DOSSIER

 
26 de novembro 2015 - às 19:18

ANGOLA 40 ANOS DEPOIS: O SONHO DO PREGO E O RISCO DO MARTELO

Foi com emoção, entusiasmo e grande expectativa que acompanhei as iniciativas relacionadas com as comemorações dos 40 Anos de Independência de Angola, aguardando, com especial interesse, o discurso do Presidente José Eduardo dos Santos

 

Admitia que o “Discurso dos 40 Anos de Independência” fosse substancialmente diferente e mais esclarecedor do tempo actual e do nosso futuro colectivo, na forma e no conteúdo, da “Mensagem sobre o Estado da Nação” lida pelo Vice-presidente Manuel Vicente, na Assembleia Nacional, no passado dia 15 de Outubro. Mas tal não aconteceu. Esperava que o Presidente, fazendo uso da sua reconhecida capacidade de liderança, falasse mais do futuro, partilhasse preocupações para com o presente e indicasse caminhos, soluções ou pelo menos vontade (explicita e estratégica) de nos apontar o amanhã.

Sabemos que nos esperam tempos difíceis mas também sabemos que só de forma convergente, apropriável e colectiva é que seremos capazes de vencer mais estes desafios – os próximos 4 anos… para voltar a comemorar mais quarentas… em independência.

Li e reli os dois “discursos” e sem me deter com a forma como foram apresentados, fico com a sensação de “terem sabido a pouco”. Em 11 de Novembro, num discurso gravado e transmitido pelos órgãos de informação, com cerca de 3.260 palavras não chegam a 250 as palavras “vinculadas” com o futuro. É escasso, muito mais ainda quando é admitido que o país atravessa constrangimentos (crise), por força de diversos factores, com alguns a assacar à queda internacional do preço do petróleo bruto, como razão principal.

Realço, entre a escassez, a afirmação de JES “é nosso dever consolidar a estabilidade política e todas estas conquistas na base de uma estratégia que vise a estabilidade macro económica, a construção de infra estruturas, a qualificação dos quadros e o avanço da ciência, da tecnologia e da inovação, por forma a garantir um crescimento sustentado do PIB acima dos 6 por cento e um desenvolvimento económico e social inclusivo… Deste modo, podemos acelerar a diversificação da economia e o crescimento do emprego, reduzir significativamente a pobreza e promover a inserção da economia nacional na economia mundial…” A importância tardia, mas sempre necessária, que está a ser dada à diversificação da economia nacional.

Também, “…o país deve fazer tudo para oferecer à juventude cada vez mais oportunidades de crescimento pessoal e profissional. Dois terços da nossa população, que é a nossa maior riqueza, têm menos de 25 anos de idade. A Nação deve assumir como sendo seu dever trabalhar para garantir um futuro melhor à juventude e às gerações vindouras…” Talvez resida aqui as chaves do sucesso para os próximos 40 anos…

Por fim, num discurso pouco apelativo e mobilizador “…a roda da História gira para frente e revela as novas facetas, vitórias e sucessos dos que ousam ser perseverantes e determinados. Angola tem condições para continuar a evoluir e ser sempre uma estrela nos céus de África…” Nisto, também acreditamos e “sabemos” que seremos capazes se mobilizarmos todas as nossas energias!

Importa referir que não descartamos, em nenhum momento, o conhecimento que se deve ter do passado, da nossa história e de sabermos, sem complexos e com afirmação, glorificar e guardar memória a todos os que construíram esta Nação.

Sabemos que face à complexidade dos problemas, Angola e os angolanos não estão “desarmados”. Forjamos, no passado, “habilidades e competências” que continuam a ser úteis nos dias de hoje. Com efeito, se é certo que o mundo vai mudando, também é certo que continuam a existir bastantes invariantes e similitudes na natureza dos problemas com que nos deparamos. 

Nunca podemos esquecer a herança acumulada, para não nos privarmos de instrumentos importantes e perdermos muito tempo a “reinventar a faca de cortar manteiga”. É necessário manter a memória dos métodos para melhor os enriquecer. 

Mesmo assim, faltou “discurso de futuro”, pois também é com esperança que se fazem os países. Deixo, agora e aqui, o meu contributo.

