DESPORTO

 
6 de setembro 2017 - às 08:29

AFROBASKET NA TUNÍSIA E SENEGAL: ANGOLA APOSTA NO RESGATE DO TÍTULO SOB AS RÉDEAS DE SILVA "GI"

O seleccionador nacional de basquetebol, Manuel Silva "Gi", considera que Angola estará preparada para jogar o melhor do seu basquetebol no Afrobasket que, desta vez, de 8 a 16 de Setembro, será disputado em dois países, Tunísia e Senegal, onde quer resgatar o título que está, desde 2015, na posse da Nigéria

 

Angola, após o sorteio realizado pela FIFA-África nas Ilhas Maurícias, em Junho, calhou num grupo em que, na primeira fase, figuram também as respeitadas selecções do Marrocos, da República Centro Africana (RCA) e do intruso Uganda.

O treinador, que à frente das selecções inferiores já conseguiu feitos de enaltecer, esclarece, reagindo ao sorteio, que a selecção do Marrocos pratica um basquetebol muito peculiar, tacticamente bem organizado. 

Recorda que o Uganda esteve presente no último africano, jogando mais com a componente física e vê a República Centro Africana a procurar criar empecilhos quer a Angola quer à Tunísia, como fez em 2015 a esta última nos quartos-de-final.

Tendo em conta estas ilações o técnico busca fórmulas dentro e fora do campo de treinos para se impor, quer no Senegal quer na Tunísia, e afirma, confiante: "o fruto do trabalho que temos estado a realizar, vamos ultrapassar as dificuldades que estas selecções nos vão criar".

Além dos trabalhos de campo, na vertente técnica, tática e física, Manuel Silva "Gi" para conhecer melhor os adversários tem realizado preventivamente observações dos mesmos, no sentido da selecção angolana ultrapassá-los durante a competição.

Além dos adversários da fase de grupo, o treinador olha para os outros participantes e reconhece que o favoritismo pende sempre, teoricamente, para o detentor do título, neste caso a Nigéria e para o país organizador (Tunísia).

Manuel Silva "Gi" sabe que a Tunísia, desde que destronou Angola em 2011, tem-na como alvo a abater e reconhece o Senegal com uma performance que já voltou a saltar à vista no último Afrobasket realizado em 2015 na Tunísia, onde a Nigéria conquistou o título.

Este alvitre, como esclarece, não significa, contudo, que Angola não seja desta vez um forte candidato. Ou seja, para si, os participantes têm de respeitar a selecção que dirige.

Seja na Túnisia ou Senegal, Angola, segundo o técnico, vai com a lição estudada, no sentido de não falhar. “A Tunísia joga em casa e diante do seu público, temos muito respeito, mas queremos ser campeões novamente”, alude . 

No Senegal, Angola esteve, pela última vez, há vinte anos, no Afrobasket’97, com uma selecção orientada, na altura, pelo falecido técnico Vladmiro Romero, e lá ficou em terceiro lugar.

"Vamos para qualquer país com o mesmo compromisso e determinação, respeitando como sempre os nossos adversários", responde, assim, sem receio, o técnico Manuel Silva "Gi" ao analisar já o novo modelo de disputa da prova.

Até à altura da competição a equipa orientada por Manuel Silva "Gi" deve completar oito semanas de trabalho. "É tempo mais do que suficiente para nos prepararmos. Agora podemos decidir qual o país onde vamos estagiar", afirma.   

O sorteio ditado pela FIBA-África, nas Ilhas Maurícias é o primeiro modelo do género - no Senegal e Tunísia - em 53 anos de história da competição. Só nos anos de 1965, 87 e 2015 é que a Tunísia organizou a prova e, em 1972, 78 e 97,  fê-lo o Senegal de forma separada. 

Desta vez a cidade de Dakar, no Senegal, acolhe de 8 a 10 de Setembro duas séries e a de Tunis, na Tunísia, igualmente. 

Depois as duas primeiras classificadas dos grupos hospedadas em Dakar, juntam-se às restantes em Tunis, cidade encarregue de acolher a disputa dos quartos-de-final, meias-finais e final.  

Em 2015, Angola foi destronada pela Nigéria no pavilhão Multidisciplinar de Radés, ao revelar-se incapaz de provar a superioridade teórica que trazia, permitindo que se lhe retirasse o troféu resgatado em 2013, em Abidjan, na Côte d’Ivoire.

Na altura, Angola baqueou ante uma Nigéria bem estruturada, onde Carlos Morais com 17 pontos, Yanick (13), Braúlio (12), Ndoniema (9) e Mingas (8) “remaram contra”, pois, a Nigéria tinha os "imparáveis Oguchi (19), Lawal (12), Al-faruq Aminu (11), Bem Uzoh (10), Andy Ogide (10) e companheiros que não deram hipóteses e vingaram-se das derrotas sofridas diante dos angolanos nas finais dos Afrobasket de 1999, em Luanda, e 2003, em Alexandria, no Egipto.

Desta vez o moral na selecção angolana voltou a ser muito alto, a julgar pelo que disse o  capitão, Milton Barros. O jogador falou de maior engajamento, rigor e eficiência técnica, e disciplina no grupo.

 O técnico, que afastou o poste Valdelício Joaquim do grupo, justificando que o jogador de 2,08 metros estava a causar instabilidade  foi a opção da Federação Angolana de Basquetebol, depois de ter assegurado o apuramento da selecção durante torneio no zonal de Lusaka, disputado em Lusaka (Zâmbia). Substituiu o então seleccionador nacional, Carlos António Dinis, que saiu devido a problemas de saúde.

 O técnico Manuel Silva "Gi" foi um dos adjuntos do técnico espanhol, Moncho López, no Afrobasket de 2015, na Tunísia, onde Angola deixou escapar o título para a Nigéria, perdendo a final, por 65-74.

Agora, com a nata de jogadores que elegeu para a "Missão Tunísia-Senegal", tem assim a oportunidade de chegar ao título para entrar na "galeria" onde já estão o Victorino Cunha que foi o primeiro angolano a assumir o cargo de seleccionador nacional, conquistando três Afrobasket; Wlademiro Romero que conquistou um troféu, em 1995, Alberto de Carvalho "Ginguba", vencedor do Afrobasket de 2017, Paulo Macedo, campeão africano de 2013, José Carlos Guimarães e Carlos António Dinis que falharam a qualificação para os Jogos Olímpicos de Londres, Inglaterra, em 2012, e do Rio de Janeiro, Brasil, isto em 2016. 

Já passaram também pela selecção Nacional os treinadores estrangeiros Mário Palma, luso-guineense, que arrebatou quatro Afrobasket, Luís Magalhães, português, campeão africano em 2009, Michael Gomez, francês, e Moncho López, espanhol, que não conquistaram qualquer título. . 

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