EDITORIAL

 
25 de setembro 2014 - às 15:20

A HOMENAGEM E O OPORTUNISMO

A moldura humana presente na homenagem, as opiniões recolhidas são bem o testemunho de que o gesto da LAC foi bem aceite o que constitue uma prova demonstrativa de que quando as acções são bem intencionadas e transparentes, sejam de cunho público ou privado, merecem o reconhecimento da Sociedade.

 

O cantor Paulo Flores foi homenageado pela rádio LAC no seu Festival da Canção.Tratou-se de um tributo a um jovem que, empenhado na música há muitos anos, tem se destacado pelo seu valor, qualidade do trabalho que granjeia simpatia e admiração que fazem dele, hoje, um dos expoentes da música nacional e, por consequência, peça fundamental na dignificação da cultura angolana.
A moldura humana presente na homenagem, as opiniões recolhidas são bem o testemunho de que o gesto da LAC foi bem aceite o que constitue uma prova demonstrativa de que quando as acções são bem intencionadas e transparentes, sejam de cunho público ou privado, merecem o reconhecimento da Sociedade.
Em sentido contrário, em Luanda começou a circular a informação de que Angola, aconselhada pelo orgão reitor do Futebol, a FAF, estava interessada em organizar o Campeonato Africano da modalidade em 2017, substituindo a Líbia que abdicou dessa intenção devido a instabilidade que o País vive. Angola quer concorrer com outros países que também manifestaram essa intenção, como o Ghana cuja escola de futebol respira um ar puro depois de um trabalho para a revitalização da modalidade. Curiosamente, a notícia da intenção de Angola acontece numa altura em que se destapam os males do nosso futebol com bases organizativas ruins e reflexos evidentes no ciclo competitivo onde a selecção nacional, sem filosofia de jogo apurado, está a sofrer para marcar presença no CAN de 2015, a ter lugar em Marrocos.
Se é verdade que o País é dos poucos que possui infraestruturas para poder albergar um CAN muito em função do que se conseguiu erguer com a competição do género em 2010, também é correcto que se questione quais os beneficios já colhidos a favor do futebol e outras modalidades desportivas que se ganhou com à realização da prova aquí. As infraestruturas, que na maioria consumiram milhões de dólares, continuam sub-aproveitadas e não há qualquer programa para melhor rentabilização, como os estádios que já deveriam ser adaptados em locais de multi-uso.
Do ponto de vista da competição futebolistica, não há pessimismo em reconhecer uma acentuada degradação. O Nacional de futebol não tem a presença de equipas de todo País e a maior parte é da capital. O título, regra geral, discute-se entre as equipas da capital e, facto curioso hoje muito latente e, também, já migrado para o basquetebol, a presenca de jogadores estrangeiros é mais acentuada, o que se ignora o investimento nas camadas mais jovens para se criar a tal base sustentável para amanhã se discutir títulos a nível do continente e do mundo.
Não fica dificil acreditar que no actual cenário do futebol, Angola ao pretender organizar o CAN de 2017 não visa chamar a si o título de campeão africano porque não tem nem estrutura futebolistica para dignificar e sustentar em pirâmides seguras esse título. Fica, então, evidente que os mentores da iniciativa, a que o Executivo não pode embarcar na "aventura", não têm outra estratégia senão de amealhar mais dinheiro do erário público, propondo, como sempre acontece, ou a construção de mais  infraestruturas desportivas ou recuperação/reabilitação das já existentes, mal conservadas e sem uso contínuo.
O mesmo também é estendido ao basquetebol, cuja Federação manifesta igualmente intenção de chamar para Angola a realização do próximo campeonato africano, com o argumento ameaçador de que esta é a forma do País continuar a ter hegemonia da modalidade em Africa!
Não são sérias ambas as pretensões.Angola tem de se impôr no mundo do desporto, pelo seu nível de organização e de estruturas sólidas e não na construção de elefantes brancos que depois ficam adormecidos.
É, pois, uma grande diferença a homenagem merecida a um vulto da música que canta a angolanidade e de oportunistas que convencem o Executivo a embarcar em  projectos faraónicos que não honram a imagem de Angola no mundo.   

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