MUNDO REAL

 
8 de junho 2017 - às 05:38

A MUDANÇA COMEÇA EM NÓS

O cidadão tem razão de reclamar, mas é preciso que a reflexão seja coletiva. O que é que cada um de nós, na sua esfera de atuação, tem feito? Falar nas conferências, nos programas de rádio ou nos debates é importante porque ajuda a abordar as questões e a formação de consciência para que sejam tomadas as medidas necessárias mas não é tudo.

 

O nosso contexto actual não é fácil. A crise económica mundial afecta também o nosso país e aprofunda as dificuldades que enfrentamos, na verdade, acaba por colocar-nos de frente para a nossa realidade, um país com grande potencial no que toca aos recursos naturais mas que tem muitos desafios pela frente.

Diante da realidade e do aprofundar dos problemas, os cidadãos tornam-se cada vez mais críticos, nos táxis, nas lojas, nas praças, as lamúrias não cessam. Cada um tem a sua análise e já identificou os seus culpados e todos clamam por melhorias, fala-se muito em mudança.

Há muito que sabemos que há coisas que têm que melhorar no nosso país. Questões como o combate a corrupção, melhoria dos serviços de saúde e acesso universal a educação bem como o saneamento básico são velhas questões. Debatemos muito, falamos muito, correm rios de tinta mas parece que continuamos no mesmo lugar, parados no tempo e no espaço.

Nos debates televisivos e radiofónicos a intervenção dos ouvintes é intensa, as críticas são contundentes e não poupam ninguém, desde governantes, jornalistas, responsáveis da sociedade civil até as igrejas. O cidadão comum cobra intervenção, mais acção, solução dos problemas há muito identificados e tem legitimidade para o fazer.

O cidadão tem razão de reclamar, mas é preciso que a reflexão seja coletiva. O que é que cada um de nós, na sua esfera de atuação, tem feito? Falar nas conferências, nos programas de rádio ou nos debates é importante porque ajuda a abordar as questões e a formação de consciência para que sejam tomadas as medidas necessárias mas não é tudo.

É preciso que cada um seja um cidadão pleno, que faça valer os seus direitos, que exerça a sua cidadania. De que adianta reclamar nos programas de rádio se não temos coragem de recorrer as instâncias de direito quando algo não está bem? Se passamos todos os dias pelos buracos nas ruas e não cobramos solução das administrações ou até se no partido político em que militamos não temos a coragem de dizer que precisamos mudar a forma de atuação e olhar mais para as necessidades do povo?

Falar é necessário mas também é preciso colaborar para as soluções. Caminhamos a passos largos para as eleições e mais uma vez o tom das reclamações sobe mas no dia “d” corremos o risco de voltar a ter níveis altos de abstenção porque as pessoas reclamam, reclamam mas depois fica tudo pelos discursos.

Nada acontece por acaso. Cada um deve fazer ouvir a sua voz, expressar a sua vontade, propor soluções e ser parte das mesmas. A cidadania implica direitos mas também deveres. Todos temos que refletir sobre o que temos feito até aqui e sobre o que é possível fazer para atingirmos o nível que todos esperamos.

A sabedoria popular e os ditados nos deixam claro que reclamar por reclamar em nada ajuda, afinal “não adianta chorar sobre o leite derramado”, “a cantiga do se eu soubesse não muda nada”, o melhor mesmo é tomarmos as decisões necessárias em tempo oportuno, colaborar para ajudar a resolver os problemas que enfrentamos.

Já aqui contei a história do cidadão que criou uma escola comunitária no seu bairro e ajuda a alfabetizar centenas de adultos, nas comunidades rurais temos senhoras que se organizam e reclamam junto das autoridades a solução dos problemas que vivem, temos muitas pessoas que dão o seu contributo diariamente, de forma voluntária, para acções de desenvolvimento implementadas pela sociedade civil, enfim, há muitas formas de promovermos a mudança (e não necessariamente através dos partidos políticos).

Precisamos fazer mais pelo país! 

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