REPORTAGEM

 
29 de agosto 2015 - às 09:21

ÁFRICA E BRASIL SÃO BAÚS DE TALENTOS NEGÓCIO DE JOGADORES ILEGAIS MOVIMENTA MILHÕES

São sobejamente conhecidos os talentos provenientes quer do continente africano quer da América do Sul. Os dotes futebolísticos e talento noutros desportos, nomeadamente no atletismo, costumam ser evidentes logo em crianças de pouca idade

 

Mais do que aprender, a ginga, a velocidade e a astúcia estão no sangue. É quente, animado e fascinante aos olhos de quem assiste às peladas em campos muitas vezes improvisados com quatro pedras a fazer de balizas e, se for preciso uma lata ou uma meia enrolada a fazer de bola. Jogam muitas vezes descalços porque as chuteiras é coisa de luxo. 

E se, de repente um senhor, bem vestido com ar de estrangeiro fornecesse chuteiras e camisolas de grandes equipas só para os ver a jogar um “Barcelona-Real Madrid” e descobrir um Ronaldo ou um Messi?

É o sonho de qualquer miúdo. No Brasil ouve-se dizer com frequência que muitas crianças sonham ser jogadores de futebol, modelos ou cantores e estão sempre à espera que alguém os veja a brilhar no que sabem fazer melhor. 

África não é diferente. Em países muito populosos, com défice de oportunidades e poucas opções de crescer profissionalmente em determinadas áreas, o bilhete de saída é mostrar ou ter a sorte de alguém observar com bons olhos o talento e a possibilidade de prestar provas num clube da Europa.

E quer África, quer a América do Sul são verdadeiras “minas” de possíveis estrelas para fazer parte da constelação do futebol mundial.

Não é preciso pensar muito para descobrir quantos jogadores foram encontrados nas ruas a jogar à bola.

Mas este é só o lado fascinante! Existe sempre um lado B. O outro lado. O lado obscuro. Aquele lado em que os gigantes clubísticos pagam aos seus olheiros, vigilantes, pesquisadores para sondar mercados, miúdos de rua, que vivem na miséria, que são filhos de casais com mais uns 10 para criar e que por meia dúzia de trocos vão “despachar” os seus filhos e aceitar as condições em troca de promessas e ofertas. 

Muitas vezes, vezes de mais, essas promessas nunca se concretizam. Muitas vezes, esses pesquisadores nem o são. Ou não são mais de meros exploradores que procuram mão de obra barata ou mesmo escravos. Sim, porque ainda que estejamos no século XXI, existem milhares de pessoas que são escravizadas, um pouco por todo o mundo. E o desporto é um ponto de partida. 

 

Esquemas bem montados - Encontrado o talento, é preciso agilizar o processo de “compra do seu passe” que, em muitos casos não é mais do que pagar aos pais alguns cabazes de compras, umas roupas novas e material escolar para as restantes crianças que não foram as felizes contempladas para despertar para o mundo do estrelato.

Os escolhidos são levados e, para os pais, além de ser, muitas vezes um alívio nas contas a pagar, é a concretização de um sonho. Dali a uns meses ou anos, vão poder assistir em família, aos grandes jogos da sua criança, agora homem.

Quando chegam, os supostos jogadores vêm com isenção de vistos ou visto de turismo. Ficam um bom tempo à experiência ou em formação. O tempo vai passando. E, numa boa percentagem dos casos, ficam-se mesmo por ali.

O período de experiência termina. No meio de tantos não foram escolhidos e, salvo as excepções daqueles que são “devolvidos” às famílias, estes jovens, alguns ainda menores de idade são deixados à sua sorte, sem documentos, completamente perdidos num país, num continente que não é o seu. Sem contactos, sem dinheiro e sem saída.

