ÁFRICA

 
27 de November 2020 - às 18:04

ÁFRICA DO SUL Kgalema alerta para perigo de guerra civil

O Presidente da África do Sul,CyrilRamaphosa,apelou a calma após episódios de violência racial,afirmando que “as tensões são uma triste memória de que a África do Sul ainda está a recuperar do regime do “apartheid””.

 

Face à violência racial na África do Sul,o antigo Presidente do País, Kgalema Motlanthe alertou, no meio de Outubro,para o facto poder desencadear instabilidade no País. Kgalema,que serviu o País como terceiro Presidente da África do Sul,enfatizou que a situação social e política actual “pode agravar-se ao ponto de evoluir para uma guerra civil,salientando que “os direitos dos agricultores devem ser protegidos ,e a sua segurança também deve ser garantida.

“Esses agricultores são ex-soldados porque vieram de um passado de colapso militar e podem estar armados”,declarouKgalemaMotlanthe ao canal de televisão por cabo sul-africano Newsroom África retomado pela agência Reuters.O político sul africano referia-se aos últimos episódios de violência racial no País após o brutal assassínio do jovem agricultor branco,22 anos,BrendinHorner,presumivelmente por dois homens negros em Paul Roux,uma localidade próxima de Senekal,no Estado Livre,a mais de 200 kilometros a sudoeste de Joanesburgo.

De acordo com um porta-voz da Polícia,os dois homens,de 34 e 43 anos respetivamente,foram presos no último 3 de Outubro,um dia depois de o corpo do jovem agricultor ter sido encontrado pela polícia pendurado num poste  de luz num terreno próximo da fazenda agrícola onde trabalhava como gerente.

O adiamento do julgamento,em 17 de Outubro,motivou manifestações de centenas de agricultores armados do Estado Livre,que saíram à rua em protesto contra o agravamento da violência e criminalidade na área,a confrontar a Polícia no Tribunal de Senekal,invadindo a cela do tribunal onde estavam os dois suspeitos do homicídio do jovem agricultor.Um dos homens suspeito do homicídio de BrendinHorner já havia sido detido por dezasseis vezes por vários crimes,incluíndo roubo de gado,tendo sido condenado a 18 meses de prisão num dos casos e a 12 meses noutro,segundo o Ministro da Polícia,Bheki Cele.

O Presidente da África do Sul,CyrilRamaphosa,apelou a calma após episódios de violência racial,afirmando que “as tensões são uma triste memória de que a África do Sul ainda está a recuperar do regime do “apartheid””.

A mensagem do Chefe de Estado surgiu após uma semana que culminou com uma acusação de terrorismo,apresentada pelo Ministério Público sul-africano contra um empresário local por alegadamente liderar a manifestação de agricultores brancos que incendiou uma viatura da Polícia a porta do tribunal onde os suspeitos negros do assassinio do jovem agricultor branco estavam a ser ouvidos.

O Presidente Ramaphosa sublinhou que no contexto de alta criminalidade que afecta o país,a maioria das vítimas de crimes violentos continua a ser negros e pobres.O brutal assassinio deste jovem agricultor branco,presumivelmente por homens negros,seguido do espetáculo de agricultores brancos a invadir uma esquadra  de Polícia para atacar um suspeito negro,é uma sequência que reabre feridas que remontam a gerações atrás”..afirmou o Chefe de Estado. 

 

ÁFRICA DO SUL/MOÇAMBIQUE

Muro de betão para dividir a fronteira

A África do Sul  está a construí um muro de betão de 1,5 metros de altura e 54 km  de cumprimento entre a fronteira com o seu vizinho Moçambique como medida de segurança para prevenir-se do contrabando nas suas fronteiras.

Esta solução  surge depois de 45 anos em que a África do Sul vem tentando ver solução contra invasão das suas fronteiras pelas diferentes razões históricas.

Nopassado, ainda na época colonial, as duas (regime do apartheid e Portugal) procuravam controlar cidadãos que circulavam de um lado para fazer turismo ou a título de visitar familiares do outro lado das fronteiras, até que a África do Sul cobriu estes corredores com a plantação de sisal, mas que não deu certo devido a circulação de elefantes que pisavam a plantação. Aseguir, isto em 1975, investiram numa cerca elétrica letal de alta voltagem, mas está apenas operou no período do regime do apartheid porque convinha para desencorajar os combatentes do ANC exilados em Moçambique que entravam em território sul-africano para ações de sabotagem econômica. Com o fim do regime do apartheid, o governo do ANC baixou a voltagem dessa cerca elétrica (também conhecida por “Serpente do Fogo” porque algumas ONGs denunciavam que por ano cerca de 200 pessoas morriam electrocutados ao tentarem passar as fronteiras, sobretudo cidadãos moçambicanos que fugiam da situação econômica e social do seu Pais. Era um muro (cerca elétrica) que ficou no top 10 dos muros mais perigosos do mundo por ter levado a morte mais pessoas que, por exemplo, o muro de Berlim em 28 anos.

Agora como medida mais branda, a África do Sul decidiu avançar com a construção do muro de betão que custará aos cofres do Estado cerca de 5 milhões de dólares. O argumento invocado pelas autoridades é de que por ano estavam a ser roubados cerca 360 viaturas que eram contrabandeadas para Moçambique. O segundo argumento é que as comunidades sul-africanas tem reclamado o aumento da criminalidade nestas áreas fronteiriças. Nas suas reclamações queixam-se que a polícia nada tem feito.

Portanto, as autoridades decidiram avançar com aquilo que chamam de “Acção disciplinar: a construção de um muro de betão entre os dois países.

José Gama

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