As cinco atitudes possíveis face ao futuro  - É por causa da falta de antecipação de ontem que o presente está cheio de questões por resolver, ontem insignificantes mas hoje a necessitar de resolução urgente, mesmo que se sacrifique o desenvolvimento de longo prazo à adopção de soluções ilusórias e de efeitos imediatos. Num mundo em mutação, onde as forças da mudança vêm subverter os factores da inércia e os hábitos, um esforço acrescido de prospectiva (tecnológica, económica e social) é exigido ao país para poder adquirir flexibilidade estratégica, isto é, para poder reagir com flexibilidade e sem perder o rumo. Para ser sujeito da mudança e não apenas o seu objecto, Angola deve não só antecipar correctamente (nem demasiado cedo, nem demasiado tarde) as viragens técnicas, concorrenciais, de regulação… mas também realizar as suas actividades com excelência e, enfim, inovar constantemente. E esse tempo é já agora!

Face ao futuro, os homens e os países podem escolher entre quatro atitudes: a avestruz passiva, que sofre a mudança; o bombeiro reactivo, que aguarda que o fogo se declare para o combater; o segurador pré-activo, que se prepara para as mudanças previsíveis porque sabe que a reparação é mais cara que a prevenção; e, enfim, o conspirador pró-activo, que actua no sentido de provocar as mudanças desejadas. 

Conclusão prática para os decisores/dirigentes: de agora em diante, quando fizerem um plano de acção, deverão abrir três colunas, uma para a reactividade, outra para a pré actividadee outra para a pró-actividade. Nenhuma delas deve ficar nem demasiado vazia nem demasiado cheia. Naturalmente que, num contexto de crise, a reactividade sobrepõe-se a tudo o resto e, num contexto de crescimento, é necessário antecipar as mudanças e também provocá-las, nomeadamente através da inovação. 

A liderança da Nação deve estar, necessariamente, atenta a este desígnio.

 

ANGOLA – cinco ideias-chave para o amanhã - Toda a forma de predição do futuro é uma impostura, o futuro não está escrito e, pelo contrário, é necessário construí-lo. O futuro é múltiplo, indeterminado e aberto a uma grande variedade de futuros possíveis. O que se vai passar amanhã depende menos de tendências pesadas que se imporiam fatalmente aos homens do que das políticas levadas a cabo por estes face a essas tendências. 

Se o futuro em Angola é, em parte, fruto da vontade dos agolanos, então esta, para se exercer com eficácia, deve ter em conta cinco ideias-chave para o amanhã.

 

Angola muda mas os problemas mantêm-se  - Após quatro décadas de independência, (a maioria delas conturbadas), é um facto, com reflexões, estudos prospectivos e dinâmicas de desenvolvimento, o país continua (e continuará) confrontado com os grandes desafios das sociedades modernas, chegámos a uma constatação bem conhecida e, no entanto, geralmente ignorada: são sempre os homens e as organizações que fazem a diferença. 

Assim, quando um país está em dificuldades, não serve de nada procurar um bode expiatório nos “outros” (vinda de algures e, decerto, desleal), nem a solução está nos subsídios (financiamentos) minuciosamente (estranhamente) atribuídos. Tudo se explica, na maior parte dos casos, pela falta de qualidade da gestão – nos diversos âmbitos e níveis, pela sua incapacidade em antecipar, em inovar, em motivar os homens. 

Angola muda mas os problemas mantêm-se. Tal é a constatação que se nos tem imposto cada vez que voltamos a encontrar problemas repetidamente já abordados há cinco, dez ou, mesmo, quinze anos atrás. É o caso no que concerne, por exemplo, ao sector da energia, do abastecimento de água potável e aos grandes desafios das sociedades modernas como o emprego e a formação, etc., um pouco por todo o país. A vantagem do homem de reflexão é evidente: o investimento intelectual do passado não fica quase nunca obsoleto, e basta actualizá lo com a introdução de dados recentes para voltar a encontrar a maior parte dos mecanismos e constatações anteriores. 

Os homens têm a memória curta; eles desconhecem o tempo longo e os seus ensinamentos. A História não se repete mas os comportamentos reproduzem-se.