Muitos são os casos em que se tornam emigrantes ilegais, procurando formas pouco honestas, como tráfico de droga, para regressar a casa, porque com receio do que lhes possa acontecer, em caso de denúncia, raramente apresentam queixa contra a única pessoa que conhecem – aquele que se comprometeu e responsabilizou perante os pais e familiares a cuidar e proteger.   

Entre 2014 e 2015, a Direcção Central de Investigação do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) efectuou várias diligências sobre a investigação de imigrantes ilegais utilizados no futebol nacional. Os resultados apontaram para mais de 100 clubes passados a pente fino por suspeitas de apresentarem jogadores em situação irregular, alguns deles clubes pertencem à Iª Liga; cerca de 500 cidadãos estrangeiros identificados, dos quais mais de 200 eram ilegais; 25 clubes foram sancionados, com pagamento de multas. 

Daí ter sido criada uma equipa de acompanhamento e vigilância, em contacto permanente com a Federação Portuguesa de Futebol (FPF) e a Liga de Clubes.

São na sua maioria enganados. Jovens com promessas de contratos em clubes profissionais. Sem salário, sem contrato caem nas malhas de redes com esquemas bem montados.

Estima-se que sejam mais de mil os jogadores que permanecem em Portugal sem documentos ou com estes falsificados. Brasil, Cabo Verde, São Tomé, Guiné-Bissau, Senegal e Argentina são alguns dos “mercados mais apelativos” e de fácil acesso. 

A maioria dos jogadores “empurrados” para esta situação nunca chegam a fechar contrato com clubes. Aliás, o único contrato que assinam é falso e criado pelos ditos empresários que os recrutam.

Para o Sindicato de Jogadores Profissionais de Futebol (SJPF), em Portugal, a rede de recrutamento de jovens futebolistas envolve empresários que agenciam e patrocinam estes jovens desde o seu país de origem e, a dívida destes permanece por pagar durante muito tempo. 

Apesar do aumento do rigor no controle e fiscalização desta actividade, as organizações envolvidas no negócio de angariação de jogadores vai modificando a sua forma de operar no sentido de desviar as atenções das autoridades.

Muitos destes grupos de empresários estão identificados e sob a mira das autoridades mas, o esquema é tão bem montado que nem sempre se consegue provar o seu envolvimento. 

Além do que os clubes que se associam a estas práticas também devem ser responsabilizados por contribuir para o aumento dos casos de escravatura e tráfico humano.  

Um dos casos mais conhecidos é o do “projecto”. Sérgio Daniel viajou em 2012 para a Nigéria. O objectivo é angariar jovens promessas do futebol, trazê-los para a Europa e tirar dividendos com isso, à custa do sacrifício dos atletas e das famílias.

Com ligações ao governo nigeriano e a Tijjani Garba, presidente da Elite Sports Group, este empresário escolheu o Estrela de Portalegre para inserir os jogadores provenientes de África e do Brasil. Ao todo, em dois anos, angariou 23 jogadores estrangeiros para fazer parte do seu projecto. Doze brasileiros, seis nigerianos, quatro sul-africanos e um cabo-verdiano.

 

Entidades tomam medidas - Têm sido tomadas várias medidas pelas entidades envolvidas no desmantelamento das redes de tráfico de jogadores para o futebol português. 

Em consonância com o SEF e com a Liga de Clubes, a Federação Portuguesa de Futebol (FPF) tem levado a cabo diligências e criado condições para que uma investigação profunda fosse realizada em vários clubes, nomeadamente os três grandes, S.L. Benfica, Sporting C.P e F.C. Porto.

Até à presente data nada foi concluído quanto à presença de jogadores em situação ilegal. Foram, no entanto referenciados vários falsos empresários, alguns ex-jogadores com dupla nacionalidade, que usam da sua imagem e bom nome junto dos clubes para lucrar com este negócio. 

Recentemente, a FPF introduziu no regulamento do estatuto de inscrição e transferência de jogadores, a obrigatoriedade de apresentação de documentos que comprovem a legalidade da permanência de estrangeiros em solo nacional.

