encarnado na tela por Forest Whitaker, em 1994, no filme "Prêt-à-Porter", de Robert Altman. Tudo aconteceu sem um mercado estável, a falta de investidores dispostos a investir e sem uma casa ou loja de moda. Depois de lançar a moda africana do gueto, Xuly. Bet livrou-se de outra camisa de força. Tal como muitos estilistas africanos, que ainda estão à procura de uma solução de negócios que os permita tirar o sapato da lama. 

(In revista Afrique Magazine). 

 

ADAMA PARIS, EMPRESÁRIA AFRICANA DE MODA

OS AFRICANOS NÃO INVESTEM  NA SUA PROPRIA CULTURA!

"Temos de investir na nossa própria cultura! "

Estilista, empresária e militante, ela organiza as "Black Fashion Week" desde 2002. Um caminho incrível que a leva de Dakar à Praga, da Bahia a Montreal e a Paris.

Filha de diplomata, nascida no Zaire (antiga RDC), em 1976, cresceu na Alemanha, Egipto, Costa do Marfim, França, Itália, Estados Unidos e na Croácia. Depois de se formar em Ciências Económicas em Paris-Dauphine, Adama Amanda Ndiaye começou por trabalhar em um banco. Um universo que ela logo deixou para retornar à sua paixão, de corte e costura. Rapidamente, ela lançou a sua linha de roupa sob o nome Adama Paris, em seguida, aos 27 anos, em 2002, organizou a primeira "Black Fashion Week", em Dakar. Uma semana anual que se vai repetir na Bahia, Montreal, Praga e Paris, para expor estilistas africanos. Tenaz e positiva, com sede em Dakar desde 2008, ela fundou, em Abril de 2014, a "Fashion Africa TV", uma transmissão por CanalSat em todo o continente. Nos seus projectos em carteira constam a construção de uma indústria têxtil no Senegal, onde Icotaf e Sotiba - Simpafric, empresas públicas, não sobreviveram à sua privatização na década de 1990.

 Como foi a "Black Fashion Week" de 2015, em Paris?

Adama Amanda Ndiaye (AAN) - A quarta edição de 19 de Novembro foi adiada para 10 de Dezembro por causa dos atentados em Paris. O conselho da cidade decidiu manter-se reservado, e mesmo que tivesse sido duma outra forma, teria sido impossível organizar um desfile naquela época. Enquanto isso, uma homenagem foi entregue às vítimas entre as quais a esposa do meu primo. Nós trouxemos estilistas da Nigéria (Ejiros Amos Tafiri), do Gana (Totally Ethnik), da Costa do Marfim (Zak Koné, Tim Création, Pelebe), do Senegal (Face to Gaith), Djibouti (Racha Farah), do Congo-Brazzaville (Sakia Lek), do Brasil (Carol Borreto), da Bélgica (Élise Muller), da Moldávia (Evgheni Hudorojcov) e de Guadalupe (Éliette Lesuperbe). Os problemas com o visto impediram de vir três criadores, contra seis na edição de 2014. O lado positivo é que tivemos a grande oportunidade de ter uma boa parceria com a Galeries Lafayette, que veio forte, com doze dos seus serviços de compras, bem como o Bon Marché e mais marcas, como Monoprix para o qual já seguiamos. A imprensa francesa estava mais interessada do que antes. Controvérsias sobre o nosso evento pararam. Os editores e blogueiros de moda estão agora a olhar para o conteúdo do que propomos nas criações.

O que diria àqueles que depois de terem assistido ao seu desfile, sentiram-se frustrados por não poderem comprar os seus vestidos? 

AAN - Eu entendo-os, mas o nosso objectivo não é a criação de lojas como uma feira ou exposição. Sem os desfiles seria impossível se conhecer um criador para se destacar e não ser confundido com um "costureiro". Os pódios são um passo para a venda. Por si só, os shows já são difíceis de organizar. Os criadores estão dispostos a vir para Paris desde que não gastem dinheiro. Então, eu encontro parceiros e eu pago a taxa. Por trás da "Black Fashion Week" esconde-se uma economia dinâmica que nem sempre é perceptível. Se os criadores, em seguida, dão-se ao luxo de fornecer e responder à solicitação de encomendas, entraremos em outro debate. A situação continua complicada, porque os estilistas africanos não têm acesso a crédito, ao passo que a produção em massa ainda não foi estruturada. Para encomendas que excedam vinte ou cinquenta peças, temos de ir para Marrocos, China, Turquia e Portugal. Trata-se de viagens, bem como os custos adicionais...

As empresas de pronto-a-vestir e as de alta-costura estão condenadas a permanecerem pequenas no continente?

AAN - Não, e é por isso que eu passo o meu projecto da fábrica de vestuário no Senegal. O objectivo é fazer com que se produza "Made in Africa" em massa. O ecossistema no continente não percebe que os criadores não têm acesso ao capital. O que se tem não é o suficiente para participarem dos desfiles. No entanto, devemos  procurar financiadores.

Por que não procuram por apoios?

AAN - Em última análise, eu acho que a "Africa Fashion TV" vai aumentar a minha visibilidade. A verdade é que os africanos não investem na sua própria cultura! As áreas da música e audiovisual já estão com problemas e eles são muito mais desenvolvidos do que moda. Um alto membro do governo, no Senegal, surpreendeu-se quando me ouviu falar sobre pesquisa de mercado. "O desfile é forma de diversão para nós," disse-me ele. Uma pequena frase que se resume num estado de espírito que pode prevalecer. Tudo isso é percebido como puro entretenimento, em que veremos lindas jovens a expor os seus corpos em passarelas… no final, todo mundo vai para casa!