Os homens conservam, ao longo dos tempos, perturbadoras semelhanças de comportamento, que os conduzem, quando colocados em situações comparáveis, a reagir de maneira quase idêntica e, portanto, previsível. Assim, existem no passado lições, tantas vezes esquecidas, que são ricas de ensinamentos para o futuro: os ciclos de penúria e de abundância, ligados às antecipações sobre os preços; a sucessão de longos períodos de inflação seguidos de períodos de deflação; ou, ainda, a perturbadora coincidência entre as evoluções demográficas e a expansão ou o declínio económico e político dos países; são exemplos que ilustram esta realidade. 

Cada geração tem a impressão de viver uma época de mutações sem precedentes. Este enviesamento é natural: a época actual é forçosamente excepcional para cada um de nós porque é a única em que viveremos. Daí a tendência, simétrica da anterior, de sobrestimarmos a importância e a rapidez das mudanças na actualidade, nomeadamente no que respeita às novas tecnologias. 

 

Os actores como elementos-chave nos pontos de bifurcação  - O mundo real é demasiado complexo para que se possa esperar, algum dia, pôr em equação o seu eventual determinismo escondido. E mesmo que o pudéssemos, a incerteza, inerente a todas as medidas, e nomeadamente as sociais, manteria sempre em aberto, pelo menos nos nossos espíritos, o leque dos futuros possíveis. Uma vez que o determinismo é indeterminável, importa “fazer como se” tudo estivesse em aberto, como se a revolta da vontade pudesse, só ela, abater a tirania do acaso e da necessidade. 

Como reconhecer os pontos de bifurcação? Que acontecimentos, que inovações vão ficar sem consequências e quais são aqueles susceptíveis de afectar o regime global, de determinar irreversivelmente a escolha de uma evolução, quais são as zonas de escolha e as zonas de estabilidade?.

Elas constituem também o menu quotidiano da prospectiva. Identificar o leque dos futuros possíveis, através dos cenários, não será também reconhecer o diagrama das bifurcações? Os parâmetros das bifurcações não serão também as variáveis-chave da análise sobre o futuro? 

Constata-se também, nos últimos anos, uma convergência das teorias para o conceito de auto-organização, o qual permite a adaptação ao “novo” e a criação do “novo”. Tudo se passa como se houvesse “uma inversão da flecha do tempo”, de maneira que “o que fazemos hoje explica-se não pelos nossos condicionamentos mas pelo objectivo que explicitamos e para o qual tendemos”. 

Voltamos a encontrar aqui “o futuro enquanto razão de ser do presente”, o que nos permite afirmar que o desejo, força produtiva do futuro, é também o principal motor da auto-organização. 

 

Contra a complicação do complexo  - Serão necessários instrumentos complexos para ler a complexidade do real? Nós pensamos que não. Os grandes espíritos, dotados de um pensamento complexo, souberam melhor que outros descobrir leis relativamente simples para compreender o universo. Pensemos nos princípios da termodinâmica ou na teoria da relatividade. 

Uma gestão política (económica e social) em que nem as hipóteses nem as consequências podem ser confrontadas com o real, é desprovida de qualquer interesse, ao pensarmos no efectivo desenvolvimento e na promoção permanente da qualidade de vida das populações. Não haverá nunca modelos perfeitos mas somente modelos aproximativos da realidade, e “entre dois modelos, o melhor será sempre aquele que, para uma dada aproximação da realidade, representar mais simplesmente os dados da observação”.

Eis algo que tranquiliza aqueles que, como nós, não se cansam de repetir até à exaustão e, por outro lado, faz reagir aqueles que confundem complicação com complexidade!... e, simetricamente, simplicidade com simplismo! O desafio é ambicioso, pois é fácil de fazer complicado e é difícil de fazer simples… 

 

Colocar as boas questões e desconfiar das ideias feitas - A resposta é sim, mas qual é a pergunta?. Demasiadas vezes, com efeito, esquecemonos de investigar os fundamentos das questões colocadas e precipitamo nos na procura ilusória de respostas para falsas questões. Ora, não há boa resposta para uma má questão. Mas como colocar as boas questões? 