Acredita-se que o esquema sirva para encobrir o tráfico internacional de pessoas. É muito provável que possa ultrapassar os mil jovens a quem é prometida uma oportunidade de integrar clubes portugueses da I Liga mas na maioria dos casos são abandonados à sua sorte.

Em alguns casos, os olheiros que os escolhem pedem às famílias um adiantamento de algumas centenas de euros para custos com viagem e outras despesas. Como moeda de troca prometem retorno rápido desse valor bem como a presença desses jovens nos principais clubes do país. 

Em cerca de 90%, nunca aparecem contratos, nunca são legalizados e acabam na rua sozinhos e sem solução.

O presidente da FPF referiu a importância de adequar o prazo do visto, aos meses de duração de uma época desportiva. Uma medida que poderia contribuir para a redução de casos de ilegalidade. 

A nível internacional, estes números têm dimensões muito mais alargadas. São cerca de 15 mil os jovens africanos que todos os anos emigram ilegalmente para jogar futebol na Europa.

A FIFA reforçou os níveis de segurança e proibiu as transferências internacionais de jogadores menores de idade, a menos que estejam acompanhados pelos pais.

Ainda assim o número de queixas é cada vez menor. O que pode querer dizer que o rigor das investigações leva a que haja mais controlo sobre estas situações. 

 

“Amigo”proveniente do Senegal, “amigo” foi o nome que encontrou para se apresentar às pessoas que o vão cumprimentando e interessando-se pela sua história. 

Foi trazido do seu país de origem, em 2010. Veio para jogar no Vitória Futebol Clube. Quando chegou, disseram-lhe que teria que aguardar uma oportunidade. 

Ofereceram-lhe uma casa na Costa da Caparica. Um pequeno cubículo de condições rudimentares. Apenas cabia uma cama e pouco mais. Mas houve espaço para instalar um computador com gravador de Cd´s ligado à internet. 

“Pelo sim, pelo não, arranjaram-me este trabalho para andar ocupado e ganhar alguma coisa”, desabafou o “amigo”.

A sua inexperiência não o deixa alcançar a gravidade da situação em que está inserido. Ilegal, sem documentos, vende Cd´s ilegais e provavelmente nunca vai seguir a carreira de jogador de futebol. 

Não regressou a casa desde que chegou a Portugal e diz estar cheio de saudades da “mamã”. 

A malta amiga sempre que o vê passar, oferece-lhe o almoço ou o jantar. Todos sabem que sairá dali mais reconfortado do que chegou.  

 

Ansumane foi recrutado na Guiné-Bissau. Tinha 17 anos. Veio para Portugal para prestar provas no Sporting. Não foi aprovado. O empresário deixou-o em Gaia, o Clube Desportivo do Candal. Ali permaneceu ilegal. Não lhe foi concedido o visto como jogador e arranjou emprego. Foi como estafeta de uma empresa que consegui o contrato que precisava para legalizar a sua residência em Portugal. Treinada à noite. Mudou várias vezes de clube até ser apanhado pelo SEF. Recebeu ordem de expulsão mas conseguiu escapar. Chegou a ser convocado para a selecção da Guiné mas recusou. Se saísse de Portugal não poderia voltar a entrar. Só voltou a ver a família, cinco anos depois. Tornou-se o sustento da família inteira.

 

Davi é brasileiro e pagou 1600 Euros para jogar em Portugal. Queria uma oportunidade para mostrar as suas técnicas. Pouco tempo depois de ter chegado percebeu em que esquema estava envolvido. Contou ao Jornal i o que passou: “a princípio, foi a alimentação. Para o pequeno-almoço, o cara comprava seis caixas de leite para 15 jogadores. Isso não existe. Pão, ele compra seis sacos para durar de sexta a sexta, mas entre refeições e treinos, em menos de nada, já as provisões tinham acabado. O café da manhã dura dois dias, café da tarde não-tem-nada, refere, acentuando cada palavra. Não vou dizer que eles passam fome a cru. Mas se passares aqui... ele não come macarrão nem come arroz com feijão e atum todo o dia na casa dele (…) Uma vez por semana, um dos jogadores deixa as instalações para voltar umas horas mais tarde com alguns sacos de compras. É sempre assim que funciona a reposição da despensa”.

