LEITORES

 
8 de maio 2018 - às 10:57

ANGOLA E ÁFRICA DO SUL: SUPRESSÃO DE VISTOS REFORÇA LAÇOS

Foram necessários vinte e três anos para que estes povos irmãos africanos que consolidaram as suas relações na luta vitoriosa contra o regime do “apartheid” instalado na África do Sul, finalmente vissem aberta uma nova era de cooperação económica.

 

Num momento em que o nosso país vive um dos momentos mais críticos da sua economia, o Presidente da República  deu sinais de que é na região austral do continente onde está a chave para a abertura de novas perspectivas  de alargamento das relações comerciais entre estados  mais sólidos, mais baratas e dinâmicas.

Como cidadão residente aqui na África do Sul, senti melhor o impacto da visita do nosso Chefe de Estado. Senti que os empresários sul-africanos têm uma vontade enorme de conhecer Angola, mesmo nesta fase difícil que procura desenvencilhar-se da “armadilha” em que se meteu ao confiar na exploração e comercialização do petróleo como fonte principal para sustentar-se.

A visita à Africa do Sul do Presidente João Lourenço é um indicativo muito forte de que, de facto, o novo governo saído das eleições gerais realizadas em Angola está disposto a fazer em pouco tempo o que os anteriores governos não fizeram desde 1994, altura em que os dois estados estabeleceram relações diplomáticas formais, a nível de embaixadas.

Foram necessários vinte e três anos para que estes povos irmãos africanos que consolidaram as suas relações na luta vitoriosa contra o regime do “apartheid” instalado na África do Sul, finalmente vissem aberta uma nova era de cooperação económica.

Não me canso de lembrar aos meus compatriotas em Luanda, no Huambo, , no Cunene ou no Cuando Cubango, que a visita do nosso Presidente foi a todos os títulos  decisiva para que de uma vez por todas se resolvesse a maka da supressão de vistos em passaportes ordinários.

Por aqui se fez uma festa quando tomámos conhecimento desta decisão política de grande valor para o incremento das relações diplomáticas e económicas existentes entre os nossos países.

Vale recordar que se perdeu muito tempo com negociações de parte a parte e se chegou mesmo a um ponto-morto nas repetidas conversações, quer em Luanda como em Pretória. Adiou-se por diversas vezes a tomada de decisões definitivas sobre este assunto que, no fundo, emperrou a implementação de variados projectos económicos, mesmo nos tempos das chamadas “vacas gordas”.

Ainda não fiz qualquer espécie de balanço sobre o movimento migratório dos angolanos e sul-africanos, mas pode-se já aferir que a supressão de vistos será a “mola “ impulsionadora para que a locomotiva do desenvolvimento do comércio livre entre os países –membros da SADC ande mais depressa, apesar da teimosa existência da crise económico-financeira internacional, que afecta obviamente todo o continente africano.

Vivo na África do Sul há quinze anos e  sinto que também os problemas de falta de documentação de vários angolanos que cá se encontram há mais anos (mesmo ainda no tempo do “apartheid”) poderão ser resolvidos dentro de um período curto, pois existem outras vias para que se resolva este assunto, sem ser através das “malas diplomáticas”.

Posto isto, devo me regozijar pelos esforços que continuam a ser feitos , com vista a tornar mais elásticas as relações comerciais entre nós, angolanos e sul-africanos, uma vez que ninguém vai sair a perder. Pelo contrário. Há exemplos dignos de serem seguidos em África como noutros continentes, no que diz respeito à consolidação das relações de boa-vizinhança entre os povos bantus.

Finalmente, atrevo-me a convidar os angolanos a visitarem este país portentoso, ao invés de viajarem, quer em negócios ou em turismo, para outros países europeus, latino-americanos ou asiáticos.Pelo menos há sempre a possibilidade de começarmos a conhecer o nosso continente, a partir de um dos seus maiores gigantes económicos.

Andrade Figueira Salomão Pinto

Pretória - África do Sul    

 

TIRADAS DA IMPRENSA

“A única arma para melhorar o planeta é a Educação com ética. Ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor da pele, pela sua origem, ou ainda pela sua religião. Para odiar, as pessoas precisam  de aprender. E se podem aprender a odiar, podem ser ensinadas a amar.”

-Nelson Mandela

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“É por isso que se mandam as crianças à escola: não tanto para que aprendam alguma coisa, mas para que se habituem a estar calmas e sentadas e a cumprir escrupulosamente o que se lhes ordena, de modo a que depois não pensem mesmo que têm de pôr em prática as suas ideias.”

-Immanuel Kant

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“Ser grande dama é representar de grande dama, o que quer dizer, representar simplicidade. É um papel que sai extremamente caro, tanto mais que a simplicidade só encanta sob a condição de que os outros saibam que poderíamos não ser simples, isto é, que somos riquíssimos.”

- Marcel Proust

 

BOCAS SOLTAS

Definitivamente, a compra das viaturas de marca Lexus para os duzentos e vinte deputados, no valor de cerca de 100 mil euros por cada unidade, continua a  causar um certo mal estar entre os eleitores de todas as cores políticas.Nas redes sociais fizeram-se contas e análises políticas que resumiram, em poucas palavras, a iniciativa levada a cabo pela estrutura administrativa da Assembleia Nacional, ainda na anterior legislatura: ofensa e falta de sensibilidade  dos "representantes do povo" numa altura de   grave crise económica e financeira que o país atravessa. Alguns destes cidadãos debafaram e não foram poucos que aventaram mesmo a hipótese de não votarem nas próximas eleições gerais... 

 

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“Nunca pensei que a entrega destas viaturas aos deputados numa altura dessas fosse possível…Depois de todo aquele movimento de repulsa, chego à conclusão que a voz contestatária do povo não valeu para nada. É uma pena!”

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“Mas não seriam os deputados os primeiros a dar  exemplos de que nesta hora da crise considerada gravíssima, é necessário “apertar os cintos”?Que raio de representantes do povo serão estes políticos que primeiro vêem para o seu umbigo?”

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“Eu acho que as pessoas foram, mais uma vez, enganadas pela classe política. Mas há que levar em consideração que, também estes deputados, não têm culpa nenhuma de lhes ter sido ofertadas viaturas tão caras. Eu se estivesse no lugar deles também aceitaria, uma vez que há quem, sem mover uma palha, tem até aeronaves para passear”

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“São os políticos que temos e que nos confirmam que  este sistema de votação (através das listas partidárias) já não serve a República que queremos construir. Postos no poder, dificilmente se pode avaliar as suas acções em benefício das populações. Por isso, é urgente que se realizem imediatamente as eleições autárquicas, no sentido de controlarmos melhor o trabalho dos parlamentares, no caso autarcas. Se recebem todas as regalias que se conhecem, então têm que trabalhar no duro!”

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“Com estes Lexus, eles conseguiram fazer com que fossem mal falados. Ganharam fama de oportunistas e malta desinteressada em solidarizar-se com os mais pobres. Sempre foram levados ao colo pela elite governamental e partidária, que lhes foi calando ano após ano através destas benesses.Está tudo dito!”. 

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