RECADO SOCIAL

 
23 de maio 2018 - às 09:10

A JUSTIÇA ESTÁ A ATACAR ...

Numa altura em que se começou a cruzada contra os principais covis do roubo generalizado do erário público, vão surgindo sinais de que daqui a algum tempo iremos testemunhar algumas salas dos tribunais preenchidas por gente de alta categoria (no sentido mais negativo do termo). 

 

Angola vive um momento ímpar da sua história. Passados que são dezasseis anos desde que a paz se instalou, o país vive uma guerra declarada contra todos os males que fizeram  com que permanecesse na lista dos estados onde a existência da fome e da miséria é consequente da má gestão dos  seus recursos.Trata-se de uma verdade que se foi tapando com carradas de estratégias de marketing político lideradas por milhares de assessores estrangeiros.

É impossível calcular a quantidade dos dólares gastos ao longo dos  anos para que o mundo acreditasse que "Angola é um bom país para se viver".As estatísticas não mentem.Também torna-se difícil imaginar o capital investido para que a máquina de propaganda fosse oleada, no sentido de manter nos cargos vários gestores da coisa pública , com o objectivo único de servir os interesses de quem os apadrinhou.

Hoje vão se descobrindo algumas vergonhas escondidas durante décadas ou deixadas propositadamente por baixo dos tapetes  dos gabinetes dos directores das principais empresas públicas.Quase nenhuma destas se safou do saque viciante que se foi enraizando, sem que os promotores das tais "ordens superiores" a todos os níveis do(des)governo movessem um dedo para que se interrompesse a farra dos milhões e a dança dos biliões de dólares.

O país estava, de facto, metido num beco sem saída e chão. Vezes sem conta  viu-se de mãos estendidas, apesar dos narizes empinados dos homens do sistema  despachados apressadamente para a Europa, no sentido de  pedinchar as tais "verbas". Esqueceu-se a dignidade. A missão, em princípio, era matar a fome dos compatriotas deixados na Pátria-mãe; mas houve sempre uma mão cheia de "chicos-espertos" que se marimbaram com os "objectivos do milénio" .O sufoco foi tanto que se recorreu aos esquemas encapotados em verdadeiras máfias.

Num futuro muito próximo, veremos todas estas cenas de gatunagem autêntica, das dívidas públicas bilionárias e do encerramento de milhares de empresas a serem contadas nos tribunais. Vamos ver elefantes e leões misturados com onças e cobras  a serem interrogados por um sistema de justiça novo; com novos autores e condições morais e éticas fortalecidas, pois,ao que parece, temos finalmente um comando governativo do país disposto a mudar tudo, contra todos os que deixaram o país na miséria.

De facto, não está distante o dia em que este "povo heróico e generoso" irá confrontar-se com todos os que viram os seus filhos com o futuro incerto, uma vez que  durante muito tempo foram privados de escolas, hospitais, creches e uma alimentação digna de seres humanos.

Para os mais optimistas, o momento é de unidade em torno de quem agora está a liderar um processo claramente contra as origens de toda esta miséria de vida que as populações  do interior do Leste ou dos confins do Sul do país, por exemplo, têm levado.

Numa altura em que se começou a cruzada contra os principais covis do roubo generalizado do erário público, vão surgindo sinais de que daqui a algum tempo iremos testemunhar algumas salas dos tribunais preenchidas por gente de alta categoria (no sentido mais negativo do termo). 

Para quem ainda tem dúvidas de que a justiça deste tempo novo está mesmo a atacar, aconselha-se a comparar o quadro do passado a este que hoje vivemos.Há registos de instauração de processos de investigação de crimes a pessoas da chamada alta nobreza do sistema, da desmaiada monarquia encapotada instalada ou não? Há e, pelo que se vai notando, muitas delas nem sequer algum dia pensaram estar à frente de um agente da Justiça.Nem em sonhos.Pois é! Hoje isto é um pesadelo real, muito difícil de ser vivido especialmente para quem foi, até há bem pouco tempo, considerado "intocável". 

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