 

Caio é brasileiro um foi um dos casos que ajudou a despoletar a investigação sobre as redes de recrutamento de jogadores ilegais em Portugal. Prometeram-lhe contrato de trabalho como jogador de futebol. Na altura em que viajou a família teve que pagar as despesas no valor aproximado de 3.000€. Entre essas despesas estava o pagamento do certificado internacional de jogador. Os responsáveis pela sua contratação, um português e um brasileiro colocaram-no à experiência no Naval 1º de Maio. Quatro meses depois de ter chegado ainda não tinha tido assinado nenhum contrato. E o negócio ficou sem efeito, tendo sido expulso do clube ficando sem apoio de ninguém. 

 

Em 2007 – Anderson foi contratado pelo jogador do FC Porto e, na altura foi um dos casos mais conhecidos no que diz respeito à contratação de estrageiros ilegais. Nunca foi provado que estivesse em situação ilegal mas, várias vezes foram publicadas notícias de que a legalização do atleta teria sido conseguida através de um contrato de trabalho fictício apresentado pela mãe, do ainda menor Anderson. Outros jogadores estrangeiros do clube estiveram sob suspeita. Ninguém foi constituído arguido. 

Maio de 2013 – A Liga de Clubes e o SEF assinaram um protocolo que passou a permitir acelerar o processo de autorização de residência a futebolistas profissionais estrangeiros, facilitando a sua movimentação.

Julho de 2013 - António Campos e Paulo e Carvalho foram acusados dos crimes de auxílio à imigração e contratação ilegal de jogadores. Ambos presidentes do Rio Ave foram indiciados por pertencer a um esquema de criação de postos de trabalhos fictícios quer para pais quer para tutores de potenciais jogadores de futebol menores de idade, oriundos do Brasil. Em Janeiro de 2014, o Tribunal de Vila do Conde deu por concluído o processo por falta de provas em como os jogadores vinham para actuar no Rio Ave. Os arguidos foram absolvidos.

Início de 2012 - O SEF levou a cabo uma investigação em que um suposto esquema de imigração ilegal favorecia a chegada de jogadores ao Naval 1º de Maio. Ninguém foi constituído arguido.

Final de 2012 – O SEF identificou quatro atletas estrangeiros a jogar nas camadas jovens do Grupo Desportivo de Chaves. Ninguém foi constituído arguido. 

Fevereiro de 2015 – O Sindicato de Jogadores Profissionais de Futebol (SJPF), denunciou a situação ilegal e desumana em que se encontram várias centenas de jogadores, neste momento, em Portugal. Muitos deles em clubes profissionais.

Mais de 100 clubes foram inspecionados pelo SEF na mais recente operação de controlo da imigração ilegal. Cerca de 500 jogadores estrangeiros foram identificados pelas autoridades, 200 dos quais não tinham qualquer habilitação para exercer a atividade desportiva.

15 mil jovens africanos emigram ilegalmente todos os anos para a Europa para abraçar uma carreira como futebolista.

O SEF já notificou centenas de jogadores estrangeiros para abandonarem o país dentro de um prazo estabelecido e multou cerca de 25 clubes da região centro por irregularidades nas inscrições de atletas.

Julho de 2014- SEF investiga tráfico no futebol. Na última década, o SEF tem vindo a investigar 11 casos de imigração ilegal no futebol. Isto para evitar que as crianças cheguem a Portugal ou à Europa com a promessa de ficarem num grande clube e depois acabem a trabalhar nas obras. O Serviço de Estrangeiros e Fronteiras investigou na última década, 11 casos de imigração ilegal relacionada com o futebol, envolvendo menores. 