A luz cria a sombra. Se os projectores da actualidade estão poderosamente focados em determinados problemas é para melhor esconder outros que não se querem ver. As ideias feitas e que estão na moda, aquelas que dominam a actualidade, devem ser olhadas com desconfiança, porque são geralmente fonte de erros de análise e de previsão. A informação é muitas vezes amordaçada pelo conformismo do consenso, o qual leva a reconhecermo-nos na opinião dominante e a rejeitar o ponto de vista minoritário. Aquele que vê justo tem poucas hipóteses de ser ouvido. 

Esta observação não dá, evidentemente, qualquer crédito suplementar às predições esotéricas, mas torna suspeitas um certo número de conjecturas e de ideias feitas. Neste sentido, pôr em causa o conforto de espírito, despertar as consciências adormecidas sobre falsas certezas, é verdadeiramente indispensável nua visão do futuro. 

A estratégia não escapa a este conformismo. Quantas escolhas de investimento, de implantação, não foram justificadas pelo mito da “dimensão crítica” que era preciso ter para se bater à escala mundial (ou africana)? Na realidade, existem sempre, no mesmo sector, empresas mais pequenas e mais rentáveis. A boa questão, que devemos colocar, é, portanto: como ser rentável com a dimensão que temos? E a resposta a esta última questão passa, muitas vezes, por uma redução provisória da dimensão. Como acontece com as árvores que, uma vez podadas, voltam a crescer melhor! 

 

Da antecipação à acção, pela apropriação - A visão global é necessária para a acção local, e, cada um, ao seu nível, deve poder compreender o sentido das suas acções, ou seja, poder situá-las no projecto mais global onde se inserem. A mobilização da inteligência é tanto mais eficaz quanto se inscreve no quadro de um projecto explícito e conhecido de todos. Motivação interna e estratégia externa são, portanto, dois objectivos indissociáveis, que não podem ser atingidos separadamente. 

O sucesso do projecto passa pela apropriação. Em razão da sua transparência, a mobilização colectiva não pode centrar-se demasiado sobre as escolhas estratégicas, sobretudo quando estas têm um carácter confidencial. Nestas condições, é a reflexão prospectiva colectiva sobre as ameaças e oportunidades, essencialmente na envolvente externa, que dá conteúdo à mobilização e permite a apropriação da estratégia. 

A apropriação intelectual e afectiva constitui um ponto de passagem obrigatório para que a apropriação se cristalize em acção eficaz. Encontramos aqui as três componentes do triângulo grego (vide figura a seguir): “Logos” (o pensamento, a racionalidade, o discurso), “Epithumia” (o desejo, com todos os seus aspectos nobres e menos nobres), “Erga” (as acções, as realizações). O casamento da paixão com a razão, do coração com o espírito, é a chave do sucesso da acção e do desenvolvimento dos indivíduos (o corpo). Pode também transmitir-se esta mensagem pela cor: o azul da razão fria, associado ao amarelo das sensações quentes, produzo verde da acção viva. 

O Triângulo Grego - Assim se clarifica o falso debate entre intuição e razão. Uma cabeça normal deve estar razoavelmente cheia. Ao irrigarmos a metade esquerda do cérebro, sede da racionalidade, também vivificamos a metade direita, sede da intuição e da emoção. É todo o problema da ligação entre reflexão e acção. No momento da acção, é demasiado tarde para reflectir e, quando o fazemos, é preciso ter tempo e não estar pressionado pela urgência. A acção é comandada por um reflexo em que a intuição parece geralmente dominar a razão. Esta impressão é enganadora porque o reflexo da acção é tanto mais rápido e apropriado quanto mais treinado tiver sido o cérebro, previamente. O que é verdadeiro para os músculos, é-o também para o espírito. O que é próprio para os indivíduos também é ajustado para os países. Não há, pois, oposição mas complementaridade entre intuição e razão. 

O Sonho do Prego e o Risco do Martelo - No que respeita ao(s) modo(s)/instrumentos/acções/medidas de preparar hoje o amanhã de Angola, certamente que é necessário lembrar a sua utilidade: estimular a imaginação, reduzir as incoerências, criar uma linguagem comum, estruturar a reflexão colectiva e permitir a apropriação. Não devemos, no entanto, esquecer os seus limites e as ilusões da formalização: os instrumentos/acções/medidas não devem substituir-se à reflexão nem refrear a liberdade de escolha.

