PONTO DE ORDEM

 
23 de maio 2018 - às 08:21

AFRICANOS MAIS LIVRES PARA O COMÉRCIO

 

O continente africano alcançou  uma vitória importante no contexto das relações de cooperação,pois recentemente viu uma boa parte dos seus dirigentes a assinar o compromisso de adesão à Zona de Livre Comércio  (ZLC), sinalizando, desde já, que a África continua disposta a ultrapassar uma série de obstáculos que atrasa sobremaneira o seu desenvolvimento económico. 

Com este passo, a liderança africana demonstra que, sim, é possível olhar para dentro de casa,olhando para os vizinhos sem desconfiança; que, sim, torna-se imprescindível vencer as assimetrias regionais se houver vontade política e  força suficiente, no sentido de se deitar abaixo as fronteiras há séculos impostas pelo violento passado colonial.

Recentemente, os presidentes  africanos finalmente sentaram-se à mesma mesa para falarem de comércio, de alta finança e na possibilidade  de consolidar a ideia da criação da Zona de Livre Comércio Continental.E conseguiram, valorizando o esforço e  a inteligência  de todos os que durante várias décadas lutaram para que este sonho se tornasse realidade, ainda que soubessem que não seria fácil colocar a fasquia demasiado alta, exactamente numa altura em que o proteccionismo do  mundo ocidental e do numeroso grupo de países satélites dominam o comércio internacional.

De facto,  esta Zona de Livre Comércio abrange um potencial de recursos humanos e naturais enorme.Os números não mentem e assustam de alguma maneira os concorrentes comerciais de outras paragens, caso os  objectivos da organização continental ora instituída sejam seguidos rigorosamente, rumo à sua consolidação e expansão.

A  criação da Zona Livre do Comércio  contribuirá de forma mais pragmática para a desejada integração de África. Nos grandes fóruns de negócios do planeta, a visão é comum: tudo será para o  seu crescimento económico e a conquista de mais oportunidades aos operadores económicos, bastas vezes discriminados ou ignorados.

Para se ter uma ideia sobre a importância  deste "passo importante“ para o crescimento económico do continente, prevê-se que, até 2050, a Zona vai "produzir" 29 triliões de dólares.  Observado este cenário, é evidente que a maior parte dos governos e parlamentos africanos rubricaram o Tratado de Livre Comércio do continente negro. Para os mais optimistas, a organização vai provavelmente deixar de "rastos" a NAFTA -  o tratado de Livre Comércio da América do Norte, do qual fazem parte os EUA, o Canadá e o México.

E para dar mais consistência ao seu optimismo, mais um dado é posto por cima da mesa: é que esta  Zona de Livre Comércio Continental tem uma população de 1,2 biliões de habitantes, com todos os seus mais diferenciados  hábitos e costumes é verdade, mas não hajam dúvidas que no que toca ao comércio entre os estados, espera-se que atinja 53%.Trata-se de um índice de crescimento francamente encorajador, na medida em que, devido a existência de fortes barreiras ao seu comércio, as relações intra-africanas neste domínio estão abaixo dos 16%, contrastando   com os 19 porcento alcançado actualmente na relação comercial com a América Latina, 51 porcento com a Ásia e os 70 porcento com a Europa, segundo alguns dados avançados pela imprensa.

Há quem diga que será necessário ter muita cautela, pois  com a adesão à ZLC, os Estados aderem igualmente à Zona de Livre Circulação Continental, o que  implica a existência do Acordo de Livre Circulação de Pessoas e Bens, com vista a eliminação de grande parte das barreiras do mercado intra-continental.

Em Angola, a assinatura deste Tratado por parte das nossas autoridades não colheu de surpresa os mais atentos ao  próprio momento político que se está a viver no país. O governo tem demonstrado maior abertura para a África e ao Mundo. Neste contexto, tudo indicava que o "dossier" Integração do país, quer a nível regional como continental, agora a nível  do Livre Comércio, já não constitui tabu  de qualquer espécie. 

 

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