 

ESTRELA DE PORTALEGRE 

Casa, comida e salário. Este era o pacote atractivo para fazer chegar ao clube Estrela de Portalegre jovens talentosos, na intenção de lhes proporcionar “o salto” para clubes de grande dimensão nacional. 

Ao fim de dois anos, as únicas coisas de que se lembram algumas vítimas é de passar fome e estar numa situação ilegal e de risco.

A notícia foi divulgada pelo Jornal i e dava um livro ou um filme dramático. Mas a história é verídica e demasiado angustiante para ser lembrada pelos seus protagonistas. 

Foi como receber uma bomba quando se descobriu a quantidade de jogadores provenientes de África e Brasil a jogar no Estrela de Portalegre em situação ilegal e precária, em contornos de escravatura.

Recrutados por Sérgio Daniel, o representante da duvidosa empresa “Elite Sports Group” com sede na Nigéria, os jogadores serviram apenas como moeda de troca. E após a investigação do SEF ao clube, o responsável afirmou que se não estavam legalizados era porque existiam muitos obstáculos à sua legalização. 

A oferta, atractiva, como na maioria dos casos, incluía salário, uma casa e as condições necessárias para conseguir, um dia mais tarde, “encher os olhos” de um clube grande.

Chegaram ao Estrela de Portalegre com visto turístico, pago do próprio bolso (cerca de 1600€) e, em troca podiam jogar no clube. Este valor, segundo a referida empresa serviria para fazer face às despesas de contratação que, são sempre assumidas pelos próprios clubes.

Entre nigerianos, cabo-verdianos, sul-africanos e brasileiros, foram descobertos jovens a dormir em pequenas camaratas nas instalações da sede do clube. Com idades entre os 19 e os 25 anos, estes jovens estão há mais de dois anos a viver num espaço com pouco mais do que 50 m2, a dormir em beliches amontoados que não deixam espaço entre si.

A descrição do Jornal i é arrepiante: “Há paredes completamente manchadas de negro, efeito da humidade. Há caixotes de cartão cheios de lixo entre os beliches, fios eléctricos descarnados, tomadas arrancadas das paredes e um cheiro intenso a urina que preenche o ar, vindo da casa de banho, paredes meias com o quarto. Do lado de lá da porta, a roupa de treino amontoa-se, ainda húmida, em várias pilhas. Entrar na divisão dos duches é um verdadeiro desafio aos sentidos. Na zona do duche - um duche e uma sanita para 12 jogadores de futebol - há um charco da água do banho que continua por limpar (…) O cenário - a casa daqueles miúdos - é profundamente precário. Mas ali ninguém faz ondas. Há como que uma calma podre no ar. São duas da tarde. Enquanto alguns atletas descansam, outros, no piso de cima, preparam o almoço. Não há novidades no menu. A mesma massa, as tiras de bacon e pouco mais. Carne é privilégio de alguns, os que tiveram sorte de ser escolhidos pelo director. Os restantes baixam a cabeça e seguem (…) A humidade e o frio que se fizeram sentir este Inverno deixaram marcas em alguns jogadores, que adoeceram. Mas quando os colegas alertaram Sérgio Daniel para essa situação, a resposta veio na negativa”.

Presos à empresa que supostamente os contratou, estes jovens receiam pelo papel que assinaram onde está escrito que cedem todos os seus direitos desportivos e de imagem ao grupo. 

Sem qualquer validade, esse e outros contratos foram também assinados pelo próprio clube, com cedência de todos os direitos desportivos na gestão da equipa sénior, por cinco anos com mais três de opção. Pagaram cinco mil euros para isso acontecer. Após o início da investigação, o clube suspendeu a competição.

 

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