SOCIEDADE

 
5 de June 2021 - às 07:27

ANGOLA contra a Covid-19 VACINAÇAO INICIOU COM SUCESSO

As primeiras doses recepcionadas por Angola, surge no âmbito da iniciativa Covax,criada em Abril de 2020, no intuito de garantir o acesso justo e equitativo aos países de médio e baixo rendimento, a que Angola aderiu em julho do mesmo ano.

 

No passado dia 2 de Março, Angola entrou no mapa dos países que iniciaram a vacinação contra o Covid 19, no quadro do seu plano que prevê cobrir 52% da sua população em todo o território nacional, ainda no decorrer deste ano, caso não surjam problemas relativamente à chegada das muito concorridas milhões de doses necessárias para atingir tal objectivo.

O Executivo não fez tanto estardalhaço no momento em que no aeroporto internacional “4 de Fevereiro” registou-se a recepção das primeiras doses do precioso líquido, calculadas em mais de 600 mil da Astrazeneca; essa mesmo que tem dado que falar até por motivos fúteis em países considerados “civilizados”, espalhando-se a dúvida e a incerteza quanto à sua eficácia e surgimento de factores adversos.

Motivo para fazer o tal “estardalhaço” mediático teve também o executivo angolano, mas não o fez. Numa cerimónia muito simples, inaugurou aquele que é um grande investimento infraestrutural neste combate contra a pandemia do Covid 19, iniciada logo que os primeiros casos deram à costa angolana, há mais de um ano.

Trata-se da inauguração, pela incansável ministra da Saúde, do depósito central de vacinas de Angola,exactamente no mesmo dia em que chegou ao país o primeiro lote de vacinas e inoculado o primeiro cidadão angolano integrado num grupo seleccionado de 50 profissionais de saúde, órgãos de defesa e segurança e doentes com comorbilidades.

O primeiro depósito localiza-se na Central de Compras de Medicamentos e Meios Técnicos (CECOMA), e efectivamente, tal como salientou Sìlcia Lutukuta , “é um pilar fundamental no caminho para reduzir ao mínimo o risco de propagação da doença”.

Note-se que as primeiras doses recepcionadas por Angola, surge no âmbito da iniciativa Covax,criada em Abril de 2020, no intuito de garantir o acesso justo e equitativo aos países de médio e baixo rendimento, a que Angola aderiu em julho do mesmo ano.

Segundo se soube, as 624 mil doses que chegaram fazem parte de um lote de 2 milhões e 172 mil doses que devem chegar ao país até ao final de maio deste ano. No momento em que escrevíamos estas linhas, em quase todo o território nacional foram iniciadas as campanhas de vacinação, cujo sucesso foi aplaudido pela Organização Mundial da Saúde, pois elas têm decorrido com uma certa dose de rapidez, sendo de destacar a afluência de dezenas de milhares de cidadãos, entre os quais pessoas com mais de sessenta anos, as de risco, para além do primeiro grupo integrado especialmente por profissionais de saúde, educação, forças policiais e de segurança, enfim, aqueles que, de facto, se encontram na “linha da frente “ desta guerra contra a propagação da pandemia do dia.

"Esperamos receber, até ao final de junho, 6,4 milhões de doses desta vacina e outras que estiverem disponíveis - o que permitirá cobrir as necessidades da primeira etapa do plano de vacinação da Covid-19 do Ministério da Saúde cobrindo 20% da população nacional", declarou na altura a Ministra angolana da Saúde.

Sílvia Lutukuta garantiu que, nesta etapa, o objectivo é vacinar primeiro as pessoas mais expostas(…) bem como a população a partir dos 40 anos. Na segunda etapa, que cobre 10,4 milhões de pessoas, o Executivo angolano em parceria com organismos internacionais, incluindo a União Africana e governos amigos "está a trabalhar para assegurar a disponibilidade suficiente de vacinas para garantir a proteção deste grupo", sublinhou Sílvia Lutucuta.

Importa salientar que as vacinas foram produzidas no Instituto Serum, parceiro da AstraZeneca na Índia e maior produtor mundial de vacinas.

