MUNDO REAL

 
26 de novembro 2015 - às 18:37

ANALISAR, DISCUTIR E PROPOR

A conferência foi um óptimo espaço para discutir a situação económica do país mas também para analisarmos a nossa história, o nosso percurso. Iniciativas como estas devem repetir-se e merecer apoio de outras instituições ligadas ao sector económico, particularmente empresas que cada vez mais e tendo em conta o contexto do país, devem primar pela responsabilidade social.

 

Participei este mês, na IIIª conferência da Academia BAI que este ano teve dois oradores de peso, nomeadamente Manuel Nunes Júnior, professor universitário e ex-ministro da economia, que abordou o tema “A evolução das políticas económicas nos últimos 40 anos” e o Doutor Mário Nelson que falou da “história da banca - antes e depois da independência”, um evento concorrido que contou com a presença de várias figuras conhecidas do país, com destaque para Lopo do Nascimento.

Ao longo da sua apresentação intitulada “a evolução das políticas económicas de Angola nos 40 anos”, Manuel Nunes Júnior frisou que “as sociedades só podem prosperar se forem inclusivas” e que caso não o sejam do ponto de vista social, político e económico é impossível que consigam atingir um nível de prosperidade que seja continuado, sustentado e perene”.

“As sociedades não inclusivas são pouco dinâmicas, pouco eficientes e por isso incapazes de garantir o bem-estar e a felicidade dos seus cidadãos”, frisou ainda o orador.

Os pressupostos do crescimento económico também foram enumerados, sendo que para o orador passam por “um Estado eficiente”, o que pressupõe o “aprofundamento da democracia”, “criação de condições de mercado iguais para todos, em que cada cidadão pode evidenciar o seu talento e habilidades” bem como “mecanismos que assegurem o cumprimento de contratos estabelecidos entre os agentes”.

Sobre a diversificação da economia, uma medida importante no momento que vivemos, Manuel Nunes Júnior começou por frisar que a paz alcançada em 2002 “é o maior bem público dos angolanos, sem o qual todo o processo de criação de riqueza nacional fica inviabilizado”. “Entre 2002 e 2014, assistiu-se a uma alteração da estrutura do PIB angolano. De facto, apesar do sector petrolífero continuar a ter um grande peso, correspondendo a cerca de 35% do valor gerado no país em 2014, a verdade é que essa tendência era bem mais marcada doze anos antes, em que representava 46% do produto”, detalhou.

No entender do Professor, há que acelerar o processo de diversificação da economia nacional para diminuir a vulnerabilidade da nossa economia das oscilações do preço do petróleo no mercado internacional, tendo como grandes objectivos aumentar a produção doméstica, reduzir a dependência nacional das importações, diversificar fontes de receitas fiscais e divisas, fortalecer o tecido empresarial nacional bem como promover a criação de emprego.

Já a apresentação de Mário Nelson foi didáctica e fez uma viagem sobre o sistema bancário no periodo colonial e pós-colonial, o que foi esclarecedor quanto a situação do sector nos primeiros dias de Angola independente e as opções políticas que tiveram que ser tomadas.

Já na sessão de perguntas e respostas importa realçar a intervenção de Lopo do Nascimento, que foi Ministro do Plano no pós-independência entre outros cargos governamentais. Fez questão de clarificar o contexto em que as medidas económicas foram tomadas após a independência, tendo lembrado que o MPLA começou a governar numa altura em que só controlava um terço do país. Na ocaisão, o político revelou ainda aspectos interessantes do seu trabalho como titular da pasta do Plano. 

A conferência foi um óptimo espaço para discutir a situação económica do país mas também para analisarmos a nossa história, o nosso percurso. Iniciativas como estas devem repetir-se e merecer apoio de outras instituições ligadas ao sector económico, particularmente empresas que cada vez mais e tendo em conta o contexto do país, devem primar pela responsabilidade social.

É disso que precisamos: discutir, analisar e propor para que o sonho que temos para Angola possa materializar-se.  

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