Assim, preocupamo-nos em eliminar dois erros simétricos: ignorar que o martelo existe quando se tem um prego para pregar (é o sonho do prego) ou, pelo contrário, sob o pretexto de que se conhece o uso do martelo, acabar por acreditar que todos os problemas se assemelham a pregar pregos (é o risco do martelo). O esforço que temos de lavar a cabo é paradoxal: por um lado, divulgar os instrumentos/acções/medidas e as regras da sua utilização; por outro, passar uma boa parte do tempo a dissuadir os neófitos de os utilizarem sem conhecimento de causa.

Convém igualmente esclarecer que os instrumentos da prospectiva – para “agarrarmos” o fututo - não têm a pretensão de se prestar a cálculos científicos como os que se podem fazer no domínio da física (por exemplo, para calcular a resistência dos materiais). Trata-se apenas de apreciar, de maneira tão objectiva quanto possível, realidades com múltiplas incógnitas. Para mais, a boa utilização destes instrumentos é frequentemente refreada pelos constrangimentos de tempo e de meios, inerentes aos exercícios de reflexão. O uso destes instrumentos é inspirado por uma preocupação de rigor intelectual, nomeadamente para melhor colocar as boas questões (pertinência) e reduzir as incoerências nos raciocínios. 

Mas se a utilização destes instrumentos pode estimular a imaginação, não garante a criação. O talento do prospectivista depende também de dons naturais como a intuição e o bom senso. Se a prospectiva tem necessidade de rigor para abordar a complexidade, ela precisa igualmente de instrumentos/acções/medidas suficientemente simples para que continuem apropriáveis. 

Para ser fecundo, ou seja, portador de futuro, o casamento entre a prospectiva e a estratégia deve encarnar-se na realidade quotidiana e dar origem, através da apropriação (por todos os actores envolvidos, do topo à base da hierarquia), a uma verdadeira mobilização da inteligência colectiva que permita “conceber um futuro desejado, bem como os meios reais para lá chegar” ou seja, como no passado, fazer com que o sonho fecunde a realidade, o desejo é força produtiva do futuro e a antecipação ilumina a pré-actividade e a pró-actividade. 

As modas em gestão política sucedem-se mas vão mantendo sempre um ponto em comum. Trata-se de motivar os homens lançando-lhes novos desafios, sendo certo que o processo do seu envolvimento colectivo é o objectivo pretendido. Ele obtém-se, havendo ou não resultados imediatos. É neste sentido que as análises estratégicas partilhadas podem produzir a síntese do envolvimento colectivo. O mais difícil não é fazer as boas escolhas, mas estar seguro de que se consegue que cada um se coloque as verdadeiras questões. Um problema bem colocado, e colectivamente partilhado por aqueles a quem diz respeito, estará já quase resolvido. Não é isso que queremos significar quando afirmamos: “o problema, é [a formulação d]o problema!”?

Alguns de nós – os retardatários – preocupamo-nos mais com a conservação do passado do que com a conquista do futuro.

De passagem, realcemos as semelhanças: a estratégia fala de clarividência e de inovação e a prospectiva de pré-actividade e de pró-actividade, mas é bem da mesma coisa que se trata – em como fazer o amanhã, em Angola, hoje!

Como imaginar a acção estratégica sem “ver longe, largo, profundo, assumir riscos, pensar no homem – pensar em todos os angolanos?” Claro que é impossível! E inversamente sabemos que “olhar o futuro perturba o presente”, ou seja, a antecipação convida à acção. Para nós, a questão está resolvida: a prospectiva é frequentemente estratégica, senão pelas suas consequências ao menos pelas suas intenções, e a estratégia apela à prospectiva, quanto mais não seja para iluminar as escolhas que comprometem o futuro. 

As grandes decisões tomam-se raramente, elas tornam-se cada vez menos improváveis à medida que se acumulam as pequenas decisões. Aguardamos. 

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