ÁFRICA

 
5 de novembro 2016 - às 12:39

ALFRED KALISA, EMBAIXADOR DO RWANDA SÓ QUEREMOS A PAZ PARA O POVO DO CONGO

A situação na República Democrática do Congo é realmente complicada porque o calendário eleitoral não foi seguido e isso criou incertezas sobre a forma como o País será governado, uma vez que o mandato do governo existente expira em 20 de Dezembro de 2016"- quem o afirma é Alfred Kalisa, embaixador do Rwanda em Angola que na recente cimeira sobre os Grandes Lagos, realizada em Luanda, ele representou o seu Presidente, Paul Kagame

 

Para Alfred Kalisa, o facto do Presidente Paul Kagame não ter estado presente nem nessa Cimeira nem na anterior que também se realizou em Luanda, não, significa que o Rwanda não identifica com as posições que a presidência dos Grandes Lagos preconiza para a paz naquele País.

"De maneira nenhuma. Não,  não e não, disse o embaixador.

O facto do Presidente Paul Kagame não ter vindo a Luanda para as duas cimeiras, foi devido essencialmente a uma falta de sincronismo entre a sua agenda e esses compromissos mas em ambas reuniões esteve representado por delegações que o reportaram detalhadamente o sucedido.

"Queria enfatizar aliás, que o Presidente Paul Kagame considera o esforço e empenho do Presidente José Eduardo dos Santos, o seu governo e o povo angolano, de uma forma geral, na procura pela paz sustentável e segurança para todos os países na região dos Grandes Lagos. É um pre-requisito para uma rápida transformação das nossas economias para o benefício das populações."

Figuras&Negócios (F&N) - Qual a leitura que o Rwanda faz em relação a situação actual do Congo Democrático. Não teme que o País possa entrar em guerra com reflexos para os países vizinhos?

Alfred Kalisa (A.K) - A situação é realmente complicada porque o calendário eleitoral não foi seguido, e isso criou incertezas sobre a forma como o País será governado, uma vez que o mandato do governo existente expira em 20 de Dezembro de 2016.

No entanto, o governo e a oposição começaram as negociações para a solução deste problema desde o início deste ano um facilitador foi designado, excelencência Edem Kodjo, ex-Secretário Geral da União Africana.

Finalmente em 18 de Outubro de 2016 foi feito um acordo entre ambas as partes, um acordo que estende o mandato do actual Presidente, concede detalhes do calendário e do processo eleitoral, abre portas para que outras facções opositoras se juntem ao acordo do último estágio. Portanto, a posição do Rwanda é de apoiar o povo congolês, como foi expresso no acordo assinado.

F&N - Para que a paz volte à normalidade no Congo Democrático qual a receita do Rwanda?

AK - Não existe nenhuma receita especial, cada País tem os seus problemas específicos, a sua vontade particular na resolução de conflitos, como um diálogo sincero e preocupação para que ninguém seja deixado para trás com uma governação legítima.

O processo pode requerer mediadores ou facilitadores e pode ser frustrante mas nenhum sacrifício é grande para um povo que ama o seu País.

O Povo do Rwanda trouxe uma visão esclarecida sob a lideranca do Presidente Kagama, fruto de uma experiência onde foi capaz de ultrapassar uma das maiores tragédias da história o genocidio cometido contra os tutsis, em 1994.

 Acreditamos que o nosso vizinho vai encontrar soluções pacíficas às suas questões de governança.

F&N - Como estão, neste momento, as relações entre o Rwanda e o Congo Democrático, atendendo que existem algumas acusações que dizem que forças chamadas negativas da RDC recebem apoio do seu País?

AK- As relações entre a RDC e o Rwanda estão boas e vão melhorando rapidamente. Por exemplo, houve uma reunião entre os dois países, no dia 12 de Agosto, com grandes delegações, em Rubavu, no Rwanda, onde foram tomadas decisões políticas e economicas importantes, como a renomeação de embaixadores, abertura e facilitação do comércio na fronteira entre os dois países e produção conjunta de gás metano no Lago Kivu.

O Rwanda considerou o esforço da RDC em lidar com a FDRL na prisão do alto oficial da organização terrorista. Está também no processo de repatriação de alguns membros do M23 que permanecem no Rwanda. 

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