PONTO DE ORDEM

 
17 de March 2021 - às 16:25

AMERICANOS ENTRAM NA LUTA CONTRA A CORRUPÇÃO EM ANGOLA

A comunidade internacional está atenta, os apoios à luta foram se sucedendo e hoje…cá está o Departamento de Estado norte-americano a aliar-se claramente ao “lado bom”, como não podia deixar de ser.A partir do Gabinete para a Democracia, Direitos Humanos e Trabalho daquele departamento, soube-se que o concurso anunciado visa dotar “a sociedade civil angolana e os meios de informação de conhecimentos, instrumentos e acesso para investigar e monitorar a corrupção”

 

Os Estados Unidos da América acabam de dar um sinal prático de que continuarão a apoiar os esforços do governo angolano no combate à corrupção, cujo início efectivo estrategicamente coincidiu com a ascensão ao poder de João Lourenço. Através do Departamento de Estado, o governo agora liderado por Joe Biden, não só reconhece os avanços desta luta no nosso país como decidiu anunciar a abertura de um concurso que visa, fundamentalmente, financiar projectos, dar maior espaço de intervenção à sociedade civil e da imprensa independente na estratégia global de enfrentamento exitoso à este mal e suas consequências nefastas para o desenvolvimento saudável e equilibrado da nação.


Vinda de quem vem, esta notícia chegou num momento excelente para o Executivo angolano, a braços com uma crise económica e social preocupante, devido a factores externos. A gestão da crise caminha lado a lado com a delicada gestão dos sucessos, medos e receios que envolvem este combate contra a impunidade, que a velha e casmurra elite de corruptos teima em não desarmar. Pelo contrário, faz o possível e o impossível para sobreviver aos ataques impiedosos do governo e as suas instituições judiciais.


A comunidade internacional está atenta, os apoios à luta foram se sucedendo e hoje…cá está o Departamento de Estado norte-americano a aliar-se claramente ao “lado bom”, como não podia deixar de ser.A partir do Gabinete para a Democracia, Direitos Humanos e Trabalho daquele departamento, soube-se que o concurso anunciado visa dotar “a sociedade civil angolana e os meios de informação de conhecimentos, instrumentos e acesso para investigar e monitorar a corrupção”, bem como “levar os cidadãos angolanos a ter uma maior compreensão das actuais reformas anti-corrupção no país”. A finalidade última é, pois, evidente: advogar por essas reformas “de modo a que a sociedade civil tenha uma maior capacidade para investigar em segurança a corrupção”.


Importantíssimo também é o reconhecimento inequívoco dos “grandes avanços” alcançados nos últimos dois anos pelo Presidente da República, “no seguimento da agenda anti-corrupção”. Segundo o Departamento de Estado, “o Governo angolano tem combatido o poder de elites que se apropriam de recursos públicos para benefício próprio”.


E agora? Agora é necessário não dormir à sombra dos embondeiro. A partir deste reconhecimento privilegiado de tão influente instituição, é preciso dar continuidade e reforçar as estratégias tendentes a enfraquecer cada vez mais os pilares deixados pelo sistema de corrupção instalado um pouco por todos os sectores da vida económica, financeira e social. É preciso, sobretudo, investigar, fiscalizar o que foi mal feito e aonde se tem cometido erros de palmatória neste combate do bem contra a máfia institucionalizada há dezenas de anos.
Com a mesma tenacidade, há que corrigir também muitos erros de actuação autoritária herdada do antigo regime, que esteve constantemente a amordaçar, pisotear os direitos humanos. Infelizmente, ainda se vão registando muitos actos violentos que têm claramente manchado a reputação ganha nos últimos anos.


Neste contexto de reconhecimento internacional dos esforços do governo, seria óptimo que alguns órgãos de comunicação públicos acompanhassem o rumo do desenvolvimento de um Estado Democrático de direito que se pretende, deixando para trás muitos vícios do passado inglório como a bajulação pura e dura e, pior do que isso, as tentativas sucessivas de esconder o óbvio, a verdade das más acções de certas instituições publicas.

 

Victor Aleixo

victoraleixo12@gmail.com

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