Para aclarar certas dúvidas, quanto às vacinas da AstraZeneca/Oxford, aliás aprovadas pela OMS, Lutukuta fez questão de salientar que elas foram também o principal meio usado para o controlo da pandemia no Reino Unido.

Para si, a pandemia é um teste de fogo à resistência das nações e à solidariedade dos países, da coordenação das ações de resposta e da resistência dos sistemas de saúde, e considera que “o rápido desenvolvimento da produção de vacinas seguras abriu a possibilidade de prevenir esta doença através da vacinação”.

No entanto, lembrou, "a grande competição mundial pelas mesmas e baixa capacidade de produção criaram dificuldades difíceis de ultrapassar, principalmente para os países em desenvolvimento". Entretanto, recentemente a directora nacional de Saúde Pública, Helga Freitas, disse que o país vacinou já mais de 250 mil pessoas de grupos de risco, em cinco províncias do país.

Para as cerca de 170 mil pessoas destes grupos de risco nas restantes 13 províncias, a responsável informou que foram enviadas por via aérea, com o apoio da Força Aérea Nacional, vacinas e material para a vacinação nas províncias da Lunda Norte, Lunda Sul, Moxico, Namibe, Cuando Cubango, Cunene, tendo para o Bengo, Zaire, Cuanza Norte, Uíje, Malanje, Bié e Cuanza Sul seguido por via terrestre.

Cientistas descobrem variante mais transmissível em Angola - Cientistas sul-africanos descobriram a variante "mais transmissível" do novo coronavírus SARS-Cov-2 na primeira sequenciação genómica realizada com amostras recolhidas em Angola.

A variante foi descoberta no mês de fevereiro em três cidadãos tanzanianos, em Angola, disse o professor Túlio de Oliveira, que lidera a equipa de cientistas sul-africanos da Universidade do KwaZulu-Natal, especialistas em inovação e sequenciamento genómico, que realizou o estudo.

Angola contabiliza mais de 22 mil de casos de infecção do novo coronavírus e cerca de 600 mortes associadas à Covid-19, segundo o centro de monitoria global da doença pandémica da Universidade John Hopkins.

"Quando comparada com outras variantes de preocupação (VOC, na sigla em inglês) e variantes de interesse (VOI, na sigla em inglês), esta é a mais divergente", disse Túlio de Oliveira, a salientar que a descoberta foi relatada como sendo "um novo VOI dada a constelação de mutações com significado biológico conhecido ou suspeito, especificamente resistência a anticorpos neutralizantes e transmissibilidade potencialmente aumentada", explicou.

Investigação urgente - "Embora tenhamos detectado apenas três casos com esta variante, isto justifica uma investigação urgente, pois o país de origem, a Tanzânia, tem uma epidemia em grande parte não documentada e poucas medidas de saúde pública em vigor para prevenir a propagação dentro e fora do país", disse Túlio de Oliveira ao semanário sul-africano Sunday Tribune, que se publica em Durban, litoral do país.

Os cientistas sul-africanos da Plataforma de Inovação e Sequenciamento de Pesquisa KwaZulu-Natal (KRISP, na sigla em inglês), sublinharam que a nova variante "não foi ainda reportada em nenhum outro país", nomeadamente na África do Sul.

"Não temos ideia se ainda é novo ou se foi a variante dominante na Tanzânia, e é por isso que pedimos atenção urgente, pois realmente precisamos ter uma melhor compreensão do vírus e da epidemiologia na Tanzânia", referiu por seu lado Richard Lessells, investigador do KRISP, especialista em doença infecciosas.

"Recebemos amostras adicionais de Angola e estamos atualmente a gerar e a analisar dados", adiantou.

O estudo realizado pelos cientistas sul-africanos contou com a participação de várias entidades, nomeadamente o Ministério da Saúde de Angola e o África CDC. De acordo com dados iniciais, em princípios de Março, que a província de Luanda registava 120 casos da variante sul-africana e 14 da inglesa. "Devemos notar também que estas variantes foram identificadas em jovens adultos e em crianças, o que anteriormente não observamos", frisou Joana Morais, directora do Instituto Nacional de Investigação em Saúde, numa das apresentações da situação da Covid-19. (D.W.)

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