Verifica-se o mesmo na África anglófona?

AAN - Não! Estes países estão a anos-luz de distância. A África do Sul, por exemplo, tem sido capaz de implementar políticas para ajudar os seus criadores a virem para a Europa e pagar-lhes uma visita. Os nigerianos são os que mais investem na moda em relação ao resto da África Ocidental. As mulheres que estão activamente neste domínio têm um poder de compra e uma rede rica em torno delas. Por exemplo, a "Black Fashion Week", em Lagos, conseguiu um patrocínio do grupo Heineken. Em casa, não podemos nem mesmo esperar pela ajuda de nossos governos para obter vistos para a França! Vou continuar  a financiar a "Black Fashion Week" pela força de vontade, para colmatar o fosso entre o desejo de fazer arte e de fazer negócios.

Onde consegue dinheiro?

AAN - Eu peço aos políticos, homens de negócios, a todo o mundo. Eu explico que a moda é uma arma diplomática para vender uma imagem diferente da África no mundo. Este ano, um bom samaritano ajudou-me, porque eu perguntei a ele se existe outra política cultural que pudesse atrair os investidores? " Os bancos não vêem conexão entre os meus eventos e os negócios.

Nos eventos têm sempre três ou quatro criadores já conhecidos… os estilistas são sempre os mesmos ou faz algumas alterações?

AAN - Em cada nova edição do "Black Fashion Week", eu mudo o programa. Eu defendo a criação contemporânea. O respeito para os mais velhos é essencial na nossa cultura mas no mundo dos negócios faz toda a diferença. Um desfile não é uma instituição de caridade ou de negócios diplomáticos. Eu não tenho de convidar sempre os mesmos. Negócio é negócio! Aprendi a dizer não, para evitar compromisso e não organizar desfiles que duram duas horas, porque a intenção é de cá estarem todos. Ao longo dos anos, tive o cuidado de convidar todos os designers para a "Black Fashion Week". Eu não quero realizar eventos onde é tudo muito repetitivo. Eu invisto para promover pessoas em uma base que não seja do nepotismo.

Já esteve em debates sobre a autenticidade na moda?

AAN - Na área da língua francesa, sim. Não entre os anglófonos, que olham para o mundo e querem que se vistam como a Michelle Obama. Por outro lado, os francófonos pensam em túnicas, tecidos em wax, etc. A maioria dos estilistas nem sequer considera a venda. Eles fazem um trabalho artístico sem visão global mercantil. Para dar um exemplo, Selly Rabi Kane é uma artista que actua no mercado. Alguns são conscientes, outros não. A moda marfinense é muito local: os vestidos em wax são bonitas, mas eles nunca venderão na Galeries Lafayette.

Os sul-africanos são mais abrangentes?

AAN - Todo o mundo pode realmente vestir as criações de Bongiwe Walaza apesar de ser africano. A África do Sul é uma sociedade mais global. É um destino que atrai visitantes de todo o mundo. Em todas as revistas de moda, como as versões sul-africanas da Cosmopolitan, Elle, etc, as criações podem assumir o seu lado africano, mas as ferramentas que estão disponíveis no sector são muito diferentes. Os designers deste país desfrutam de uma reputação que há trinta ou quarenta anos antes tinham dificuldades de conquistar, porque não existia nenhuma revista de moda, na África Ocidental. Os meus colaboradores levaram-me a lançar uma revista. Por agora, estou a concentrar-me no meu projecto da fábrica. Terei de arrecadar 1 mil milhões de francos CFA...

Por que não ir ao encontro dos investidores onde eles estão, nos Estados Unidos, onde a minoria negra é o mercado?

AAN - Quando formos com o "Black Fashion Week" nos Estados Unidos, eu tenho a certeza de que encontraremos grandes oportunidades neste país que excedeu a questão racial. É o mesmo no Brasil, onde ele nos encoraja a não procuramos controvérsias. O mundo da moda concentra-se nas criações em primeiro lugar. A ideia é defender uma cultura negra, mas não uma cor da pele. No Brasil, é bem aceite. No entanto, muitos investidores continuam nervosos por causa do nome "Black Fashion Week ". Dizer "Black" ou "Negro" remete a ofensa. A frase mantém uma forte conotação negativa e um elemento de reivindicação. Muitos sugerem a reformulação do nome do evento, "Africa Fashion Week"... Isto excluiria a Diáspora. Continuo optimista, porque a Galeries Lafayette aproximou-se de nós e oferece-nos uma boa parceria.

Tem o apoio de outras grandes marcas?

AAN - Sim. Um elenco de luxo francês ofereceu-me maquilhagem e extensões gratuitamente. Recusei-me, porque eu preciso de pagar parcerias. Pode pagar por penteados, mas por de trás disso, o meu investimento fornece visibilidade que não é gratuita, pode ser usado por outras pessoas.

Qual é a sua opinião sobre os discursos quanto a o desenvolvimento de África?

AAN - Eu vejo muito optimismo, mas também um monte de palavras sem acções. Ainda não vi nada de concreto, nem das pessoas que conheço. 

(Entrevista publicada na edição de Março da revista Afrique Magazine).  

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